H2: Mercado de Trabalho Brasileiro: Herança, Formação e Organização
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Mercado de Trabalho Brasileiro: Herança, Formação e Organização
1. Influência do Escravismo e Estrutura Fundiária no Mercado de Trabalho
A herança do escravismo colonial e a estrutura fundiária baseada na grande propriedade privada influenciaram a formação do mercado de trabalho brasileiro. O escravismo estabeleceu uma doutrina que condicionava o aprendizado ao trabalho forçado. Já a estrutura fundiária serviu ao objetivo de manutenção da grande propriedade.
2. Elementos Formadores do Mercado de Trabalho Brasileiro
O mercado de trabalho brasileiro se formou com base em três elementos importantes:
- Processo de transição do trabalho escravo para o trabalho livre: Período pós-abolição, onde se iniciou a formação do mercado de trabalho formal.
- Vinda dos imigrantes: Principal fonte de força de trabalho e mão de obra para os cafeicultores, expandindo-se para o oeste de São Paulo.
- Elemento nacional livre: Ex-escravos, negros, libertos ou aqueles que conseguiram fugir, desempenharam um papel significativo na força de trabalho.
3. Importância da Disciplina no Sentido do Trabalho
A importância de agregar a disciplina ao sentido do trabalho reside na necessidade de respeitar as leis trabalhistas. No período escravista, a disciplina era imposta pela coerção, forçando o indivíduo a se transformar em um proletário ofertante de força de trabalho para o capital. Atualmente, a disciplina deve ser seguida pelas normas internas e externas ao ambiente de trabalho. Ambas as perspectivas são cruciais na formação do mercado de trabalho brasileiro, pois sem disciplina, as leis para ambas as partes não existiriam.
4. Preferência pelo Estrangeiro na Formação do Mercado de Trabalho
Havia uma preferência franca pelo imigrante na formação do mercado de trabalho brasileiro. Embora as leis trabalhistas fossem iguais para brasileiros e estrangeiros, a preferência pelo imigrante se dava pelo fato de ele frequentemente firmar contratos para garantir estabilidade no país. Esses contratos ofereciam certas garantias ao empregador, mas o sistema apresentava falhas.
Hoje, com leis trabalhistas mais rígidas, essa preferência não é tão forte. O papel do estrangeiro em empresas é valioso para o relacionamento internacional e negociações, mas na prática, valoriza-se o profissional com maior conhecimento, independentemente de ser estrangeiro ou brasileiro.
5. Dinamismo Urbano e Mercado de Trabalho Pós-Guerra
O dinamismo do mercado de trabalho urbano, impulsionado pela urbanização e pelo êxodo rural (campo-cidade) no pós-guerra, gerou grande disponibilidade de trabalhadores. Isso resultou em salários baixos, mesmo com a modernização da indústria, devido à grande oferta de mão de obra, inclusive desqualificada.
6. Modos de Organização do Trabalho: Taylorismo, Fordismo e Toyotismo
Taylorismo
Busca o aumento da produção através da organização estrutural das indústrias, dividindo o processo produtivo em várias etapas. Isso estabeleceu um sistema rigoroso de andamento. Taylor alcançou a racionalização do produto e a redução de custos sem desperdício de tempo. O trabalhador deveria conhecer o processo e ser supervisionado por um planejador.
Fordismo
Ford introduziu a linha de montagem, alterando o nível de trabalho e implementando novos salários. O objetivo era reduzir ao máximo o tempo perdido. A máquina trabalhava lado a lado com o operário, simplificando seu serviço. A produção era expandida em quantidade, permitindo o barateamento do produto. O modelo fordista é uma versão aprimorada do taylorismo.
Toyotismo
Tinha como objetivo a flexibilidade da produção, focando em produzir apenas o necessário, evitando estoques. Sua racionalidade se baseava em “fabricar a bom preço pequenas séries de numerosos modelos diferentes...”. O modelo buscava produtos de qualidade máxima, produzidos em pequenos lotes. Exigia trabalhadores multifuncionais, com tempo de trabalho compartilhado e um sistema de contrapartidas da empresa, o que reduzia a rotatividade e aumentava o alinhamento dos trabalhadores com os objetivos da empresa.
7. Comparação Crítica: Neo-Fordismo, Pós-Fordismo e Toyotismo
Neo-Fordismo: Adaptação às novas condições de luta de classes na produção, visando manter elevada a taxa de rentabilidade do capital.
Pós-Fordismo: Conceito que define um modelo de gestão produtiva focado na flexibilidade da organização do trabalho e da produção, em contraste com a produção em massa.
Toyotismo: Surgiu de inovações conjuntas, caracterizado pela participação constante dos trabalhadores.
Comparação Crítica: Enquanto o Taylorismo e o Fordismo focavam na padronização, produção em massa e rigidez (com o Fordismo aprimorando a linha de montagem), o Toyotismo, Neo-Fordismo e Pós-Fordismo introduziram a flexibilidade como elemento central, adaptando-se às demandas de mercado por variedade e à necessidade de maior engajamento (multifuncionalidade) do trabalhador.
8. Características da Terceirização
Terceirização é a contratação de serviços por meio de uma empresa intermediária entre o tomador de serviços e a mão de obra. As características principais incluem:
- Trabalho mais flexível, gerando maior rendimento para o empresário focar em seus investimentos e no núcleo de sua atividade.
- Aumento da produção.
- Redução de custos na produção.
- Melhores condições de trabalho (aspecto frequentemente debatido).
Contudo, a terceirização apresenta desvantagens, como menor remuneração, redução de direitos sociais e diminuição de benefícios.
9. Análise da Exploração da Mais-Valia (Taylor e Ford)
A frase se refere ao fato de que Taylor e Ford, ao introduzirem o trabalho parcelado e ritmado pela máquina, uniformizaram a taxa de exploração entre todos os trabalhadores. Eles implantaram um sistema onde tudo é planejado e organizado para maximizar o rendimento em menor tempo. Ao substituir o contato homem-homem pela relação homem-máquina, a produção aumentou gradativamente, modificando o valor produtivo do trabalho e, consequentemente, o salário pago ao trabalhador, renovando o mecanismo de produção da mais-valia.