Imagens da Organização: As Metáforas de Gareth Morgan

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A Mecanização Assume o Comando: As Organizações Vistas como Máquinas

Após a Revolução Industrial, houve uma crescente tendência no sentido da burocratização e rotinização da vida em geral. Os donos das fábricas perceberam que a operação eficiente das máquinas requeria grandes mudanças no planejamento e controle do trabalho. A divisão do trabalho tornou-se intensa e os fabricantes procuravam aumentar a sua eficiência, reduzindo a liberdade de ação de seus funcionários em favor do controle exercido por suas máquinas e supervisores. Novos procedimentos e técnicas foram introduzidos para disciplinar os trabalhadores.

Max Weber observou os paralelos entre a mecanização da indústria e a proliferação de formas burocráticas da organização. Essas formas burocráticas rotinizavam os processos de administração exatamente como a máquina rotinizava a produção. Weber caracteriza a burocracia como uma forma de organização que enfatiza principalmente:

  • Formalidade, impessoalidade e profissionalismo;
  • Precisão, rapidez e clareza;
  • Regularidade, confiabilidade e eficiência.

Tais características são atingidas através da divisão de tarefas fixas, supervisão hierárquica, regras detalhadas e regulamentos.

A Natureza Entra em Cena: As Organizações Vistas como Organismos

Ao contrário do que diz a metáfora mecanicista, onde as organizações são um sistema fechado que não sofre influência do meio externo, a metáfora das organizações vistas como organismos considera as empresas como ambientes abertos, ou seja, que sofrem influência do meio onde estão inseridas. Ver a organização como orgânica é não aceitar que exista uma única melhor forma de se executar dada tarefa, entendendo que organismos semelhantes agem de maneiras diferentes em situações semelhantes.

É ver o funcionário como um indivíduo único, com necessidades e ambições particulares e mutáveis ao longo do tempo. Como uma organização é composta de vários funcionários, esta também se torna mutável ao longo do tempo. A metáfora orgânica foca na sobrevivência. O equilíbrio entre os interesses organizacionais e dos trabalhadores é fator fundamental para esta sobrevivência.

Estratégia, estrutura e tecnologia devem estar alinhadas de forma a proporcionar vida longa à organização. Empresas de base tecnológica que operam em ambientes de constante mudança estariam fadadas ao fracasso com uma visão mecanicista. Adaptação rápida é questão de sobrevivência. É preferível ser uma “metamorfose ambulante” e estar em constante desenvolvimento do que ter uma “única opinião formada sobre tudo” e estar fadado ao fracasso.

A Caminho da Auto-organização: As Organizações Vistas como Cérebros

Neste trabalho, o leitor encontrará uma analogia das organizações vistas como cérebro quanto ao uso das informações e do autocontrole em sistemas estáveis, sejam eles mecânicos, elétricos ou biológicos. A principal ideia desta visão não são as pessoas em si, mas a forma perfeita de funcionamento flexível de administração.

As organizações são sistemas de processamento de informações, assim como o cérebro humano. A partir dessa concepção, pensou-se na ideia de que é possível planejar tais organizações de forma que elas possam aprender a auto-organizar-se, como um cérebro em completo funcionamento. O foco principal dessa imagem é a aprendizagem organizacional e o "aprender a aprender", características que as tornam capazes de inovar, evoluir e assim alcançar os desafios propostos pelo ambiente de mudanças constantes. As organizações no mundo atual têm que estabelecer um método de flexibilidade para lidar com o cotidiano em constante transformação.

A Criação da Realidade Social: As Organizações Vistas como Culturas

O capítulo 4 do livro “Imagens da Organização”, de G. Morgan, apresenta uma metáfora para explorar a ideia de que a organização é, em si mesma, um fenômeno cultural que varia de acordo com o estágio de desenvolvimento da sociedade, variando de uma organização para outra.

Um dos principais pontos fortes da metáfora da cultura reside no fato de que esta dirige a atenção para o significado simbólico ou mesmo “mágico” da maioria dos aspectos racionais da vida organizacional. Ressaltando o significado simbólico de cada aspecto virtual da vida organizacional, a metáfora da cultura centraliza a atenção sobre o lado humano da organização que outras metáforas ignoram ou encobrem.

Outra importante força nasce do fato de mostrar que a organização repousa sobre sistemas de significados comuns e, portanto, em esquemas interpretativos que criam e recriam aquele sentido. Entretanto, uma das principais limitações desta metáfora reside no fato de que qualquer intenção de mudança pode representar um grande trabalho em todos os indivíduos, pois é deles que provém a subcultura da organização.

Interesse, Conflitos e Poder: As Organizações Vistas como Sistemas Políticos

Nas organizações existem variados interesses, o que dá origem aos conflitos, e o poder é uma forma de resolver a situação, pois quem tem mais poder tem mais influência. O autor compara as organizações a sistemas políticos. No início do capítulo, o autor dá um exemplo sobre um operário em conflito entre seus direitos como cidadão e seus deveres como empregado, motivado pelo autoritarismo de seu patrão.

Morgan refere-se às formas de governo utilizando termos como: Autocracia, burocracia, tecnocracia e democracia. Usando estes termos para definir “a natureza de uma organização” (Morgan, 1996, p. 148), estabelece-se uma relação de semelhança entre organizações e sistemas políticos.

Explorando a Caverna de Platão: As Organizações Vistas como Prisões Psíquicas

Os seres humanos possuem uma inclinação especial para caírem nas armadilhas criadas por eles mesmos. A metáfora das prisões psíquicas combina a ideia de que as organizações são fenômenos psíquicos (processos conscientes e inconscientes) com a noção de que as pessoas podem tornar-se prisioneiras de imagens, ideias e pensamentos que esses processos geram.

A ideia de prisão psíquica foi explorada pela primeira vez na República de Platão, através da famosa Alegoria da Caverna, na qual são estabelecidas relações entre aparência, realidade e conhecimento. Para Platão, a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, ou seja, no mundo ilusório das coisas sensíveis que são mutáveis e não são objetos de conhecimento puro.

Revelando a Lógica da Mudança: As Organizações Vistas como Fluxo e Transformação

A ideia de prisão psíquica foi explorada pela primeira vez na República de Platão, através da famosa alegoria da caverna na qual Sócrates estabelece as relações entre aparência, realidade e conhecimento. A alegoria mostra uma caverna subterrânea, cuja entrada se acha voltada para uma fogueira crepitante. Dentro desta caverna encontram-se pessoas acorrentadas de tal modo que não possam mover-se. Conseguem enxergar somente a parede da caverna diretamente à sua frente. Esta parede é iluminada pela claridade das chamas que nela projetam sombras de pessoas e objetos que estão fora da caverna. Os moradores da caverna tomam as sombras por realidade atribuindo-lhes nomes, conversando com elas e até mesmo ligando sons fora da caverna com os movimentos que observam na parede. Para esses prisioneiros, é esse universo sombrio que constitui a verdade e a realidade, uma vez que não conhecem nenhuma outra realidade.

A Face Repugnante: As Organizações Vistas como Instrumentos de Dominação

Esta metáfora aborda os aspectos potencialmente exploradores da organização. O autor discute como as organizações podem impactar negativamente a vida humana e o ambiente. Estamos sendo afetados por produtos químicos, alimentação industrializada e propagandas que incentivam o consumo de produtos prejudiciais à saúde, como o cigarro. Além disso, há os problemas ambientais causados por resíduos industriais expelidos diariamente e armazenados de forma inadequada.

Resumo do Livro: Imagens da Organização

O autor ressalta que a ideia de organização baseada em organismos vivos surgiu a partir dos problemas levantados na teoria mecanicista. Novos entendimentos surgiram sobre como a organização funciona e quais fatores influenciam seu sucesso. Estudos como os de Elton Mayo nos anos 20 evidenciaram que o trabalho é influenciado pela natureza humana e pelo planejamento organizacional.

O conceito mais importante apresentado é o de “Sistema Aberto”. Isso significa que a organização deve se preocupar com o meio ambiente, o mercado e os concorrentes. Outros dois conceitos fundamentais são:

  • Equifinalidade: Alcance de um objetivo a partir de diferentes meios.
  • Homeostase: Equilíbrio das diversas partes do sistema e capacidade de autorregulação.

A Ecologia Organizacional considera que organizações e meio ambiente são elementos de um sistema complexo e interdependente. Como pontos fortes, a metáfora biológica facilita o entendimento do comportamento organizacional e foca na sobrevivência. Como limitações, destaca-se que os colaboradores podem se sentir menos responsáveis pelo sucesso se o foco for apenas externo, e o perigo de transformar a metáfora em uma ideologia onde pessoas são tratadas apenas como recursos.

Conclui-se que não existe uma única teoria administrativa que garanta o sucesso; todo conhecimento científico é válido e as teorias devem ser adaptadas e integradas para obter o melhor resultado organizacional.

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