Hereditariedade vs. Meio: Preformismo e Epigénese
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Hereditariedade e Comportamento: Teorias do Desenvolvimento
O papel da ação genética nas características orgânicas e no comportamento dos seres humanos tem sido objeto de diferentes teorias: umas enfatizam o papel da hereditariedade, outras o papel do meio.
Teoria do Preformismo
O preformismo ou teoria da preformação considerava que o ovo continha o indivíduo em miniatura e, assim, defendia que o desenvolvimento embrionário consiste no desenvolvimento de potencialidades preexistentes no ovo. Desta forma, o desenvolvimento do novo indivíduo limitava-se ao aumento do tamanho do ser em miniatura e à amplificação das estruturas preexistentes no ovo. Uns cientistas consideravam que o futuro ser já se encontrava em miniatura no espermatozoide e outros cientistas consideravam que o novo ser existia preformado no óvulo. Logo, no interior estaria um pequeno homem preformado. Assim, o preformismo acentua a dimensão genética do desenvolvimento, não tendo em conta o efeito do ambiente, sendo que esse desenvolvimento dependeria apenas da componente hereditária, isto é, haveria um determinismo hereditário.
Teoria da Epigénese
A teoria da epigénese ou epigenetismo considera que o ovo é uma estrutura desorganizada e que a diferenciação do embrião dá-se pelo efeito de forças exteriores e, assim, nega a existência de estruturas preformadas no ovo que se desenvolvem mais tarde. Logo, o desenvolvimento é o resultado de um processo gradual de crescimento, diferenciação e modificação. Assim, o desenvolvimento não é a simples sucessão de etapas predeterminadas no ovo, pois resulta de um conjunto de interações entre as potencialidades genéticas e as influências do meio. Concluindo, a epigénese designa o que na construção do organismo e dos seus comportamentos não depende apenas dos genes nem apenas da aprendizagem.
O Inacabamento Biológico Humano: Neotenia
O homem tem capacidade para enfrentar situações imprevistas, isto é, o seu inacabamento permite-lhe adaptar-se às mudanças e às situações imprevistas. O Homem é um ser biologicamente inacabado, pois quando nasce apresenta uma incapacidade para reagir ao meio. Assim, o ser humano é um ser prematuro, isto é, não apresenta as suas capacidades e as suas competências desenvolvidas, porque nasceu inacabado. Por essa mesma razão, a sua infância é muito longa e necessária para a sua sobrevivência. O inacabamento biológico do ser Humano designa-se por neotenia, isto é, representa um atraso no desenvolvimento que faz com que o indivíduo se desenvolva mais devagar, dependendo dos adultos, pois é necessário ensinar-lhe a andar, a falar, a comer, etc.
Desenvolvimento Cerebral e Vantagem Adaptativa
O processo de desenvolvimento do cérebro está ligado ao retardamento ontogenético, ou seja, ao prolongamento do período da infância e da adolescência. Concluindo, os genes de desenvolvimento fazem do ser humano um ser neoténico, ou seja, um animal em que há um prolongamento da morfologia juvenil até à idade adulta. A prematuridade do ser humano é uma vantagem, porque possibilita uma maior capacidade de aprender e de desenvolver muitas das suas capacidades e competências, o processo de adaptação ao meio torna-se mais flexível e o Homem tem, assim, a necessidade de criar a sua própria adaptação, a sua própria cultura que irá transmitir de geração em geração e terá de recorrer à aprendizagem para sobreviver. Em conclusão, o inacabamento biológico do ser humano e a sua prematuridade implicam um prolongamento da infância e da adolescência, condição necessária para o seu processo de adaptação e desenvolvimento. Esta aparente falta vai constituir uma vantagem ao permitir a possibilidade de uma maior capacidade para aprender no contexto do seu ambiente, da sua cultura.
Programa Fechado vs. Programa Aberto
Programa Fechado (Animais)
Programa fechado: sequência organizada de comportamentos rígidos, predefinidos no património genético da espécie e apenas atualizados por mecanismos inatos.
- Todo o saber dos animais está inscrito na sua natureza, isto é, resulta do código genético próprio de cada espécie, o qual determina a conduta a efetuar pelos indivíduos com vista à sobrevivência e à continuidade da espécie.
- Os animais fazem o que devem fazer, através de condutas devidamente ajustadas às situações. Carecem de originalidade no modo como reagem às situações ambientais.
- As suas condutas são estáveis e uniformes, não variando de indivíduo para indivíduo dentro de cada espécie.
Programa Aberto (Humanos)
Programa aberto: sequência de comportamentos a definir pelo homem na interação do património genético com o meio ambiente e com aquilo que aprendeu.
- O homem não é hábil nem especialista nas suas condutas como os animais, tendo de aprender ou de inovar eternamente, em busca de uma forma mais adequada para realizar as atividades a que se lança.
- Não tendo nascido com capacidades fixas e definitivas para reagir estereotipadamente, cada ser humano dispõe de uma margem de liberdade que lhe possibilita comportamentos originais.