Guia: Reforma Ortográfica, Hífen, Crase e Concordância

Enviado por Rodrigo Barbuscia e classificado em Língua e literatura

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Reforma ortográfica — trema e acentuação

3. Nova reforma ortográfica — Trema: acabou. Mudanças na regra de acentuação:

  1. Não se usa mais acento em ditongos abertos éi, ói, das palavras paroxítonas (palavras que têm o acento tônico na penúltima sílaba). Exemplos: heroico, ideia, geleia, plateia.
  2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no o tônicos quando vierem depois de um ditongo. Exemplos: Baiuca, bocaiuva, feiura.
  3. Não se usa mais acento nas palavras terminadas em -eem e -oo(s). Exemplos: abençoo, creem, deem, doo.
  4. Não se usam os acentos que diferenciam pares como pôr/por, pêlo/pelo (observação: distinguir conforme contexto e uso lexical).
  5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (eles) arguem.
  6. Há variação de pronúncia nos verbos terminados em -guar, -quar, -quir (ex.: aguar, averiguar). Esses verbos permitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, no substantivo e no imperativo:
    1. Se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ter acento. Ex.: enxáguo, enxágua.
    2. Se forem pronunciadas com u tônico, deixam de ser acentuadas. Ex.: enxaguou, enxaguas.

Uso do hífen

  1. Usa-se sempre em palavras compostas quando o segundo elemento começa com h. Ex.: anti-higiênico, anti-histórico. Exceção: subumano (nesse caso a palavra perde o h).
  2. Não se usa quando o primeiro elemento termina em vogal diferente da vogal que inicia o segundo elemento. Ex.: aeroespacial.
  3. Não se usa quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com consoante diferente de r e s. Ex.: anteprojeto.
  4. Não se usa quando há prefixo terminado em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r e s. Exemplos: antirrabic o, antirracismo (observação: duplicação de r quando o segundo elemento já tem r).
  5. Quando o prefixo termina em vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Ex.: anti-imperialista.
  6. Quando o prefixo terminar em consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. Ex.: hiper-requintado. Nos demais casos, não se usa hífen. Quando vem com prefixo sub usa-se sub-divisão. Prefixos como circum e pan também podem conservar o hífen conforme tradição.
  7. Prefixo terminado por consoante: não se usa se o segundo começar por vogal. Ex.: hiperacidez.
  8. Prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pro usam hífen sempre quando exigido pela estrutura e pelo uso consagrado.
  9. Sufixos com origem tupi-guarani usam hífen. Ex.: amoré-guaçu.
  10. Em locuções ou frases que se combinam formando um vocábulo, emprega-se o hífen conforme tradição. Ex.: ponte-rio Niterói (observação: manter forma consagrada).
  11. Não se usa em palavras que perdem a noção da composição. Ex.: girassol.
  12. Se no final da frase a partição das palavras coincidir com o prefixo e o segundo elemento, usa-se o hífen. Ex.: O diretor recebeu os ex-alunos.

Crase

Fusão de duas vogais idênticas numa só: Iremos a a universidade = Iremos à universidade.

  1. Quando o antecedente exige a preposição "a" e o consequente admite o artigo "a". Ex.: Fazia referência às secretarias presentes.
  2. Antes de nomes de localidades quando há modificador. Ex.: Vou à Santos de Martins Fontes. Observação: se não houver modificador, aplicar a regra número um. Ex.: Vou a Santos.
  3. Antes de numeral que indica horas, ou quando há palavra feminina subentendida ou não. Ex.: A reunião será às 8 horas. A correção irá da página 8 à 14.
  4. Antes de substantivo feminino ou masculino com omissão de palavra como "moda" ou "maneira". Ex.: Faz poemas à Manoel Bandeira.
  5. Nas locuções adverbiais femininas. Ex.: às claras, às cegas.
  6. Nas locuções conjuntivas. Ex.: à medida que, à proporção que.
  7. Locuções prepositivas formadas de substantivos femininos: à custa de, à espera de. Ex.: O trabalho foi feito à custa de muito sacrifício.
  8. Antes de pronomes demonstrativos: aquele(s) ou aquilo, quando redigido com preposição "a". Ex.: Somos favoráveis àqueles pedidos dos nossos funcionários.
  9. Quando o vocábulo "casa" vier especificado. Ex.: Voltamos à casa do Paulo rapidamente.
  10. Quando o vocábulo "distância" vier determinado. Ex.: Parou à distância de 5 metros.
  11. Não se craseia o "a" que antecede cujo, cujos, quem e quando. Ex.: Este é o diretor a quem dedico meu livro.
  12. A crase antes do "que" ocorre quando a palavra "aquela" está subentendida. Ex.: Refiro-me a esta pessoa, e não à que (aquela) você conversou.
  13. Haverá crase em "a qual", "as quais" quando forem substituíveis por "ao qual", "aos quais". Ex.: A carreira à qual aspiro é muito desejada por todos.
  14. Nunca use crase antes de verbo. Ex.: Estaremos aqui a partir das 18 horas.

Uso do "porque", "por que", "por quê", "porquê"

  • porque (junto, sem acento): conjunção causal explicativa. Ex.: Clara não foi viajar porque ficou doente.
  • por que (separado, sem acento): usado em frases interrogativas ou quando pode ser substituído por "pelo qual/pelos quais"; significa "por qual razão". Ex.: Por que você não falou comigo? Por que não abre o jogo? Essa é a cidade por que passei ("pela qual").
  • por quê (separado, com acento): usado no final de frases interrogativas. Ex.: Não quer a escola por quê?
  • porquê (junto, com acento): substantivo (motivo, razão), geralmente antecedido de determinante. Ex.: Não sabemos o porquê de ele ter desistido do curso.

Concordância nominal

Regra geral: o artigo, o numeral, o adjetivo e o pronome adjetivo concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem.

Exemplo: Funcionário correto / Funcionários corretos.

Sujeito anteposto e posposto

Sujeito anteposto: na concordância nominal, se houver adjetivo antes de dois ou mais substantivos (adjetivo anteposto), este classifica os substantivos e o adjetivo deve concordar apenas com o substantivo mais próximo. Exemplo: Usei meu novo celular sincero, amiga e amigo (em observação: o adjetivo concordará com o mais próximo).

Sujeito posposto: quando há adjetivos pospostos aos substantivos:

  • A) Usei uma calça e um sapato pretos. (Adjetivo concorda com os dois substantivos: plural / masculino.)
  • B) Comprei um sapato e um vestido preto. (Adjetivo posposto concorda com o mais próximo: singular / masculino.)

Concordâncias especiais: ocorrem quando algumas palavras variam sua classe gramatical, ora se comportando como adjetivo (variável) ora como advérbio (invariável). Exemplo: Já estamos com dois relatórios e uma prova. Ela está meia atrasada.

Concordância verbal

1. Sujeito simples

Regra geral: o verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Ex.: Nós vamos ao parque.

Casos especiais:

  1. A) Sujeito é um coletivo: o verbo fica no singular. Ex.: O bando não avisou a nós.
  2. B) Coletivos partitivos (metade, a maioria, a maior parte etc.): o verbo pode ficar no singular ou no plural. Ex.: A maioria das pessoas me respeita / A maioria das pessoas me respeitam.
  3. C) Sujeitos com pronome de tratamento: o verbo fica na 3.ª pessoa do singular, concordando com o antecedente do pronome. Ex.: Vossa Senhoria comportou-se muito bem.
  4. D) Sujeito é o pronome relativo que: o verbo concorda com o antecedente do pronome. Ex.: Fui eu que tive o erro / Fomos nós que tivemos o erro.
  5. E) Sujeito é o pronome relativo quem: o verbo pode ficar na 3.ª pessoa ou concordar com o antecedente do pronome. Ex.: Fui eu quem enviei o documento / Fui eu quem enviou o documento.
  6. F) Sujeito formado por expressões do tipo "alguns de nós", "poucos de nós": o verbo pode concordar com o núcleo do sujeito (plural) ou com a expressão (singular). Ex.: Alguns de nós falaram sobre o problema / Alguns de nós falamos sobre o problema.
  7. G) Sujeito formado por nomes que só aparecem no plural (topônimos): se o sujeito não vier precedido de artigo, o verbo ficará no singular; se vier com artigo, o verbo concordará com o artigo. Ex.: Estados Unidos dificultará o acordo / Os Estados Unidos dificultam o acordo.
  8. H) Sujeito formado por expressões como "mais de um", "menos de dois", "cerca de": o verbo concorda com o numeral. Ex.: Mais de uma menina apresentou-se ao curso. Mais de cinco meninas apresentaram-se ao curso.
  9. I) Quando o núcleo do sujeito for a palavra "gente" (sentido coletivo), o verbo poderá ser usado no singular ou no plural. Ex.: Gente pode melhorar o resultado / Ficaremos ansiosos.

Sujeitos compostos

Regra geral: o verbo vai para o plural. Ex.: João e Maria são uma bosta (observação textual).

  1. A) Se os núcleos do sujeito são pessoas de pessoas diferentes (1.ª, 2.ª e 3.ª), o verbo fica no plural seguindo a ordem: primeira, segunda e terceira pessoa. Ex.: Eu e ela faremos o que for preciso.
  2. B) Se o sujeito estiver posposto, permite-se também a concordância por atração pelo núcleo mais próximo do verbo. Ex.: Irei eu e minhas amigas.
  3. C) Quando os sujeitos forem resumidos por "nada", "tudo", "ninguém", o verbo concorda com o aposto resumidor. Ex.: Não estou triste por nada.
  4. D) Quando os núcleos do sujeito estiverem ligados por "nem... nem...": nem um nem outro podem ficar no plural ou no singular. Quando ligados por "ou": o verbo fica no singular se a ideia for de exclusão e no plural se for de inclusão. Ex.: As caixas ou as gavetas são necessárias para organizar o apartamento. As dançarinas ou os mágicos vão ser retirados.

Outros casos

  1. A) Partícula "se": partícula apassivadora — o verbo (transitivo direto) concorda com o sujeito paciente. Ex.: Aluga-se apartamento, alugam-se apartamentos.
  2. B) Verbos impessoais: sem sujeito, sempre na 3.ª pessoa do singular. (Ex.: haver, fazer). Ex.: Deve haver muitos alunos competentes.
  3. C) Verbos "dar", "bater" e "soar" quando usados na indicação de horas têm sujeito (relógio, horas, badaladas) e o verbo concorda com ele. Ex.: Deram 2 horas no relógio da empresa.

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