H2: Fascismo: Autoritarismo, Totalitarismo e Ideologia
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Fascismo: Autoritarismo, Totalitarismo e Ideologia
Por que o fascismo é considerado autoritário tendo características totalitárias?
O fascismo surgiu nos anos que se seguiram à Primeira Guerra Mundial como reação nacionalista e autoritária contra o enfraquecimento do Estado no século XIX/XX, sob as influências das tendências liberais e socialistas. Tinha por objetivo substituir o Estado demo-liberal decadente, que se tornava socializante, por um novo tipo de Estado forte que dominaria o futuro. É, portanto, uma reação contra o liberalismo e de prevenção face ao socialismo e ao comunismo. O fascismo preconiza a edificação de um Estado que representa a ordem política de uma sociedade nacional, não se reduzindo a indivíduos. Apela ao sentimento nacionalista para consolidar as bases de um Estado forte, autoritário e mesmo totalitário. Assim, a nação só se pode realizar através do Estado.
Segundo a Carta del Lavoro italiana (1927), o Estado fascista é composto por uma unidade ética, política e económica:
- Unidade ética imaterial: o Estado constitui a medida de todos os valores humanos (trabalho, repouso, arte, tradição, etc.).
- Unidade política: o Estado-nação satisfaz a realização de uma vida comum gerada pelo sentimento nacional; a nação é uma formação voluntária e autoritária, e realiza-se graças ao Estado que a concretiza e integra.
- Unidade económica: o Estado-nacionalista implica uma organização autárquica da economia graças à ação do governo; a riqueza existe somente nacional e coletivamente.
A definição de Estado-nação implica o desaparecimento da vida autónoma fora do Estado. Mussolini utilizou a seguinte expressão para caracterizar o Estado Fascista: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”.
Esta expressão identifica o Estado com o totalitarismo, daí que o Estado fascista seja, pois, um Estado Totalitário, uma vez que o Estado é total e absorve a sociedade, transcendendo a vida pública e abarcando a vida familiar e religiosa, a económica (como já referido), e até a vida intelectual. Não existe a palavra “privado” para o Estado Fascista.
Componentes da Ideologia Fascista
A ideologia fascista agrega os seguintes componentes:
- Antirracionalismo: falta de confiança na razão.
- Desigualdade: nega a igualdade humana fundamental, aceitando-a como um ideal.
- Violência: o código de comportamento fascista dá ênfase à violência em todas as relações humanas, dentro e fora das nações; a política é baseada na relação amigo-inimigo.
- Governo de elite: só um pequeno grupo de indivíduos tem a capacidade necessária para governar.
- Racismo e Imperialismo: há raças superiores a outras.
- Oposição a leis internacionais.
- Totalitarismo: em todas as formas de relação humana, é uma característica do fascismo, mais do que um sistema governativo, uma forma de vida; é totalitário quanto aos seus objetivos e aos meios de que se serve para os alcançar, empregando a violência e controlando todos os aspetos da vida humana, recorrendo à discriminação sexual e cultural, chegando mesmo a ameaças e assassinatos. É antifeminista, as mulheres têm o seu lugar na cozinha e a cuidar dos filhos.
O fascismo foi a criação de um novo Estado autoritário nacionalista não baseado em princípios ou modelos tradicionais, e tem uma tendência específica em direção a um estilo autoritário, de grande violência repressiva, com objetivos nacionalistas e autoritários para a criação de uma estrutura económica regulada para transformar as relações sociais dentro de uma cultura moderna, autodeterminada.