H2: Descartes: Racionalismo, Dúvida Metódica e Cogito

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Descartes: Racionalismo, Dúvida Metódica e Cogito

Racionalismo vs. Empirismo: Fontes do Conhecimento

Racionalismo

  • Valoriza-se o papel da razão no conhecimento.
  • Só a razão pode fundamentar o conhecimento certo, seguro, necessário e universal.
  • Podemos ter conhecimento de aspetos essenciais da realidade apenas pela razão/pensamento puro.

Empirismo

  • Valoriza-se o papel dos sentidos/experiência no conhecimento.
  • Só a experiência pode garantir que o nosso conhecimento corresponde à realidade.
  • Só através da experiência podemos ter conhecimento substancial sobre a realidade.

A Dúvida Cartesiana: Níveis de Suspeita

A dúvida incide sobre:

  • Informação dos Sentidos: Argumento: Por vezes, os sentidos enganam-nos.
  • Informação do Mundo Exterior (e Corpo): Argumento: Podemos estar a sonhar (indiscernibilidade entre sonho e vigília).
  • Raciocínio: Argumento: Pode haver um Deus enganador ou um Génio Maligno que troca as nossas ideias (hipótese do Maligno).

Justificação da Dúvida Cartesiana

  • Os sentidos muitas vezes nos enganam.
  • Não dispomos de um critério que nos permita discernir o sonho da vigília. Podemos estar a sonhar e não o sabemos, o que torna ilusório tudo o que julgamos saber.
  • Alguns seres humanos se enganaram nas demonstrações matemáticas.
  • É possível que exista um Deus enganador ou um Génio Maligno que troca as nossas ideias.
  • Os preconceitos e os juízos precipitados que formulámos na infância.

Características da Dúvida Metódica

  • Metódica e Provisória: É um meio para atingir a certeza e a verdade, não um fim em si mesma. Esta última atitude seria típica dos filósofos céticos.
  • Hiperbólica: Rejeita como falso tudo aquilo em que se note a mínima suspeita de incerteza.
  • Universal e Radical: Incide não só sobre o conhecimento em geral, mas também sobre os seus fundamentos e raízes.

Objetivos da Dúvida Cartesiana

  • Combater o ceticismo moderno.
  • Recuperar a confiança na razão para conhecer o mundo.
  • Reorganizar o saber sobre fundamentos sólidos.

O Cogito e a Existência de Deus

O Cogito: A Primeira Certeza

O Cogito ("Penso, logo existo") trata-se da primeira verdade a resistir à dúvida metódica, em virtude da sua evidência. Obtida por intuição, a priori, serve de paradigma para as várias afirmações verdadeiras.

Provas da Existência de Deus

  • Argumento Ontológico: Se Deus é perfeito, tem de possuir todas as perfeições, incluindo a perfeição da existência.
  • Argumento da Marca (ou Causalidade): Deus tem de existir como causa da ideia de Deus no Cogito (só um ser perfeito pode ser causador da ideia de perfeição).

Implicações da Existência de um Deus Perfeito

  • Permite confiar na evidência como critério de verdade.
  • Permite confiar na razão.
  • Permite provar a existência do mundo (superando a crítica ao círculo cartesiano).

Críticas às Provas da Existência de Deus

  • Prova a existência de Deus apenas a partir da evidência e da razão.
  • Confia nas evidências e na razão para provar que Deus existe (é um argumento circular).

Tipos de Ideias e Substâncias (Descartes)

Tipos de Ideias

  • Ideias Inatas: Ideias claras e distintas, constitutivas da própria razão, que nasceram connosco, tendo sido colocadas em nós por Deus. São as únicas em que podemos confiar fielmente.
  • Ideias Factícias: Ideias fabricadas pela imaginação, que vêm da razão.
  • Ideias Adventícias: Ideias com origem na experiência sensível, que vêm da experiência dos sentidos.

Tipos de Substâncias

  • Substância Divina (Res Infinita): Substância que possui vários atributos essenciais, marcados pela perfeição infinita. Deus.
  • Substância Pensante (Res Cogitans): Substância cujo atributo essencial é o pensamento, identificando-se com a alma (o Cogito).
  • Substância Extensa (Res Extensa): Substância cujo atributo essencial é a extensão (em comprimento, largura e altura), identificando-se com a matéria.

O Racionalismo em Descartes: Princípios Fundamentais

  • A Razão é a principal fonte e o fundamento do conhecimento necessário e universal.
  • Defende a existência de ideias inatas como "sementes", fonte da verdade.
  • Propõe um método baseado na matemática (que é o modelo do conhecimento para os racionalistas).
  • A evidência racional é o critério de verdade.
  • Principais operações do espírito: intuição (racional) e dedução.
  • Essência do ser humano: o pensamento (Cogito).
  • A Razão é a fonte da dúvida (que é usada para alcançar a certeza).
  • O Cogito é a primeira certeza/evidência.
  • É possível um conhecimento a priori sobre a realidade.
  • O conhecimento do mundo físico é feito essencialmente através de características matemáticas/racionais, acessíveis à razão.

Definições do Método Cartesiano

Método
Conjunto de procedimentos, orientados por um conjunto de regras, que estabelecem a ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado resultado.
Intuição
Ato de apreensão direta e imediata de noções simples, evidentes e indubitáveis.
Dedução
Encadeamento de intuições, envolvendo um movimento do pensamento, desde os princípios evidentes até às consequências necessárias.

Conceitos Empiristas de Hume (Perceções)

Impressões
Perceções que apresentam maior grau de força e vivacidade. Incluem as sensações, emoções e as paixões. Podem ser simples ou complexas.
Ideias
Representações ou cópias das impressões, das quais derivam, podendo ser simples ou complexas.

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