H4: Tecnologia, Economia e Desafios da Mudança Social

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Impacto da Tecnologia nas Políticas Económicas

Com a escala mundial, as políticas económicas encontram-se tendencialmente dependentes da evolução tecnológica. Esta, por sua vez, é influenciada por agentes exteriores, cada vez mais determinantes nos modelos de produção e consumo, nas modificações culturais, nas orientações políticas e nos comportamentos sociais.

Transformações Estruturais e Desafios Culturais

Outrora existia uma indiscutível divisão entre os setores secundário e terciário, que foi cedendo lugar à mistura dos serviços na indústria, em áreas como gestão, formação, marketing, assessoria técnica e informática. Este novo cenário, unido pela multiplicidade das combinações tecnológicas, enfrenta uma forte adversidade: a inexistência de uma preocupação suficiente em acompanhar culturalmente a evolução tecnológica.

Centralização vs. Descentralização do Poder

O poder das hierarquias piramidais ainda emprega uma centralização quando o contexto exige uma reformulação das mentalidades, para que se possa, de facto, proceder a uma descentralização real do poder decisório. Assim, a descentralização efetiva do poder decisório e a participação, sejam elas ao nível ocupacional ou no âmbito da cidadania, mantêm na generalidade dos casos um estatuto de ideal, porém distante da sua concretização.

Adepto fervoroso das “mentalidades pós-materialistas”, interessadas já não no bem material, mas sim com preocupações ambientalistas, Stoffaes não esconde, todavia, o seu receio de que a “nova sociedade” esteja consumida à partida pelo individualismo, fruto de uma desilusão coletiva e progressiva provocada, entre outros, pelo falhanço das ideologias e pelos limites visíveis do estado-providência da década de 70.

A Crise da Grande Empresa e a Inovação

Segundo Butera, a crise da grande empresa caracterizava-se pela entropia – devido a custos de gestão da máquina-organização extremamente elevados nas grandes empresas, centradas principalmente no seu funcionamento interno – e pelo conservadorismo – em detrimento de uma filosofia de adaptação e de inovação.

Nos anos 90, o potencial produtivo conferido pelas novas tecnologias – robotização e informatização em particular – poderia funcionar como elemento auxiliar principal na edificação de novas orientações no capítulo das qualificações profissionais, que poderiam seguramente adquirir um papel de preponderância e saciar as necessidades produtivas e humanas. Deste modo, retificam-se aspectos inerentes à capacidade produtiva no curto prazo, sem que se repense o funcionamento organizacional na sua globalidade. Neste contexto, emprego precário e desemprego adquirem estatuto cativo na nova sociedade.

O Desinvestimento no Potencial Humano

Crozier constata que “o investimento continua a ser compreendido como um investimento material, e mesmo a educação é concebida como um investimento antes de mais quantitativo” (Crozier, 1991:28).

Assim, as estruturas de poder persistem em ignorar o homem e o seu potencial qualitativo como um recurso escasso e cada vez mais essencial na transformação e na manipulação de todos os outros recursos. O conceito-chave da aprendizagem e do investimento imaterial nas pessoas, cultura, relações, aspirações individuais e coletivas continua num segundo plano de prioridades. Como lembra Castells (1985:119), “a crescente internacionalização da economia é um elemento fundamental da reestruturação económica em curso no sistema capitalista.”

Interdependência e Competição Global

Desde o pós-guerra (da Segunda Guerra Mundial) e mais recentemente desde a crise de 1974, os governos e empresas contribuem para um aumento de interdependência entre economias nacionais, uma vez que todos seguem a filosofia segundo a qual, para fazer face à recessão, seja esta manifestada ou eventual, há que conquistar uma posição de destaque relativamente aos outros estados ou empresas, observando o estado enquanto unidade económica.

A evolução organizacional é um espelho da evolução da economia, isto é, o prevalecer da concorrência em detrimento da cooperação, da concentração do poder de escolha e decisão, em vez da implicação e participação mais abrangente dos Recursos Humanos (RH).

Quando nos referimos ao que se designa por dependência internacional, Castells é decisivo ao afirmar: “Sem acesso ao know-how, qualquer que seja a rapidez na difusão das inovações, os países ou unidades económicas estarão sempre à mercê da lógica estruturalmente prevalecente dos pólos dominantes do sistema, enquanto continuarem a reger-se pelas normas correntes da economia internacional”.

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