Índices de Liquidez e Endividamento: Análise Financeira

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Ao analisar comparativamente as demonstrações financeiras de vários períodos, é possível verificar a evolução da situação financeira da empresa.

Os quocientes ou índices correspondem à técnica de análise das demonstrações financeiras mais utilizada, tendo como principal característica fornecer uma visão geral da situação financeira e econômica de uma empresa, possibilitando a construção de um diagnóstico de avaliação empresarial.

Basicamente, os quocientes são a principal técnica de análise das demonstrações financeiras. Com essa habilidade, é possível obter uma visão financeira geral da empresa, possibilitando construir um diagnóstico de avaliação empresarial.

  • Não existe uma quantidade ideal de índices, mas sim um conjunto de quocientes que permitam identificar a situação da organização.
  • É importante relacionar os índices com os de outras empresas e também com a média do setor em que ela atua.
  • A periodicidade da análise de demonstrações financeiras dependerá dos objetivos do analista. Para fins externos, o cálculo semestral ou anual basta. Porém, para a análise interna, alguns índices merecem acompanhamento mensal ou intervalos mais curtos, dependendo do nível de criticidade e do sinal de alerta do índice.

Índices de Liquidez

Os quocientes deste grupo procuram avaliar a capacidade da empresa de pagar as contas, a partir do cruzamento de informações entre os grupos e subgrupos de contas do ativo com os grupos de contas do passivo.

A liquidez pode ser analisada em vários níveis (se a empresa pode pagar suas contas em curto, médio e longo prazo).

Legendas:

  • CP: Curto Prazo
  • R: Resultado
  • Form: Fórmula
  • Sig: Significado
  • Int: Interpretação

Liquidez Imediata

  • Form: Disponibilidades / Passivo Circulante = R
  • Sig: Quanto a empresa tem disponível (imediatamente) para cada R$ 1,00 de dívida a CP.
  • Int: Quanto maior, melhor. É satisfatório entre 0,15 e 0,25.

Sobre a liquidez imediata: quando a empresa guarda dinheiro em caixa acima do que precisa, ela perde rentabilidade, pois não está investindo, recebendo juros e correção monetária. Em períodos inflacionários, também não é recomendado deixar dinheiro em caixa, pois perde poder aquisitivo.

Liquidez Corrente

  • Form: Ativo Circulante / Passivo Circulante = R
  • Sig: Quanto a empresa possui no ativo circulante (bens e direitos de curto prazo) para cada R$ 1,00 de dívida a CP.
  • Int: Quando a liquidez corrente for superior a 1, o excesso representa a existência de Giro Líquido / Capital Circulante Líquido, calculado como: Ativo Circulante - Passivo Circulante = R.

Liquidez Seca

  • Form: (Ativo Circulante - Estoque) / Passivo Circulante = R
  • Sig: O quanto a empresa possui no ativo circulante sem considerar estoques para cada R$ 1,00 de dívida a curto prazo.
  • Int: Quanto maior, melhor.

Este índice procura medir o grau de excelência da situação da empresa. Entretanto, suas conclusões podem não ser precisas em razão disso, não sendo muito utilizado e dependendo mais do "feeling" do analista.

Liquidez Geral

  • Form: (Ativo Circulante + Ativo Realizável Longo Prazo) / (Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo) = R
  • Sig: O quanto a empresa possui no ativo circulante e realizável em longo prazo (bens e direitos de curto e longo prazo) para cada R$ 1,00 de dívida a curto e a longo prazo.
  • Int: Quanto maior, melhor. Não deve ser inferior a 1.

Índices de Endividamento

Os quocientes deste grupo procuram mostrar as decisões financeiras em termos de origens de recursos (terceiros ou próprios) e aplicações de recursos.

Procuram apresentar a posição do capital próprio com relação ao capital de terceiros, indicando ou não a dependência da empresa em relação ao capital de terceiros.

Podem ser representados em forma de quociente, mas geralmente aparecem na forma de %.

Endividamento Total

  • Form: (Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo) / Ativo Total * 100 = R%
  • Sig: Qual é a porcentagem do ativo total que está sendo financiada pelo capital de terceiros (Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo). Representa o quanto de obrigação a empresa tem para cada real de seu ativo total.
  • Int: O parâmetro variará em função do ramo da empresa. Entretanto, quando o endividamento chega em 50%, é motivo de preocupação.

Quando a taxa das despesas financeiras for reduzida em relação à taxa de retorno obtida, haverá interesse da empresa em elevar o endividamento, desde que o nível não ultrapasse a normalidade. Tradução: Se a empresa receber mais do que gasta, terá interesse em "investir", ou seja, endividar-se. Caso ultrapasse a normalidade, reduz a segurança dos capitais aplicados por terceiros na empresa, podendo sofrer restrições e elevando suas dificuldades para conseguir empréstimos a taxas melhores.

Participação do Capital de Terceiros

  • Form: (Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo) / Patrimônio Líquido * 100 = R%
  • Sig: O quanto a empresa tomou do capital de terceiros para cada R$ 100 de capital investido.
  • Int: Quanto menor, melhor. Índice muito utilizado para apresentar a posição da empresa com relação ao capital de terceiros.

Garantia para Capitais de Terceiros

  • Form: Patrimônio Líquido / (Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo)
  • Sig: O quanto há de capital próprio para garantir os capitais de terceiros.
  • Int: Quanto maior, melhor. Quando o índice for maior que 1, significa que o capital próprio é maior que o de terceiros; quando for igual, é igual, e assim por diante.

Composição do Endividamento

  • Form: Passivo Circulante / (Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo) * 100 = R%
  • Sig: O percentual de dívidas a curto prazo em relação às dívidas de longo prazo.
  • Int: Quanto menor, melhor. Quando se trata de empresas em expansão, seu endividamento concentra-se no passivo a longo prazo, pois à medida que aumenta suas atividades operacionais, aumenta também as condições de pagamento de suas dívidas.

Imobilização do Patrimônio Líquido

  • Form: Imobilizado / Patrimônio Líquido * 100 = R%
  • Sig: O quanto a empresa aplicou no imobilizado para cada R$ 100 de Patrimônio Líquido (Capital Próprio).
  • Int: Quanto menor, melhor.

Quanto maior o índice, menos recursos próprios sobrarão para serem investidos no ativo circulante, o que significa maior dependência do capital de terceiros para financiamento do ativo circulante, ativo realizável a longo prazo, investimentos e intangível. O objetivo principal é que a empresa tenha um patrimônio líquido superior ao ativo imobilizado, sobrando uma parcela chamada de Capital Circulante ou Giro Próprio para que ela consiga comprar e vender sem a necessidade de ajuda de terceiros no mercado financeiro.

Justificativa para Manter Disponibilidades

  1. Transações: Saldos em caixa são necessários nas operações correntes dos negócios. Os pagamentos são feitos em dinheiro e os recebimentos são depositados no caixa. Os saldos em caixa associados a cobranças rotineiras são conhecidos como saldos de transações.
  2. Compensação aos bancos pelo fornecimento de recursos: Bancos ganham dinheiro com empréstimos. Esse tipo de saldo é conhecido como reciprocidade.
  3. Administração de contas a receber: As duplicatas a receber se originam das vendas de serviços (itens e coisas). Quando uma empresa vende a prazo, aumenta seu volume de vendas, otimiza a produção e aumenta os lucros.

Desconto de duplicatas: Nesse tipo de operação, a empresa obtém o dinheiro de um banco cujo prazo é igual à distância entre o momento em que a empresa recebe o valor efetivo emprestado e o momento em que deveria ter à sua disposição os fundos envolvidos.

Empréstimos bancários em conta corrente: Linha de crédito, onde o banco comercial se compromete a conceder um crédito em uma conta corrente que pode ser movimentada à vista.

Crédito direto ao consumidor: É indiretamente uma fonte de recursos, uma vez que, ao facilitar a compra de um bem durável para um consumidor, o mercado financeiro indiretamente financia e contribui para a sustentação de um maior volume de vendas por parte das empresas produtoras.

Crédito Mercantil: Fonte espontânea de recursos onde a empresa utiliza serviços de mão de obra ou obtém assistência de terceiros sem pagar o valor correspondente na hora.

Financiamentos a médio e longo prazos dividem-se em:

  • Recursos de Terceiros (Fundos Especiais de Instituições Públicas): (Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica). Esses recursos estão relacionados à obtenção de recursos de terceiros a prazos superiores a 6 meses devido à atuação de programas geridos por instituições governamentais.
  • Recursos Captados no Exterior.
  • Debêntures: Títulos de dívida, cuja venda permite à empresa a obtenção de financiamento geral. São emitidas a longo prazo, sendo ao portador ou nominativas. Os títulos dão direito ao comprador de receber juros, correção monetária viável, e o valor nominal na data de resgate prevista (Não tem IOF).

Recursos Próprios: Para se conseguir recursos próprios externos à empresa, aumentando o capital social, é feito o lançamento de ações ao público. Esse lançamento deve ser registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ser feito através de uma ou mais instituições financeiras escolhidas pela empresa.

Exemplo de Análise Vertical

Form: Conta / Ativo ou Passivo Total * 100

Partindo do ativo total da empresa em cada ano, observa-se um decréscimo (menor participação relativa) gradativo dos investimentos de curto prazo (ativo circulante), os quais passaram de 54,66% em 2010, para 51,36% em 2011, e 44,72% em 2012. Nas aplicações de longo prazo (realizável e permanente), ocorre a situação inversa – elas se elevam nos períodos considerados. Evidencia-se, mediante esses resultados, a preferência (ou necessidade) da empresa por ativos de longo prazo (imobilizações) em detrimento dos de curto prazo (liquidez).

Como contrapartida dessa situação, é de se esperar que a empresa tenha optado também por maior participação de recursos permanentes em sua composição passiva como forma de financiar suas aplicações mais elevadas em ativos de longo prazo. No entanto, ao se avaliar a estrutura (composição) do passivo da empresa, denota-se evolução na participação em seu financiamento de curto prazo (passivo circulante), o qual de 41,67% em 2010 passou a financiar 43,55% das aplicações totais processadas no ativo em 2012.

Exemplo de Análise de Liquidez

Com base nos balanços patrimoniais dos períodos de 2002 a 2005 da empresa ABC LTDA, foram realizados cálculos dos indicadores de liquidez com o intuito de se verificar a situação econômica e financeira da empresa.

Observa-se que, em todos os períodos, com exceção de um único dado de liquidez corrente em 31/12/2013 (1,01), os índices estão abaixo da média 1 (negativos), o que indica que a empresa não teria capital disponível suficiente para pagar suas obrigações, caso fosse preciso. O maior valor do índice de liquidez imediata foi em 2004, chegando a 0,37, e logo regrediu em 31/12/2005 para 0,16. O pico da liquidez seca foi em 2003 com 0,86, e o da liquidez geral também foi em 2003 com 0,87. O único período em que houve um índice com valor superior a 1 e que a empresa possivelmente tinha dinheiro em caixa foi o índice corrente de 2003, onde a empresa conseguiu chegar a 1,01.

A empresa ABC está passando por sérios problemas financeiros, sem capital disponível para quitar suas obrigações, como representado pelo último período (31/12/2005) em todos os índices. Percebe-se que a empresa vendeu parte do seu imobilizado para ajustar as receitas a longo prazo, pois este consistia de 112,99% em 2002, porém em 2003 consistia em 81,27%.

Exemplo de Análise de Endividamento

Com base nos balanços patrimoniais dos períodos de 2002 a 2005 da empresa ABC LTDA, foram realizados cálculos dos indicadores de endividamento a fim de verificar a situação econômica e financeira da empresa.

Foi constatado, através da leitura dos cálculos acima (Tabela 2), que a empresa possui um alto grau de endividamento, uma vez que a taxa de uso de Capital de Terceiros (PCT) foi alta, atingindo o percentual de 159,29% no ano de 2004.

Partindo dos índices apresentados, pode-se constatar que a empresa está trabalhando muito com o curto prazo, porém não existe receita suficiente para pagar suas dívidas desse tipo de lançamento.

É indicado, portanto, que a organização gere caixa através da “queima” de estoque e diminua suas dívidas no curto prazo. A fim de evitar o endividamento total, é recomendado que a empresa reorganize seu setor de compras com ordens de negociar para que o pagamento pela venda de mercadorias passe a ser à vista ou para 30, 60 ou até 90 dias. Além de negociar com seus fornecedores para que a matéria-prima seja paga a longo prazo.

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