h3: Escravidão no Brasil Colônia: Vida, Origens e Resistência

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AFRICANOS NA COLÔNIA

O sistema escravista foi o motor da economia colonial brasileira, onde os africanos escravizados eram a força de trabalho essencial. Os escravos eram as mãos e os pés do senhor de engenho. Para o escravo, eram necessários os “três P”, a saber:

  • Pau (castigos físicos);
  • Pão (comida escassa);
  • Pano (alguma roupa).

Ou seja, para continuar trabalhando, bastavam ao cativo alguma roupa, comida escassa e castigos físicos. A pessoa de cor negra tornou-se sinônimo de escravo e passou a ser encarada como mercadoria. Como propriedade do senhor, ele podia ser vendido, alugado, hipotecado ou emprestado. Seus filhos já nasciam escravos e eram obrigados a trabalhar desde tenra idade.

BANTOS E SUDANESES: As Origens

Os africanos trazidos para o Brasil provinham de diversas regiões e etnias:

  • Sudaneses: Eram originários de regiões da África Ocidental, ao sul do deserto do Saara, e dividiam-se em diversas etnias: Hauçás, Mandingas e Iorubás. Muitos eram muçulmanos alfabetizados, vindos do Golfo de Benin.
  • Bantos: Provinham de áreas mais ao sul e também se subdividiam em vários grupos étnicos: Cabindas, Benguelas, Congos e Angolas.

Uma vez em território brasileiro, os colonizadores passavam a dividi-los em três categorias:

  1. Boçais: Reuniam os recém-chegados – fossem eles bantos ou sudaneses – que nada sabiam da cultura dos portugueses.
  2. Ladinos: Africanos aculturados, que já entendiam a língua do colonizador.
  3. Crioulos: Descendentes de africanos nascidos na colônia.

UMA VIDA PRECÁRIA

Os escravos cumpriam jornadas de trabalho de até dezoito horas diárias. Não eram raros os casos de acidentes de trabalho, muitas vezes fatais. Sua expectativa de vida nessas condições era, em média, de dez anos.

A VIOLÊNCIA NA VIDA COTIDIANA

Não bastassem a péssima qualidade da comida e o trabalho em excesso, os escravos conviviam com a violência. Aqueles que não executassem suas tarefas de modo correto, dessem sinais de cansaço, cometessem furtos, tentassem fugir ou se rebelar, ou que estivessem envolvidos em qualquer situação considerada irregular, recebiam severos castigos físicos.

Os infratores podiam ser amarrados em troncos de árvore ou surrados com chicote de madeira ou de couro. Para que não fugissem, eram presos uns aos outros por meio de correntes ou tinham bolas de ferro atadas às pernas. As mulheres eram ainda vítimas de constantes abusos sexuais.

RESISTIR É PRECISO: Formas de Luta

Os escravos reagiam ao cativeiro escapando da vigilância do feitor, reduzindo seu ritmo de trabalho ou paralisando a produção. Outros sabotavam as máquinas, destruíam ferramentas ou incendiavam plantações. Muitas mulheres grávidas, não querendo que seus filhos vivessem na escravidão, praticavam aborto. Também havia casos de suicídio e tentativas de assassinato de senhores e feitores.

A forma mais comum de resistência à escravidão eram as fugas. Com o tempo, elas se tornaram tão frequentes que fizeram surgir a figura do capitão do mato, profissional treinado para capturar e devolver ao proprietário o escravo fugitivo. Muitos capitães do mato eram mulatos ou negros libertos. Eles chegavam a oferecer seus serviços em anúncios de jornal.

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