Guia de Prótese Total: Moldagens e Limites Funcionais

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Limites Funcionais

  • Limite funcional superior: freio labial, fundo de vestíbulo labial, fundo de vestíbulo bucal, espaço coronimaxilar e término posterior.
  • Limite funcional inferior: fundo do vestíbulo labial, fundo do vestíbulo bucal, freio lingual, flange sublingual, fossa distoalveolar e chanfradura do masseter.

Processos de Moldagem

Moldagem periférica: Através de movimentos musculares excessivos, delimita o limite da futura prótese total. Material: plastificadora de godiva, lamparina, moldeira individual, godivas em bastão de alta, média e baixa fusão. Movimentos:

  • Superior: bico, sorrir forçado, abrir a boca ao máximo, lateralidade da mandíbula.
  • Inferior: língua na parte interna da bochecha, língua no lábio superior, língua para fora, bico, sorrir forçado, abrir a boca ao máximo.

Moldagem final: Copia todos os detalhes dos tecidos a partir dos limites previamente determinados na moldagem anterior. Material: pasta zinco-eugenólica ou elastômeros. Movimentos: não deve ser feito nenhum movimento importante, apenas repuxar um pouco os lábios para acomodação do material de moldagem.

Moldagem anatômica: Utiliza-se alginato (fácil manipulação, boa fidelidade de cópia, produz menores deformações aos tecidos de revestimento do rebordo) e godiva (fácil manipulação, boa fidelidade de cópia, grande capacidade de afastar a musculatura inserida no rebordo).

Ajustes e Dimensões

  • Ajuste no plano de cera superior: suporte labial, altura incisal, plano anterior, plano posterior, linha média, linha do sorriso e dos caninos, corredor bucal.
  • Ajuste no plano de cera inferior: dimensão vertical de repouso (DVR) e dimensão vertical de oclusão (DVO).
  • Limites da prateleira bucal: medial (crista do rebordo alveolar), lateral (linha oblíqua externa), distal (trígono retromolar) e anterior (freio bucal).

Fórmula: Dimensão Vertical de Oclusão (DVO) = Dimensão Vertical de Repouso (DVR) - Espaço Funcional Livre (EFL).

Síndrome da Combinação (Kelly)

Ocorre em pacientes usuários de próteses totais superiores com os sextantes anteriores inferiores presentes, e o segmento posterior bilateral mal restaurado ou não restaurado. Esse quadro clínico resulta na perda da eficiência mastigatória na região posterior, concentrando a carga na região anterior, o que leva a uma reabsorção severa na pré-maxila e crescimento na região da tuberosidade.

Áreas de Suporte

  • Maxila: Suporte primário (palato duro); Suporte secundário (rebordo alveolar).
  • Mandíbula: Suporte primário (prateleira bucal); Suporte secundário (rebordo alveolar).

Moldagem Funcional e Confecção da Moldeira

Utilizando um modelo de gesso da moldagem anatômica, este serve como base para a moldeira individual. O processo envolve:

  1. Colocar cera sete na lateral da placa de vidro e passar vaselina sólida para evitar adesão da resina.
  2. Realizar zonas de alívio (região anterior até as rugas para o superior e pontos laterais da gengiva para o inferior).
  3. Isolar o modelo com vaselina ou isolante Celac.
  4. Misturar a resina (pó/líquido) em pote Dappen de vidro com tampa.
  5. Na fase plástica, conformar a resina (bola para superior, "cobrinha" para inferior) e pressionar entre placas antes de adaptar ao modelo.
  6. Segurar firmemente para evitar expansão ou deformações.
  7. Realizar acabamento com broca Maxcut, mandril e lixa d'água; confeccionar stops posteriores e cabo biangulado anterior.

Para os limites funcionais, utiliza-se primeiro a moldeira de alumínio perfurada com alginato (proporção 3 medidas de pó para 2 ½ de água) e espatulação rigorosa. Após a presa e vazar com gesso pedra tipo IV, utiliza-se a placa individual com pasta zinco-eugenólica para a moldagem funcional definitiva.

Conceitos Físicos e Patologias Salivares

  • Adesão: Atração física de moléculas diferentes entre si.
  • Coesão: Atração física de moléculas de uma mesma substância.
  • Tensão superficial interfacial: Resistência à separação causada por uma película líquida entre superfícies (prótese-mucosa).
  • Sialorreia: Excesso de produção salivar. Causas: irritação local, Doença de Parkinson, gravidez ou próteses novas.
  • Xerostomia: Falta de produção salivar. Causas: idade, radiação, cálculos salivares ou medicações.

Comparativo de Materiais

  • Godiva: Maior capacidade de afastar a musculatura do rebordo alveolar; elastômero reversível com biossegurança favorável.
  • Alginato: Menor capacidade de afastar estruturas comparado à godiva; produz menos deformações; elastômero reversível com biossegurança favorável.

*Nota: O exame clínico e radiográfico serve para identificar estruturas não visíveis abaixo do rebordo alveolar, como restos radiculares, que podem causar infecções devido à carga mastigatória da prótese.

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