H2: Usuários da Informação Contábil: Evolução e Tipos

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Usuários da Informação Contábil: Evolução e Tipos

Trecho extraído do artigo "Principal Objetivo da Contabilidade: Informações Contábeis". Autora: Contadora Teresinha Maria Cavalcanti Cochrane.

Nos primórdios, o usuário das informações contábeis era basicamente o proprietário do patrimônio que elas procuravam mensurar.

A Contabilidade nasceu como um sistema de informações cujo único objetivo era propiciar ao usuário informações úteis à gestão do patrimônio, e o maior objetivo do proprietário era o controle e apuração do lucro.

Posteriormente, surgiram os usuários externos à entidade: os fornecedores de crédito, que na forma de banqueiros ou fornecedores de bens e serviços, que buscavam encontrar na Contabilidade uma forma de garantia através do controle e da evolução daquele patrimônio que financiavam, constatando que o reconhecimento do lucro não se dava de forma aleatória.

Surgiu, a seguir, o Estado, que encontrou na Contabilidade a fonte de informação que possibilitava o lançamento de seus tributos, passando a considerar-se em muitos países como o maior importante usuário, inclusive ditando regras.

Com o surgimento das sociedades por ações, outros usuários destacaram-se - os investidores - interessados em acompanhar a evolução do patrimônio da empresa onde investiram recursos. O investidor é considerado, em alguns países, como o mais importante usuário externo.

O despertar da sociedade para os grandes problemas sociais, inclusive ecológicos e ambientais, vem tendo um alcance bem mais aprofundado do que parece o objetivo aparente.

As transformações políticas, econômicas e sociais têm levado os usuários das informações contábeis a exigir cada vez mais informações que contemplem aquele compromisso social da empresa com a sociedade.

Esta preocupação com novas informações de cunho social está presente nas conclusões do estudo sobre o Relatório da Administração, elaborado pela Comissão de Corporações Transnacionais das Nações Unidas - ONU, por intermédio do Grupo Intergovernamental de Especialistas em Padrões Internacionais de Contabilidade. Surgiu, na década de 90, um novo tipo de usuário.

Os usuários, portanto, necessitam das mais diversas informações, observando-se que a maioria necessita de informações sobre a geração de fluxo de caixa futuro. Inclusive, em alguns países, essa demonstração contábil é de publicação obrigatória, além das demais demonstrações contábeis tradicionais. Outros usuários estão mais interessados em informações preditivas do que em dados do passado. Os demonstrativos contábeis só são importantes à medida em que possam ser utilizados como instrumento de predição sobre eventos ou tendências futuras, ou seja, ocorrendo um mesmo evento no futuro, há alguma segurança de que os parâmetros financeiros do passado irão repetir-se.

Cada grupo de usuários, portanto, tem objetivos muito diferentes, havendo divergências entre administradores e auditores; entre administradores de pequenas empresas e de grandes empresas; entidades sem fins lucrativos e empresas.

De acordo com Iudícibus et alii (1995:43-44), os usuários da Contabilidade estão divididos em cinco grupos:

  • Sócios, acionistas e proprietários de quotas societárias de maneira geral;
  • Administradores, diretores e executivos dos mais variados escalões;
  • Bancos, capitalistas e emprestadores de dinheiro;
  • Governo e economistas governamentais;
  • Pessoas físicas de uma maneira geral.

São, portanto, usuários da informação contábil: a própria administração, os clientes, os credores, os pequenos investidores, enfim, o público em geral.

A existência de usuários de interesses tão diferentes - e muitas vezes até contraditórios - implica que a informação contábil será tão mais válida quanto mais livre ela for de tendências para a apuração de resultados predeterminados.

Pode-se definir informação como comunicação ou opinião sobre o procedimento de alguém. Na contabilidade, tem-se na informação o produto final.

De acordo com Hendriksen & Breda, existe distinção entre informação e dados em contabilidade, pois dados devem ser definidos como mensurações ou descrições de objetos ou eventos, enquanto que a Informação pode ser definida como dados que têm um efeito surpresa no recebedor. Caso alguém obtenha informações de uma determinada empresa sem o uso da Contabilidade, para aquele usuário a Contabilidade não produziu informação e sim dados.

Em síntese, a Informação deve representar surpresa para quem a recebe, reduzir a incerteza, transmitir uma mensagem com valor superior ao seu custo e evocar reação por parte do responsável pela decisão.

Para produzir informações, a Contabilidade deverá saber a quem se destina e qual o propósito, por que a premissa básica é que o usuário alvo das informações possua o nível de conhecimento necessário para interpretá-las, bem como ser relevante.

O propósito principal para o qual a informação é dirigida é facilitar avaliações sobre decisões de investimentos e julgamentos sobre a qualidade do esforço do desempenho da administração.

Observar-se-á que sejam prestadas informações de qualidade e em quantidade suficiente visando atender ao usuário. Deve, portanto, ser identificado um grupo específico de usuários, isolados os propósitos, determinados os tipos de informações que necessitam, levando-se em consideração a forma de apresentação, evitando-se, assim, informações excessivas ou estranhas, enfim, desnecessárias.

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