Hilemorfismo: Matéria, Forma e Alma em Aristóteles

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O Hilemorfismo: Uma Abordagem à Substância

O hilemorfismo é uma aproximação ao conceito de substância a partir da física. Aristóteles rejeita a Teoria das Ideias de Platão, mas não tudo o que Platão entendia por Ideia. Aristóteles continua a sustentar que o universal tem algum tipo de realidade, mas, ao contrário de Platão, ele não concebe o universal como algo transcendente, separado do mundo físico, mas como algo imanente a ele. Aristóteles denomina este universal de *forma*, que, juntamente com a *matéria*, constitui as coisas do mundo físico. A esta teoria aristotélica, segundo a qual tudo se compõe de matéria e forma, dá-se o nome de hilemorfismo.

A Matéria-Prima (Hyle)

Aristóteles chama de *matéria-prima* (hyle), e não simplesmente matéria, para distinguir a pura matéria desprovida de todas as formas dos corpos materiais compostos de matéria-prima e forma. A *prote hyle* tem as seguintes características:

  1. É o substrato absolutamente indeterminado que entra na composição de todas as coisas físicas.
  2. É eterna: não nasceu nem pode perecer.
  3. Essa matéria não existe independente da forma. Os corpos mais simples que existem são, segundo Aristóteles, a água, o ar, a terra e o fogo, e tais corpos já são um composto de matéria e forma.
  4. É devido ao fato de os seres serem compostos desta matéria que eles mudam.
  5. A matéria primeira é, portanto, pura potência.
  6. É um princípio de individuação, ou seja, é a matéria que cria o indivíduo, em oposição a uma forma que representa a espécie.

A Forma Substancial

As formas são um equivalente do que eram as Ideias para Platão. Tal como as Ideias, são universais e eternas, e constituem a essência das coisas. Mas, ao contrário das Ideias platônicas, as formas aristotélicas estão nas próprias coisas e não são nada além da matéria. Embora, em geral, Aristóteles chame de substância ao composto de matéria e forma, por vezes também chama assim a forma por si só, e neste caso chama-lhe substância segunda.

A esta forma única, ou substância segunda, também por vezes chamada forma substancial (porque constitui a substância), distingue-se das formas acidentais, que simplesmente produzem determinadas alterações da substância.

O Composto Humano e a Alma

No caso dos seres vivos, a forma é a alma e, dependendo do tipo de alma que tenham, terão umas ou outras capacidades, o que nos leva a propor a questão da alma em Aristóteles. Os seres vivos caracterizam-se por terem em si um princípio vital, que os diferencia dos simples seres físicos. Tal princípio consiste na forma; é a forma que Aristóteles chama de alma. Daqui se deduz que, para o autor, todos os seres vivos têm alma, embora haja diferentes tipos de alma e, portanto, diferentes tipos de vida. Assim:

  1. Vegetais: Têm alma vegetativa, que é o princípio da nutrição, do crescimento e da reprodução.
  2. Animais: Têm alma sensitiva, que dá vida às sensações, aos estados de prazer e dor, e aos desejos que impulsionam determinados movimentos.
  3. Homens: Têm alma racional, que, além de cumprir as funções da alma sensitiva, é o princípio do conhecimento racional e da vontade livre.

O homem é o resultado da união de corpo (que é material) e alma. É, portanto, um composto hilemórfico. Platão afirmava que a união alma-corpo era meramente acidental; Aristóteles afirma, pelo contrário, que essa união é substancial, isto é, alma e corpo unem-se para formar uma única substância: o homem. Por outro lado, enquanto Platão afirmava a imortalidade da alma, Aristóteles considerava que a alma (inclusive a humana) é corruptível, como o corpo.

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