Heresias Cristãs: Definição, Origem e Exemplos Históricos

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Primeira Heresia do Cristianismo: O Que é Heresia?

O termo "heresia" vem do grego heresis (escolha), que aparece na Sagrada Escritura no sentido de grupo ou facção, ou mesmo de divisão. Nesse sentido, já adquiriu um caráter negativo e de convicção nos primeiros dias da Igreja.

O Código de Direito Canônico diz que: "A heresia é a negação obstinada, depois de receber o batismo, de alguma verdade que deve ser crida com fé divina e católica, ou uma dúvida pertinaz a respeito do mesmo."

Não confunda a heresia que definimos anteriormente com a apostasia, que é "a rejeição total da fé cristã", ou com o cisma, que é "a recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja sujeitos a ele."

Por Que Surge a Heresia?

A heresia surge de uma má avaliação da inteligência. Se o erro de julgamento não se refere às verdades da fé tal como são definidas, mas a elementos da mesma sobre os quais não há regulação ou pronúncia oficial, o erro se torna heresia.

Já na Segunda Carta de Pedro, profetizou-se com grande sucesso sobre a natureza e os efeitos das heresias: "Não haverá entre vós falsos mestres que vão introduzir perniciosa heresia, negando o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição."

Alguns Destaques das Primeiras Heresias

Gnosticismo

Prevaleceu especialmente entre os séculos I e III.

  • O nome vem do grego gnosis (conhecimento), pois os membros deste movimento alegavam a existência de um tipo especial de conhecimento, superior ao dos crentes comuns, e em certo sentido, diferente da mesma fé. Este conhecimento supostamente conduzia à salvação.
  • Os sistemas de pensamento gnóstico ergueram-se em doutrinas que ligavam a revelação judaica e pagã aos dogmas cristãos.
  • Professavam um dualismo em que o mal era identificado com a matéria, a carne ou as paixões, e o bem com uma substância pneumática ou espírito.

Artirritas (ou Artotyritas)

Eles se caracterizaram, entre outras coisas, pelo uso de pão e queijo no sacramento da Eucaristia, assumindo que era o que os primeiros homens ofereciam a Deus, como diz Gênesis: frutos da terra e animais (pão, frutas da terra e queijo feito de leite de ovelha).

  • Admitiam mulheres ao sacerdócio e ao episcopado. Epifânio descreve cerimônias durante as quais sete mulheres vestidas de branco, com tochas na mão, penetravam no terreno do templo.

Abelianos ou Abelitas

Seita do século IV que se propagou pelo Norte da África.

  • Imitavam Abel, tomando-o como símbolo da inocência e da castidade. Casavam-se, mas não consumavam o matrimônio.
  • Para manter a continuidade de seu movimento, recorriam à adoção de crianças, deixando essa colocação como condição para o trabalho na seita.

Cainitas

Ensinavam que existe um ser supremo superior ao Criador deste mundo, que chamavam de Demiurgo. Caim, o filho de Deus, seria maior e superior ao de Abel. Assim, reverenciavam Caim.

  • Diziam que Judas havia sido dotado com presciência e que, ao trair Cristo, ele se ofereceu como vítima de castigo eterno para que todos pudessem ser salvos, exceto ele.
  • Seguiam o "Evangelho de Judas".

Ebionitas

Seguidores de Epifânio de Ebion.

  • Movimento judaizante, apegado à Lei Mosaica, observando o Sábado e praticando a circuncisão.
  • Não reconheciam o Novo Testamento, utilizando em seu lugar o Evangelho de Mateus, e não o completo.
  • Para eles, Jesus era o filho de José e Maria, cuja virtude o havia elevado a filho de Deus e, talvez, como profeta, o Messias esperado.
  • Os ortodoxos os acusavam de praticar a poligamia.

Macedônios

Seita cristã chamada assim pelo bispo de Constantinopla, Macedônio, deposto em 360. Negavam a divindade do Espírito Santo e admitiam apenas duas pessoas na Trindade.

Nestorianos

Heresia surgida no século V por Nestório, patriarca de Constantinopla.

  • Negavam a união da natureza divina e humana de Cristo, alegando, portanto, que Maria era apenas mãe de Jesus e não de Deus.
  • Não reconheciam a autoridade do bispo de Roma e pregavam a vida simples dos apóstolos.
  • Também conhecidos como "cristãos assírios". Maomé os encontrou em suas viagens.
  • Sobreviveram na Índia até o século XVI (ocupação Portuguesa); a maioria abraçou a fé católica e adotou o nome caldeus.

Aquáticos

Influenciados por Tales, argumentavam que a água foi inicialmente co-eterna com Deus e que dela haviam surgido todos os seres.

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