Hurtado vs. Iturrioz: Ciência, Vida e a Árvore do Conhecimento
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Mas estas palavras são ambíguas e também poderiam ser tomadas como uma fábula. Iturrioz pode significar que a ciência não é boa, mas sim que, para conhecer a vida, a ciência é mais um obstáculo do que uma ajuda. A vida só pode ser conhecida comendo sua própria árvore, nunca a partir da árvore vizinha, pois, não importa o quão perto estejam, nunca se saberá se os seus ramos dão fruto.
É assim que Iturrioz pode induzir Hurtado a conhecer a vida de forma aberta, sem esperar que a ciência avance para conhecê-la de forma empírica. A corrida por verdades atuais — sejam elas científicas ou metafísicas — é fútil, porque, ao final, a única verdade é aquela em que se acredita e que se tem medo de começar a criar.
A Visão de Hurtado: Empirismo e Rejeição do Não Testado
Hurtado rejeita qualquer coisa cuja bondade ainda não tenha sido testada empiricamente. Todas as "florestas" constituídas por novas teorias filosóficas metafísicas, novos sistemas de governo ou novas opções de escolha são, aos olhos de Hurtado, um terreno baldio de exploração impossível e um desperdício de tempo, pois não há nada de interessante neles no momento. Iturrioz "pentearia o deserto", e talvez encontrasse alguma coisa. Hurtado não adentraria nele.
Iturrioz disse que há ideias que ainda não foram comprovadas, mas que ainda são úteis. Hurtado não gosta deste termo, dizendo que ele poderia levar a consagrar todos os preconceitos. Iturrioz não rejeita a ciência, mas adverte que ela pode levar ao fanatismo.
Iturrioz acredita na ciência, mas em um grau concomitante com a vida e, portanto, com a ignorância que ela traz. Não acredita que a razão deva ser a chave para a felicidade, porque, se assim fosse, a vida seria cinzenta e definharia até a morte inevitável.
Em contrapartida, Hurtado acredita firmemente no contrário: para que a vida seja realmente plácida, é preciso cortar a árvore que é fruto da ignorância e cultivar a árvore da vida medida, fundamentada e precisa do conhecimento.
O que distingue a Árvore da Ciência e a Árvore da Vida?
Estes conceitos vêm à tona em um diálogo entre Iturrioz e Hurtado sobre a finalidade e importância da ciência para os homens.
Segundo Hurtado, a ciência é fundamental para a evolução humana. Iturrioz, por outro lado, afirma que o excesso de verdade é prejudicial à vida. Assim, a vida é pior quanto mais se sabe. Essa atitude, a priori um absurdo para a mentalidade moderna, é rapidamente reafirmada pelo seu parceiro de conversa, como se fosse uma verdade lógica. "A compreensão adequada diminui o desejo", diz Hurtado.
Foi quando entraram na passagem das árvores. Iturrioz diz que no Gênesis havia duas árvores: a da vida e a do conhecimento do bem e do mal. Ele explica que Deus disse a Adão que ele poderia comer de todos os frutos, mas que tivesse cuidado com a Árvore do Conhecimento, pois "no dia em que comerdes desse fruto, morrerás".
Tio Iturrioz acrescenta que o que realmente acontece ao provar o fruto da Árvore do Conhecimento é que isso desperta na pessoa o desejo de melhorar, o que, eventualmente, leva à sua própria destruição. Ele resume toda a ciência com estas palavras.