Início da vida, aborto, esterilização e ética

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3) As diferentes teorias a respeito do início da vida humana

São 4:

  1. 1) O momento da fecundação: origem do genótipo

    O óvulo fecundado traz em si as características essenciais do futuro ser humano. Ali já se encontra o código genético original e irrepetível.

  2. 2) O momento de uma possível segmentação

    Um óvulo fecundado nem sempre continua único: pode sofrer uma divisão, dando origem a uma outra nova vida (os gêmeos).

  3. 3) O momento da nidificação

    Ao implantar-se no útero materno, o óvulo fecundado encontra seu habitat natural.

  4. 4) Formação do córtex cerebral

    As manifestações características do ser humano são a consciência, a capacidade de autorreflexão, o pensamento e a capacidade de decidir movido por razões. Ora, todas essas funções requerem como substrato não apenas um cérebro, em termos gerais, mas o córtex cerebral, responsável por elas.

4) Esterilização: quando é eticamente aceitável?

Quando a preocupação fundamental volta-se para um cuidado responsável com a saúde das pessoas ou para a salvação do matrimônio (que influi sobre a saúde geral de todas as pessoas interessadas), a esterilização encontra sua justificação em motivos éticos válidos. No caso, pois, em que um médico competente chega à decisão, de acordo com sua paciente, de que, para esta pessoa, uma nova gravidez deva ser definitivamente evitada porque seria um ato extremamente irresponsável, e, por outro lado, a esterilização, do ponto de vista médico, se apresenta como a melhor terapêutica possível, neste caso a esterilização não pode ser definida como contrária aos princípios éticos da medicina, e muito menos como contrária à "lei natural".

5) Aborto: problemas éticos, sociais, legais e religiosos

Questionamentos éticos

Uma decisão individual de fazer o aborto numa situação angustiada pode constituir um acontecimento trágico. Mas tornar o aborto parte de um planejamento ou até direito do cidadão vai questionar o dever do Estado de proteger a vida dos cidadãos, o dos médicos de colocar-se a serviço da vida, além de reduzir a mulher a objeto de exploração sexual.

Problemas legais e sociais

A necessária distinção entre ética e direito pode levar à não punição, por parte do poder público, em alguns casos de aborto.

É preciso combater a raiz social do aborto: política familiar, habitacional, sanitária e trabalhista.

Problemas religiosos

A Igreja Católica expressa a sua doutrina a respeito com uma formulação que foi se formando no decorrer do tempo. O aborto provocado diretamente é ilícito, mas o aborto indireto é lícito. Segundo essa doutrina oficial, aborto indireto é o derivado da extirpação de um útero canceroso durante a gravidez ou da eliminação de um feto ectópico (gravidez tubária) que constitui um grave perigo para a mãe. Os abortos diretos, ao contrário, são provocados por motivos eugenésicos (anomalia do feto), por problemas familiares ou sociais e por diversos outros motivos sociais.

6) Pena de morte: argumentos a favor e contra

A favor

Os defensores da pena de morte baseiam-se no princípio ético da "totalidade", pelo qual sacrifica-se uma parte para salvar o todo. Neste caso, o "todo" é a sociedade e a "parte" é o injusto agressor que ameaça gravemente a paz social (por exemplo, um assassino).

Contra

Aqueles que sustentam opinião contrária à pena de morte trazem estas motivações:

  • Muitos tribunais já condenaram à morte pessoas inocentes.
  • A delinquência é mais fruto da falta de educação do que de simples maldade: os poderes públicos e o ambiente social são os principais responsáveis por essa falta de educação.
  • A pena de morte seria aplicada com maior facilidade aos pobres do que aos ricos.
  • Nos países onde existe a pena de morte, a criminalidade nem sempre diminuiu.

7) Eutanásia, ortotanásia e distanásia: distinção

  • Eutanásia positiva: supressão indolor da vida, voluntariamente provocada.
  • Eutanásia negativa: suspensão de um tratamento a que o paciente tem direito.
  • Ortotanásia: o direito de morrer em paz.
  • Distanásia: prolongamento desnecessário e antiético do processo da morte às custas da perda da consciência e da liberdade.

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