h2: Escolas de Terapia Familiar Sistémica: 1ª e 2ª Ordem

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Escolas de Terapia Familiar Sistémica: 1ª e 2ª Ordem

A Terapia Familiar Sistémica é dividida historicamente em duas grandes ordens:

Escolas Clássicas (1ª Ordem)

  • Palo Alto (Comunicacional)
  • Estrutural (Salvador Minuchin)
  • Milão (Mara Selvini Palazzoli)
  • Transgeracionais (Bowen)
  • Centradas em Soluções (deShazer)

Escolas Pós-Modernas (2ª Ordem)

  • Narrativa (Michael White)
  • Generativas (Gollishian e Anderson)

A. Escola de Palo Alto (Comunicacional)

Esta foi a primeira escola a introduzir a questão de que a comunicação é sempre enviesada. Conceitos chave incluem a teoria do Double-Blind (Duplo Vínculo) e o conceito de Contraparadoxo na terapia.

B. Escola Estrutural (Salvador Minuchin)

A patologia é vista como a desestruturação da família. A estrutura familiar é o que interessa em termos de formação de sintoma. As leis implícitas na família implicam obediência.

C. Escola de Milão (Mara Selvini Palazzoli)

O problema é o jogo familiar. Embora a organização familiar sirva para resolver o problema, esta não é necessariamente a etiologia. Conceitos centrais:

  • Conotação Positiva do Sintoma: O sintoma é visto como uma prova de coesão familiar.
  • Hipotetização: Formulação de hipóteses (ex: “Parece-nos que isto acontece pela existência de um mito familiar”).
  • Circularidade: Perguntas que exploram as relações e reações mútuas (ex: “Quando a tua mãe chegar, o que o pai faz?”).
  • Neutralidade: O terapeuta garante que a família saia da consulta com a perceção de que nenhum elemento foi melhor percebido ou favorecido que os outros.

D. Escola Transgeracional (Murray Bowen)

A geração é o problema. A patologia transgeracional, em casos extremos, internava e medicava toda a família. Conceitos chave:

  • Projeção Familiar dos níveis de diferenciação.
  • Conceito de Massa do Eu Indiferenciado: Quanto mais indiferenciado, maior a patologia.
  • O Triângulo (a unidade relacional mínima).

E. Terapia Centrada em Soluções (Steve deShazer)

A solução faz parte do problema: a classe dos problemas não é a classe das soluções. O foco está em transformar um cliente designado num cliente interessado. Utilizam-se técnicas para evidenciar expressões e projeções no futuro.

Houve uma evolução da libertação de recursos para a mudança da linguagem:

  • Abandonar a conversa (problema) e adotar a conversa (solução).
  • As palavras são mágicas: “Como é que as pessoas se descrevem a si próprias e aos seus problemas?”
  • A linguagem forma o mundo humano e o mundo humano forma o mundo inteiro: nada existe fora da linguagem (igual poder da sugestão).

F. Terapia Narrativa (Michael White)

A patologia é vista como uma construção social saturada. Mais importantes que as histórias dominantes são as alternativas. A descrição do problema como uma história saturada é o problema em si. O problema também engendra sistemas.

Conceito chave: “Ausente, mas Implícito”.

A conversação terapêutica, através da abordagem narrativa, procura reconstruir significados e a identidade das pessoas, pelo desenvolvimento de histórias alternativas preferidas das suas vidas.

G. Terapia Generativa (Gollishian e Anderson)

O problema reside na linguagem. O objetivo é a geração de um tema comum por meio da Acoplagem (união, ligação).

A perícia do terapeuta consiste em facilitar e criar um certo tipo de conversação ou sistema relacional. Caracteriza-se na sala de terapia por uma atitude, postura e tonalidade de voz designada “Not Knowing” (Mente de Principiante).

Insight: Profundidade da compreensão com que se consegue colocar experiências (a minha e a tua, familiar ou exótica, nova e velha) lado a lado, deixando-as falar umas com as outras.

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