Hume: Crítica à Causalidade e Metafísica

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Hume constantemente criticou a ideia, pois para compreender a importância das críticas de Hume sobre a causalidade, deve-se primeiro distinguir dois tipos de proposições: relações de ideias e questões de fato.

Relações de Ideias vs. Questões de Fato

  • As relações de ideias são independentes dos fatos. Proposições relacionadas à lógica e matemática são formuladas em análise (necessárias). A verdade das relações de ideias deriva do contraste dessas proposições, cuja negação é uma contradição.
  • As questões de fato são aquelas proposições justificadas pela experiência. Assim, proposições sobre fatos dizem algo, mas são apenas prováveis. Mudanças nas relações de ideias são absolutamente verdadeiras, mas não dizem nada sobre o que existe, pois não fazem referência a fatos.

A Crítica Humeana à Causalidade

Tudo isso se refere à questão da causalidade porque, segundo Hume, com exceção do raciocínio formal (ou seja, argumentos ou proposições baseadas em relações de ideias), todo o resto envolve uma inferência causal. Assim, mesmo que a relação causal fosse suficientemente fundamentada, não se poderiam tirar conclusões válidas sobre questões de fato que ultrapassam nossos sentidos. Deve-se lembrar que as ciências empíricas (física) dependem da relação de causa e efeito. Hume observa que nossa certeza sobre o futuro, baseada em uma relação causal, é obviamente infundada, pois não temos ideia do futuro. É claro, portanto, que a ideia de causa é a base de toda a nossa inferência sobre fatos dos quais não temos impressão.

Crítica à Metafísica

Com estes princípios metodológicos, Hume é capaz de fazer uma crítica à metafísica, pois é preciso lembrar que, para o autor, as ideias abstratas que não podem ser verificadas por impressões devem ser descartadas, pois são consideradas superstição.

Crítica à Ideia de Deus e Realidade Externa:

Hume critica a ideia de Deus. Enquanto para Berkeley Deus era a causa de suas ideias, para Hume, essa inferência é inválida, pois não há impressão de Deus, e a ideia não é mais válida por isso. Quanto à existência da realidade externa, a posição de Hume pode ser qualificada como agnóstica. Se Locke justificava a existência da realidade externa por uma relação causal (lembre-se que, para Locke, a realidade externa era a causa de suas ideias), para Hume, essa inferência é inválida, pois não há impressão de algo além das impressões que temos, e não há impressão de uma realidade diferente dessas alegadas.

Portanto, segundo Hume, a crença na existência da realidade externa, da qual nossas impressões são referentes, é uma ideia injustificável. Assim, não temos experiência de realidades transcendentais às nossas impressões. Hume não nega a existência de um mundo externo, mas também não a reivindica. Para ele, tanto a afirmação quanto a negação da realidade externa são ilegais. Mas se nem a existência de um mundo externo nem a existência de Deus são justificadas, de onde vêm as nossas impressões?

O empirismo de Hume não pode responder a essa questão, pois a resposta tenta ir além da experiência, e este é o limite do nosso conhecimento (não podemos ir além de nossas impressões).

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