História Econômica Contemporânea

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T1. História Econômica Contemporânea

O que é História Econômica?

Segundo Jean Bouvier, é o estudo dos fatos da produção e sua evolução no espaço e no tempo:

  1. História das técnicas: história das mudanças tecnológicas que afetam a produção. Fatores: terra, trabalho e capital. Mudança na proporção dos fatores (inovação tecnológica).
  2. História das mudanças no espaço: mudanças na produtividade em algumas áreas (fértil-vazio), mudanças na política administrativa dos espaços.
  3. História das flutuações econômicas ao longo do tempo: estudo das fases de crescimento/crise. Ciclos econômicos. Tendência ascendente.

1.2 Origens da disciplina:

  • Renascimento (S. XIV, XV, XVI): nascimento da história como ciência. A história passa a ser considerada uma ciência, deixando de ser teocrática ou teológica. Surge uma história mais racional, do comportamento humano (militar, política, que procura justificar e legitimar o poder da nobreza).
  • Iluminismo (S. XVII): surgimento da teoria e história econômica. Surge o germe de uma história de pessoas envolvidas em atividades econômicas (a burguesia, que substituiu a nobreza, também deseja ser credível).

Desenvolvimentos (S. XIX):

  • Escola Clássica Britânica (Adam Smith): o mercado é o alocador perfeito de bens, serviços e fatores de produção, e o Estado não deve intervir, exceto em alguns casos (justiça, segurança, defesa).
  • Escola Histórica Alemã: o mercado é um alocador, mas não é perfeito e pode levar a situações socialmente inaceitáveis. O Estado deve ser o árbitro (salário mínimo) e influenciar sindicatos e empregadores.
  • Teoria Econômica Marxista (Karl Marx): o Estado, e não o mercado, deve alocar bens, serviços e fatores.

Inicia-se uma simbiose entre a teoria econômica e a história, buscando consolidar cada teoria.

No S. XX, a teoria econômica e a história passam por diferentes fases:

  • Teoria Neoclássica: mercados mais livres. Grande lacuna entre a teoria econômica e a história.
  • Crise de 29: quebra da estrutura econômica baseada no livre mercado. O mercado foi incapaz de resolver a crise econômica, mostrando a necessidade da intervenção estatal. União entre a história e a teoria econômica.
  • Neoconservadores (anos 60): fase de crescimento. Separação entre teoria econômica e história.
  • Cliometrics: aplicação de técnicas econométricas à história.
  • Nova História Econômica (EUA): análise contrafactual: o que teria acontecido se determinado evento econômico não tivesse ocorrido?

A história econômica hoje tornou-se mais especializada, com o surgimento de outras áreas como história da empresa, história ambiental, etc.

1.3 Características e dimensões das fases do sistema capitalista:

  • Capitalismo Industrial (1750-1914): início da Revolução Industrial na Inglaterra. Fase de domínio das unidades de produção e autofinanciamento.
  • Capitalismo Financeiro (1914-2000): necessidade crescente de financiamento externo. Os bancos e instituições financeiras ganham mais importância.

Elementos institucionais:

  • Propriedade privada de bens, serviços e fatores.
  • O mercado como mecanismo de distribuição.

Mudanças provocadas pelo capitalismo:

  • O quadro institucional é o conjunto de recursos que definem uma sociedade (econômicos, políticos, religiosos, familiares, científicos, etc.).
  • Surgimento da ciência.
  • Modernização da atividade econômica: método de contabilidade de dupla entrada, bancos, ações, fundos de investimento.
  • Mudança no conceito de família: antes de 1750, famílias muito grandes; com o capitalismo, passam a ser compostas de pais e filhos. As crianças deixam de ser vistas como fonte de renda e passam a representar custos econômicos e sociais.
  • Transformação da estrutura social: surgimento da sociedade de classes.
  • Democratização dos estados: em 1931, surge o direito de voto feminino na Espanha.
  • Mudanças na oferta e distribuição da produção de fatores de força de trabalho:
  • Aumento do capital humano: crescimento populacional determinado pela taxa de mortalidade (antes de 1750) e, posteriormente, por melhorias na higiene, medicina, desaparecimento de epidemias, fome e guerra, que reduzem drasticamente a taxa de mortalidade, enquanto a taxa de natalidade diminui lentamente.
  • Recursos naturais: escassez e distribuição geográfica desigual.
  • Capital físico: expansão do estoque de capital (investimento + inovação tecnológica = aumento da taxa de progresso material).

O papel do Estado (observando a estrutura de custos do sistema capitalista):

  • Aumento dos gastos sociais (saúde, habitação), educação e investimento público.
  • Aumento da participação do público no PIB: início do S. XIX (10%) - hoje (46%).

Mudanças na estrutura econômica (S. XIX):

  • Demanda: (consumo privado + investimento + gastos públicos). Antes do capitalismo, a demanda era centrada no consumo privado. Com o capitalismo, há uma queda no consumo privado e aumento do investimento e dos gastos públicos.
  • Oferta: redução da agricultura e aumento da contribuição do setor industrial e de serviços.

Resultados do crescimento do sistema capitalista:

  • Crescimento semelhante: o PIB mede a evolução. Quando comparado entre países, utiliza-se o PIB per capita. Durante o período capitalista, cresceu em média anual de aproximadamente 1,2% (antes, cerca de 0,4%).
  • Desenvolvimento divergente: extensão da mudança estrutural (diminuição do peso do setor agrícola e crescimento do secundário e terciário).
  • Progresso desigual (economia): indicadores de saúde, alfabetização, poder de compra, padrão de vida, bem-estar.

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