Herbert Simon: Racionalidade Limitada e Tomada de Decisão

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Herbert Simon e a Teoria da Racionalidade Limitada

Behavior significa comportamento. Nosso estudo se baseia nas teorias de Herbert Simon.

Herbert Simon afirma que não existe racionalidade absoluta e, portanto, não existe eficácia total. Para ilustrar essa ideia, o professor propôs um exemplo:

Exemplo Prático: A Escolha Racional

Suponha uma pessoa que acabou de sair da universidade e tem duas oportunidades:

  1. Entrar em um emprego público ganhando R$ 8.000 por mês com estabilidade;
  2. Entrar em um trainee, começando com um salário relativamente baixo, mas tendo a possibilidade de viajar para outros países, ter mais experiências e, com o tempo, alcançar um salário melhor.

Qual das duas escolhas é mais racional? Segundo Simon, nenhuma das duas. É impossível demonstrar que uma alternativa é mais racional que outra porque não detemos conhecimento de todas as variáveis ponderadas na escolha. Nossas escolhas dependem da hierarquia da nossa escala de preferências: alguns preferem trabalhar mais, outros menos; alguns preferem ganhar mais, outros menos; alguns preferem receber agora, outros mais tarde ao longo da vida.

Crítica à Eficácia Total (Taylorismo)

Com essa ideia, Simon critica as teorias de Frederick Taylor, que claramente têm por objetivo a eficácia total, ou seja, o lucro máximo, sem estoques e com custo mínimo.

Simon explica que, ao tomar decisões, baseamo-nos em nossas experiências passadas e no nosso conhecimento disponível. Assim, definimos nossa escala de preferências e sua hierarquia, que pode ser reavaliada no futuro com o objetivo de alcançar uma eficácia maior.

O Processo Decisório e a Organização

Em função da pressão do tempo e do conjunto de pessoas envolvidas no processo decisório, as decisões podem ser mais ou menos racionais, mas nunca completamente racionais. Simon nega a ideia de que um grupo maior deve tomar decisões mais inteligentes, ou que o trabalho coletivo é inerentemente melhor que o individual. Ele define a Organização como um Conjunto de Decisões.

As Três Fases da Decisão (Abstrações Reflexivas)

Segundo Simon, as pessoas aprendem através de abstrações reflexivas. Diante de uma decisão, elas criam um modelo que segue as seguintes fases:

  1. Inteligência: A pessoa, ao entrar em contato com o mundo, realiza analogias e diferenciações até chegar a uma conclusão.
  2. Design (Concepção): Comparação e generalização. A pessoa constrói mentalmente um modelo simplificado do mundo real (limitado, imperfeito e sujeito a mudanças). A partir desse modelo, ela faz sua escolha.
  3. Implementação da Escolha: A pessoa elenca o conjunto de opções que obedecem às suas preferências pessoais e estabelece uma prioridade — a solução que parece a mais adequada para o problema.

Tipos de Decisões Organizacionais

As decisões são diferenciadas segundo os seguintes critérios:

  • Decisões Programadas/Estruturadas: Aquelas cujas variáveis são conhecidas e podem ser quantificadas. Normalmente são de nível operacional (ex: controle de estoques, folha de pagamentos, orçamento).
  • Decisões Não Programadas/Não Estruturadas: Aquelas em que não se pode quantificar as variáveis ou sobre as quais não se detém o controle total (ex: decidir se deve investir em determinado fundo de ações, onde a rentabilidade é incerta).

Pressupõe-se que todas as decisões organizacionais envolvam um certo grau de incerteza.

Características das Organizações

Conforme o pensamento de Simon, as organizações possuem duas características principais:

  • Complexidade: No momento em que uma organização resolve um problema com determinada decisão, ela utiliza o conhecimento adquirido para resolver outros problemas que surgirem no decorrer do tempo.
  • Interdependência: A organização não é isolada. Ela depende do meio ambiente em que está exposta e das outras organizações ao seu redor.

Sistemas Especialistas

Por fim, Simon define um Sistema Especialista como um sistema que consegue resolver um problema pouco estruturado, simulando de maneira eficiente o raciocínio empregado por um especialista (como no exemplo do grupo JH Santos).

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