Guia de Recuperação de Matas Ciliares e Voçorocas

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Recuperação de Matas Ciliares

As Matas Ciliares são Áreas de Preservação Permanente (APPs) fundamentais para a proteção de cursos d’água, córregos, nascentes, represas e lagos. Elas desempenham papéis cruciais na proteção de recursos hídricos, servindo de abrigo e fonte de alimento para a ictiofauna e fauna silvestre, além de promover a conectividade de paisagens e o fluxo gênico entre populações.

Parâmetros Legais de Proteção

  • 1 módulo fiscal: 5m
  • 1 a 2 módulos: 8m
  • 2 a 4 módulos: 15m
  • Nascente: raio de 15m

Tipologias de Vegetação Ripária

  • Mata de Galeria: Vegetação florestal que acompanha os rios de pequeno porte e córregos nos Planaltos do Brasil Central. Forma corredores fechados (galerias ou túneis) sobre o curso de água e é predominantemente perenifólia.
  • Mata Ciliar: Vegetação florestal que acompanha os rios de médio e grande porte. A vegetação arbórea não forma galerias. Geralmente, a mata é relativamente estreita em ambas as margens, dificilmente ultrapassando 100 metros de largura em cada lado.

Funções das Matas Ciliares

  • Corredor ecológico e fluxo gênico;
  • Qualidade das águas e proteção da fauna aquática;
  • Recarga do lençol freático.

Estratégias para Restauração de Matas Ciliares

A restauração deve considerar aspectos ecológicos, sociais e financeiros, visando a minimização dos custos e o envolvimento dos agricultores.

  • Formação de uma comunidade florestal: Implantação de árvores por semeadura, plantio de mudas ou utilização de remanescentes.
  • Condução da regeneração: Promover condições favoráveis para que a regeneração natural seja sucedida.
  • Adensamento de indivíduos: Induzir o banco de sementes na área e realizar o plantio de mudas para aumentar o número de plantas.
  • Enriquecimento das espécies: Introduzir novas espécies de árvores para aumentar a biodiversidade e garantir a restauração dos processos ecológicos.

Ações de Restauração

  1. Isolamento e retirada de fatores de degradação:
    • Fogo: Construção de aceiros (10 m) ou isolamento de áreas com culturas agrícolas próximas.
    • Cercamento: Necessário em áreas com atividades pastoris.
  2. Adequação do local (Recuperação do solo): Restabelecimento da dinâmica da água no solo (drenagem e reconstrução da calha do rio) conforme as particularidades locais.
  3. Eliminação seletiva ou desbaste de competidores: Roçadas periódicas para evitar que gramíneas favoreçam incêndios, associadas ou não ao plantio de pioneiras.
  4. Indução do banco de sementes local (autóctone): Revolvimento e exposição à luz da camada superficial do solo (0 - 5 cm).
  5. Condução da regeneração natural: Método de custo reduzido que garante a preservação do patrimônio genético e elevada diversidade.
  6. Adensamento e enriquecimento: Utilização de mudas para complementar a área.
  7. Implantação de plantio total: Em áreas sem potencial de regeneração, utilizando grupos de preenchimento e grupos de diversidade.
  8. Transferência de serapilheira e banco de sementes alóctone.
  9. Transplante de plântulas: Retirada de indivíduos jovens alóctones que germinam naturalmente no entorno.
  10. Implantação de espécies frutíferas: Visando a atração de dispersores de sementes.

Espécies Recomendadas para Plantio

  • Macaúba;
  • Casearia guaçatonga (Erva-de-lagarto);
  • Óleo-de-copaíba;
  • Maria-mole;
  • Ingá-do-cerrado.

Recuperação de Voçorocas

A erosão em voçorocas consiste em sulcos com profundidade superior a 30 cm e largura superior a 1 m. Elas causam o deslocamento de grandes quantidades de solo, formando canais que impedem o trânsito de máquinas e reduzem a área útil de plantio.

Fases de Recuperação de Voçorocas

  1. Disciplinamento das águas superficiais: Construção de canais de drenagem.
  2. Retaludamento e contenção de taludes: Movimentação de terra para diminuir a inclinação das encostas, aumentando a estabilidade e evitando o avanço da erosão.
  3. Preparo do solo: Realização de análises químicas no topo, meia encosta e base para aplicação de adubação e calagem.
  4. Revegetação com gramíneas e leguminosas: Proteção contra o impacto da chuva e redução da velocidade da enxurrada. Espécies sugeridas:
    • Capim-gordura;
    • Feijão-de-porco;
    • Milheto;
    • Feijão-guandu;
    • Aveia-preta.
  5. Introdução de espécies arbóreas: Enriquecimento florístico com essências nativas e incentivo à regeneração natural em APPs.
  6. Cercamento da área: Fundamental para diminuir o trânsito de animais, pessoas e veículos, evitando acidentes e protegendo as intervenções realizadas.

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