INTERFERÊNCIA CONSTRUTIVA E DESTRUTIVA
Na seção seguinte falaremos sobre a difração de raios-X em cristais. Antes disso, precisamos explicar o que é difração. E pára explicar o que é difração, precisamos dizer como uma onda interfere com outra onda. A figura ao lado mostra o que chamamos uma onda bem comportada, onda dos físicos. É um padrão de altos e baixos que se sucedem e se deslocam em conjunto. Vemos algumas das carácterísticas de uma onda. O comprimento de onda, designado pela letra grega lambda, mede o comprimento do padrão que se repete. A amplitude A mede o tamanho de cada máximo da onda. A velocidade v mede a distância percorrida pelo padrão em uma unidade de tempo. Se essa onda representasse uma onda de luz visível o comprimento de onda teria algum valor entre 0,00045 centímetros (luz violeta) e 0,00075 centímetros (luz vermelha). |  |
Existe outra propriedade de uma onda, a fase, que é melhor de entender se a gente olhar duas ondas ao mesmo tempo. Na figura ao lado, as ondas (1) e (2) têm a mesma amplitude, o mesmo comprimento e a mesma velocidade, mas, a onda (2) está adiantada em relação à onda (1). Pára distinguir uma da outra, dizemos que elas têm fases diferentes. A fase de uma onda, normalmente, é apresentada como um ângulo, mas, vamos medí-lá aqui como uma distância. Diremos, então, que as ondas (1) e (2) têm uma diferença de fase de /4, isto é, de um quarto do comprimento de onda. Quase sempre o importante é a diferença de fase entre duas ou mais ondas; o valor da fase de cada uma delas não interessa. |  |
| Quando duas ondas resolvem ocupar a mesma região do espaço dá-se o que chamamos de interferência. O resultado da interferência entre duas ondas depende da diferença de fase entre elas. Na figura (A), vemos duas ondas, uma pintada de azul e a outra, de vermelho, praticamente coincidentes. As duas têm a mesma amplitude, o mesmo comprimento e a mesma fase; a diferença de fase entre elas é zero. Nesse caso, a interferência é chamada de construtiva: uma onda soma-se à outra e o resultado é uma única onda cuja amplitude é a soma das duas amplitudes. |  |
| Na figura (B), as duas ondas têm uma diferença de fase de meiolambda. Isso faz com que um alto de uma delas coincida com um baixo da outra. Acontece, então, uma interferência destrutivaentre elas. O resultado é que uma anula completamente o efeito da outra. Nessa região não haverá mais onda nenhuma. |  |
| Na figura (C), as duas ondas têm uma diferença de fase genérica. A interferência entre elas não é totalmente construtiva nem totalmente destrutiva. O resultado é uma onda única cuja amplitude tem qualquer valor entre zero e a soma das amplitudes das ondas, dependendo da diferença de fase entre elas. Déu pára entender? |  |
| E a difração? A difração é, em última análise, uma interferência entre várias ondas. No caso que nos interessa, a difração de raios-X, veremos que a interferência será causada por diferenças de fases entre as ondas causadas por diferenças nos caminhos que elas percorrem. Elas começam em fase, tudo direitinho, mas, por razões que veremos a seguir, umas se atrasam das outras, surgindo uma diferença de fase entre elas. Por causa dessa diferença de fase elas interferem entre si. Veja mais detalhes na seção seguinte. |