Hegemonia da União Liberal e Crise do Reinado de Isabel II

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Hegemonia da União Liberal (1856-1863)

A última fase do reinado de Isabel II foi marcada pelo retorno do moderantismo ao poder, pelas mãos de seu setor mais central, representado pela União Liberal. Foi um período de relativa estabilidade até 1863.

O novo governo liderado por O'Donnell levou ao desmantelamento de todos os esforços políticos e legislativos do biênio progressista, dissolveu a Milícia Nacional, fechou os tribunais antes de aprovar a nova Constituição de 1845, restaurada com uma ligeira modificação. Mas manteve leis progressistas, como a de imprensa, ou o confisco de conselhos municipais, o que levou à sua demissão pela Rainha para nomear um governo moderado, novamente presidido por Narváez.
As medidas deste novo governo conservador tiveram como objetivo um retorno ao conservadorismo mais autoritário. Narváez revogou a emenda à Constituição de 1845, suspendeu o confisco, restaurou a legislação moderada sobre a liberdade de imprensa e do governo local.
Dos trabalhos legislativos deste período, destaca-se a Lei de Instrução Pública, elaborada pelo ministro Claudio Moyano, que regulamentou o sistema de ensino em três fases, conhecidas até hoje.
Também correspondem a este estágio a realização de grandes obras públicas e o desenvolvimento das comunicações (ferrovias).
Uma crise de subsistência intensificou os conflitos sociais. A resposta do governo foi a repressão.
Narváez apresentou a sua demissão à rainha, que chamou de volta O'Donnell para formar um governo.

O longo governo presidido por O'Donnell foi um período de estabilidade. Sua ação de governo retomou, em parte, o trabalho do biênio progressista. A legislação de Desvinculação foi restaurada, mas não se tocou na Constituição de 1845 e foram recuperados minutos adicionais.
A política externa teve vários episódios, guiada mais pelo desejo de prestígio do que lucro. O mais importante foi a guerra em África. Outras intervenções tiveram lugar no México, Cochinchina, Peru e o retorno de Santo Domingo.
Leis importantes foram aprovadas na formação do novo sistema administrativo. A despesa do Estado aumentou.


Crise Moderada (1863-1868)

A crise do longo governo aconteceu em março de 1863 e foi resolvida com a nomeação de um moderado. Seguiram-se governos instáveis e ineficientes. Isabel II voltou-se para Narváez.
A grave crise econômica, desencadeada em 1866, serviu apenas para acelerar a decomposição do regime elisabetano.
Problemas:

  • A rainha se tornou cada vez mais desacreditada, principalmente pela sua conduta privada e amorosa. Isso aumentou com o incidente envolvendo a Universidade de Madrid, onde um protesto estudantil foi reprimido com o resultado de várias mortes, conhecido como a Noite de São Daniel, forçando a rainha a demitir Narváez e chamar novamente O'Donnell.
  • Em 1866, houve um novo motim no quartel militar de San Gil, em Madrid. A tentativa foi duramente reprimida.

O Pacto de Ostende foi assinado na Bélgica entre o Partido Progressista e o Partido Democrático para depor Isabel II. Poucos meses depois, a União Liberal aderiu ao pacto.
O'Donnell tinha ido embora. Com ele, poderia se dar por terminado o reinado de Isabel II.

A crise econômica de 1866 afetou todos os setores de produção e finanças: a indústria têxtil, a siderurgia, a baixa rentabilidade das ferrovias, a crise bancária e as ações em torno da construção ferroviária.
Juntou-se a crise de subsistência, que atingiu os mais necessitados e causou distúrbios populares contra os altos preços do trigo e outros cereais. Prim decidiu entrar na conspiração com outros militares progressistas (Serrano, Sweet).
Em setembro de 1868, ele preparou a declaração. O almirante Juan Bautista Topete revoltou-se em Cádiz com o esquadrão sob seu comando e lançou o manifesto que terminava com o grito "Viva España con honra!", o que seria um símbolo ligado à Revolução de Setembro de 1868, também conhecida como La Gloriosa.
Na sequência destes acontecimentos, a rainha foi forçada ao exílio, o que terminou o reinado de Isabel II.

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