Independência Afro-Asiática e Conflitos do Século XX

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A independência das colônias afro-asiáticas e os movimentos de inspiração socialista: A supremacia bélica das potências europeias possibilitou nessas regiões, não obstante a tenaz resistência dos povos afro-asiáticos, a edificação de um estratégico império colonial.

Raízes do processo: Do sentimento nacionalista à Conferência de Bandung: O sucesso desses movimentos foi beneficiado, em âmbito externo, pelo enfraquecimento das metrópoles europeias que se viram envolvidas em duas guerras mundiais em reduzido espaço de tempo; da decisiva postura da ONU em defesa do princípio de autodeterminação dos povos, já reconhecido na Carta do Atlântico de 1941, como meio legítimo para se assegurar a paz mundial. Nessa conferência, além do processo de independência dos povos afro-asiáticos, foram defendidas estratégias como a instituição de uma política de não alinhamento (neutralidade) em relação às grandes potências do primeiro e segundo mundo, Estados Unidos e URSS respectivamente; o princípio de autodeterminação, já consagrado pelas Nações Unidas; a política de desarmamento nuclear e a igualdade entre todas as raças.

Estratégias do processo: dos acordos diplomáticos às guerrilhas socialistas: Podemos apontar, em relação ao primeiro modelo, o processo de independência da Índia. O movimento separatista hindu iniciou-se a partir da mobilização organizada pelo Partido do Congresso, liderado por Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nehru, que propunham como estratégia de luta a resistência pacífica e a desobediência civil contra a dominação britânica na região.

A partir da década de 1960, deflagrou-se no Vietnã do Sul a ação guerrilheira do grupo socialista Vietcong, defendendo a queda do governo capitalista de Saigon e a restauração da unificação do país. Derrotados militarmente, os Estados Unidos retiram-se da região em 1975; o Vietnã foi reunificado com a consolidação do regime socialista implantado por Ho Chi Minh.

Oriente Médio: Nacionalismos e disputas territoriais: Reconhecidos internacionalmente como vítimas do Holocausto nazista, os judeus obtiveram em 1947, através de determinação da ONU, o direito de estabelecer novamente, no território da Palestina, a constituição do Estado de Israel. Em 1964, foi criada a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), com o objetivo de se criar um estado democrático e laico para judeus, muçulmanos e cristãos na Palestina. Como represália, em 1973, os países árabes pertencentes à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em solidariedade aos povos árabes da Palestina, aumentaram em 300% o preço do barril do petróleo, advertindo, com esta atitude, os aliados ocidentais de Israel.

Invasão anglo-americana sobre o Iraque: Após os ataques terroristas às Torres Gêmeas do World Trade Center em setembro de 2001, atribuídos ao grupo terrorista Al-Qaeda, orientado pelo saudita Osama Bin Laden, o governo norte-americano, comandado por George W. Bush, defendeu a execução de uma política externa orientada para ataques preventivos contra os supostos países fabricantes de armas químicas e de destruição em massa. Acusando o governo iraquiano de desenvolver as supostas armas e, com elas, alimentar as células do terrorismo internacional, Estados Unidos e Inglaterra decidiram, em 20 de março de 2003, sem a devida autorização do Conselho de Segurança da ONU, promover a queda do governo de Saddam Hussein. No entanto, apesar da rápida operação militar, não foram encontradas as supostas armas de destruição em massa que haviam justificado a invasão do estado iraquiano.

A independência das colônias africanas: A ação das potências europeias sobre a região africana nunca foi passivamente admitida por parte das nações do continente, que sempre ofereceram resistência à dominação estrangeira. Em 1963, com a criação da Organização para a Unidade Africana (OUA), defendeu-se a erradicação total do colonialismo no continente. Na Argélia, o movimento nacionalista Frente de Libertação Nacional (FLN), fundado em 1947, defendeu a guerra de guerrilha como forma de assegurar a independência do território frente ao domínio francês. Em Angola, o médico Agostinho Neto chegou ao poder; em Moçambique, destacou-se o movimento guerrilheiro da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).

Regime de Apartheid: A partir de 1948, o regime segregacionista consolidou-se juridicamente no país quando o Partido Nacional, comandado pelos "Africâneres", instituiu o código de leis definido como Apartheid, discriminando oficialmente os elementos de origem negra na África do Sul. Da ala jovem associada a esse grupo político emergiu, na década de 1940, a liderança do advogado Nelson Mandela.

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