História e Tipos de Dança: Folclore e Benefícios

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História da Dança

Dança é a arte de movimentar expressivamente o corpo seguindo movimentos ritmados, em geral ao som de música.

O povo primitivo iniciou a arte de dançar e a praticava em diferentes ocasiões: no período de colheitas, nos rituais aos deuses, na época das caçadas, nos casamentos, em momentos de alegria ou tristeza, ou ainda em homenagem à mãe natureza. É considerada a mais completa das artes, pois envolve elementos artísticos como a música, o teatro, a pintura e a escultura, sendo capaz de exprimir tanto as mais simples quanto as mais fortes emoções.

O significado da dança vai além da expressão artística, podendo ser vista como um meio para adquirir conhecimentos, opção de lazer, fonte de prazer, desenvolvimento da criatividade e importante forma de comunicação. Através da dança, uma pessoa pode expressar o seu estado de espírito. A dança pode ser acompanhada por instrumentos de percussão ou melódicos, ou ainda pela leitura de diferentes textos.

A dança teve forte influência nas sociedades ao longo dos tempos. Como via de socialização e disseminação de cultura, proporcionou ao mundo o conhecimento sobre a diversidade cultural dos diferentes povos em todo o mundo, especialmente através das danças folclóricas.

Nas escolas, a dança faz parte da área de Educação Física. Como disciplina acadêmica, a dança integra diferentes cursos universitários ligados às Artes e Humanidades. Também é uma modalidade amplamente praticada em academias e clubes para manutenção da saúde física e mental.

Quem é que nunca dançou ou movimentou o corpo com o batuque de uma música? É difícil encontrar uma pessoa que nunca se remexeu ou contorceu ao ouvir um som.

Sendo assim, é interessante conhecer um pouco sobre essa arte que envolve a maioria dos povos e que muitas vezes é utilizada não apenas como distração, mas como exercício e até mesmo como terapia.

Origens e evolução

A dança é considerada uma das artes mais antigas; é também a única que dispensa materiais e ferramentas. Ela depende do corpo e da vitalidade humana para cumprir sua função, enquanto instrumento de afirmação dos sentimentos e das experiências subjetivas do homem. No antigo Egito, cerca de 2 mil anos antes da era cristã, já se realizavam as chamadas danças astroteológicas em homenagem ao deus Osíris. O caráter religioso foi comum às danças clássicas dos povos asiáticos.

Na Grécia Clássica, a dança era frequentemente vinculada aos jogos, em especial aos olímpicos. Com o Renascimento, a dança teatral, virtualmente extinta em séculos anteriores, reapareceu com força nos cenários cortesãos e palacianos. No século XIX surgiram a contradança (que se transformou na quadrilha), a valsa, a polca, a mazurca, o scottish, o pas-de-quatre, entre outras. No século XX apareceram o Boston e, em seguida, as danças exóticas (Cake-Walk, Maxine, One Step, Fox Trot e Tango). A divulgação da dança deu-se também fora do espetáculo, principalmente nas tradições populares.

Tipos de dança

Existem quatro grandes grupos de estilos de dança:

  • Dança clássica - conjunto de movimentos e de passos, elaborados em sistema e ensinados no ensino coreográfico.
  • Dança de salão - praticada em reuniões e dancings.
  • Dança moderna - libertou-se dos princípios rígidos da dança acadêmica e serviu de base ao balé contemporâneo.
  • Dança rítmica

Os vários tipos de dança

Ballet, Ballroom, Bolero, Breakdance, Capoeira, Ceroc, Can-Can, Cha-Cha-Cha, Contemporânea, Contra-dança, Country Western, Disco, Exotic Dancing, Flamenco e Spanish Gypsy, Folk and Traditional, Foxtrot, Funk, Jazz, Line Dance, Mambo, Merengue, Middle Eastern, Modern, Polka, danças religiosas e sacras, Rumba, Salsa, Samba, Swing, Scottish, Country Dancing, Square Dance, Tango, Twist, Valsa, Western.

Danças nacionais e populares

  • Espanha - Fandango, Bolero, Jota, Seguidilha, Flamenco...
  • Itália - Tarantela, Furlana…
  • Inglaterra - Jiga…
  • Polônia - Mazurca e Polca…
  • Hungria - Czárdás (Zarda)
  • Brasil - As principais são: Baião, Samba… (As danças brasileiras são a mistura de elementos africanos, indígenas e europeus).
  • Portugal - Vira, Verde-Gaio, Malhão, Fandango Ribatejano, Pauliteiros de Miranda do Douro, Gota, Chula, Corridinho...

Folclore

Entende-se por folclore o conjunto de crenças, lendas, festas, superstições, artes e costumes de um povo. Tal conjunto normalmente é transmitido de geração em geração por meio dos ensinamentos e da participação real nos festejos e costumes. A palavra folclore é formada pelos termos ingleses folk (povo) e lore (sabedoria), significando, portanto, sabedoria do povo.

O folclore assume grande importância na história de todos os povos, pois por meio dele pode-se conhecer a antiga cultura e a formação da cultura presente nos dias de hoje. Dentre as características é possível identificar os fatos folclóricos a partir do anonimato, já que muitos elementos são de autoria desconhecida; da aceitação coletiva, pois cada pessoa absorve a essência folclórica e a repassa conforme seu entendimento; e da transmissão oral, já que antigamente não havia os meios de comunicação atuais. Para manter vivo o folclore típico de cada região existem datas específicas para a realização dos festejos e artes.

O folclore no Brasil só começou a receber atenção da elite na metade do século XIX, durante o Romantismo. Naquela época, a cultura popular crescia na Europa e nos Estados Unidos e, baseados nesse interesse, estudiosos brasileiros como Celso de Magalhães e Sílvio Romero pesquisaram as manifestações folclóricas nativas e publicaram estudos. Vários artistas cultos incorporaram elementos da cultura popular em suas obras como parte de um projeto, estimulado pelo governo de Dom Pedro II, para construção de símbolos nacionalistas que pudessem contribuir para a afirmação do Brasil entre as nações civilizadas. O resultado é que hoje o folclore brasileiro se encontra em destaque, alimentando o turismo cultural e sendo instrumento de educação nas escolas.

O folclore também é protegido por lei, previsto na Constituição Federal de 1988, nos artigos 215 e 216, que tratam da proteção do patrimônio cultural brasileiro: “os bens materiais e imateriais, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Formas de manifestação do folclore

  • Músicas: cantigas de roda e serenatas
  • Danças e festas: Carnaval, festas juninas, cavalhadas, frevo e maracatu
  • Linguagem: provérbios, parlendas, trava-línguas, adivinhas e literatura de cordel
  • Usos e costumes: vestuário, pratos típicos, trajes
  • Brinquedos e brincadeiras: boneca de pano, arapuca, pipa, pião, bolinha de gude, esconde-esconde etc.
  • Lendas e mitos: Boitatá, Boto, Caipora, Cuca, Curupira, Lobisomem, Iara, Mula sem cabeça, Negrinho do Pastoreio, Saci-Pererê
  • Crenças e superstições e também arte e artesanato

Em 1995, a Comissão Nacional de Folclore elaborou a Carta do Folclore Brasileiro, conjunto de conceitos e recomendações sobre proteção, divulgação, documentação e pesquisa do folclore. Essa carta foi produzida durante o VIII Congresso Brasileiro de Folclore, em Salvador, e revisou a primeira carta de 1951 para atualizar o estudo e a proteção do folclore nacional, considerando avanços científicos e recomendações da UNESCO de 1989.

O Folclore é comemorado no dia 22 de agosto.

O que é a dança folclórica?

A dança é uma manifestação da cultura de cada região ou grupo de pessoas. É caracterizada por uma sequência de passos acompanhada por ritmo musical. A dança folclórica é passada de geração em geração e reflete costumes e tradições sociais de um povo.

Principais danças do folclore

Dentre as principais danças folclóricas do Brasil destacam-se:

Samba de Roda

É uma dança que se assemelha à capoeira em alguns aspectos. Originou-se a partir do ritmo africano “semba” e reúne diversos passos e sons africanos. É dançada ao som de berimbaus, atabaques e outros instrumentos de percussão. Quando o samba de roda foi introduzido na Bahia, algumas adaptações reuniram dança, música e poesia. Hoje o samba de roda é conhecido mundialmente.

Fandango

No Paraná, o Fandango é festa típica dos caboclos e pescadores da região litorânea. É composto por um conjunto de danças chamadas marcas, que podem ser bailadas (dançadas) ou batidas (sapateadas, usando tamancos de madeira), além de valsadas. Há registros de muitas marcas de Fandango próprias de cada região: Anu, Xarazinho, Xará-grande, Queromana, Tonta, Chamarrita, Andorinha, Cana-Verde, Caranguejo, Vilão-de-Fita, Lageana, Sabiá, Tatu, Porca, entre outras. A letra dos estribilhos é fixa, mas os versos são improvisados conforme a capacidade do cantador. Era costume dançar o Fandango principalmente no período do Carnaval, quando a população do litoral paranaense se dedicava à dança e à culinária típica, como o barreado.

Maracatu

O maracatu é uma manifestação cultural típica do Nordeste que simboliza adoração aos orixás. É uma dança em que os participantes saem fantasiados com trajes específicos e desfilam pelas ruas, carregando a “calunga” (boneca de pano presa em um bastão). É uma dança de Carnaval originária de Pernambuco.

Frevo

É uma dança de rua típica de Pernambuco, caracterizada por movimentos rápidos em que os foliões carregam sombrinhas coloridas que combinam com as roupas. O frevo acompanha músicas tocadas por metais e percussão. Há quem veja no frevo a junção de diversas danças; outros apontam influências da capoeira. Independentemente de sua origem, o frevo reúne foliões com o objetivo de dançar e se divertir.

Baião

Originado a partir do sucesso do cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga, o baião é característico do sertão nordestino e difundiu-se por todo o Brasil e o mundo. É uma dança agitada, frequentemente dançada em pares, assemelhando-se ao forró.

Catira

A catira é uma dança tipicamente gaúcha, resultado de influências de danças espanholas, inglesas e africanas. Caracteriza-se por palmas e sapateados sincronizados, formando uma coreografia. Os dançarinos, chamados “catireiros”, frequentemente utilizam botas e chapéus.

Quadrilha

A quadrilha simboliza o período das festas juninas. Em cada festa, organizam-se quadrilhas com pares que seguem as instruções de um mestre de cerimônias. A música é instrumental e segue um padrão, podendo ser adaptada conforme a festa e a região.

Dança em terapia e a história dos ritmos

Autor/Fonte: Prof. Luciano Barbosa

Definições: dança

Dança é o ato de mover o corpo em cadência. As pessoas parecem sentir a necessidade natural de expressar seus sentimentos por meio do movimento rítmico. A dança é tanto uma arte quanto uma forma de diversão. Como arte, pode contar histórias, determinar disposições de espírito ou expressar emoções. Geralmente, esses movimentos com cadência são realizados ao ritmo de uma música.

Por que dançar?

Que impulso irresistível leva o ser humano a dançar? Mesmo em estados mais primitivos, o indivíduo, em vez de economizar energia, gasta-a em movimentos fisicamente extenuantes. Para muitos, a dança constitui um meio de comunicação pessoal e eficiente. Seus movimentos, que progressivamente se ordenam em tempo e espaço, funcionam como válvula de liberação de uma vida interior tumultuosa que muitas vezes escapa à análise. Uma pessoa dançando pode expressar desejos, alegrias, pesares, gratidão, respeito, temor e poder.

Dançar é a forma mais simples e saudável de exercitar o corpo e a mente. São diversos os benefícios da dança na formação e manutenção da personalidade e do físico humano, observados em várias especialidades médicas, como ortopedia, cardiologia e psiquiatria.

Benefícios para o indivíduo

Os estudos sobre atividade física apontam inúmeros benefícios proporcionados pela prática regular da dança. Entre eles:

  1. Aumento da capacidade cardiorrespiratória.
  2. Aumento do metabolismo aeróbico (com melhor oxidação de gorduras) e maior demanda de nutrientes aos tecidos ativos.
  3. Fortalecimento das estruturas esqueléticas, músculos e articulações.
  4. Melhora da aptidão física: força, flexibilidade, coordenação.
  5. Melhora da postura.
  6. Atuação benéfica sobre vários fatores de risco coronariano: estresse emocional, obesidade, hiperlipidemias, hipertensão arterial, sedentarismo.
  7. Bem-estar físico, melhora da autoestima, aumento da autoconfiança e redução dos níveis de ansiedade e depressão.
  8. Expressão corporal.
  9. Aprimoramento da comunicação e expressão em dupla, liberando tensões e ajudando na superação da timidez.
  10. Melhora da qualidade de vida.
  11. Educação e integração social, estimulando a sociabilização e o espírito de coletividade.
  12. Maior prazer na vida.

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