A Intersecção entre Filosofia e Teologia em Tomás de Aquino e Agostinho

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A abordagem de Tomás de Aquino parte da singularidade para chegar a conceitos mais abstratos. O autor busca elementos para consolidar a fé; esta não pode ser baseada em sentimentos e afetos. O teólogo alcança o processo de síntese entre filosofia e teologia. Aquino entende que devemos aspirar e contemplar a Deus como intelecto e investigar pela razão. Portanto, a filosofia é um estudo que segue a fé.

O raciocínio da conveniência parte do pressuposto de que Deus atua de maneira ordenada. Todos os eventos e coisas contingentes e necessárias possuem uma estrutura que pode ser conhecida. Tudo que é criado por um Ser ordenado pode apontar para uma estrutura ordenada, passível de conhecimento. A Encarnação do Filho evidencia a presença do Pai; o Filho mostra a Face do Pai e assim o faz na sua vida, magistério, morte e ressurreição (materialidade).

No texto De Magistro, compõem-se quatro artigos:

  1. Se o homem - ou somente Deus - pode ensinar e ser chamado de mestre: Tomás de Aquino explora a fonte do conhecimento e da sabedoria. Ele questiona se o ensino e a capacidade de ser um mestre vêm apenas de Deus ou se os seres humanos também podem ser mestres. Para o autor, tanto Deus quanto o professor podem ser chamados de mestres pelo fato de que ambos ensinam.
  2. Se se pode dizer que alguém é mestre de si mesmo: Aborda a capacidade do indivíduo de adquirir conhecimento e sabedoria por conta própria. O autor investiga se alguém pode ser seu próprio mestre ou se a educação requer orientação externa.
  3. Se o homem pode ser ensinado por um anjo: Neste artigo, Aquino levanta questões sobre a comunicação entre os seres humanos e como os anjos podem influenciar o conhecimento e a aprendizagem humanos.
  4. Se ensinar é um ato da vida ativa ou da vida contemplativa: No último artigo, Aquino discute se o ato de ensinar está mais relacionado ao envolvimento prático no mundo ou à reflexão e contemplação. Ele explora como o ato de ensinar se encaixa na vida de uma pessoa e como se relaciona com diferentes aspectos da existência humana.

Para Agostinho, a interpretação da lei não pode ser meramente dogmática. Agostinho chama a atenção para a compreensão teórica do mistério da Encarnação como fundamento da moral. O autor argumenta que a interpretação das Escrituras é essencial para uma compreensão profunda da verdade cristã e para a prática de uma vida moralmente justa.

Agostinho propõe na doutrina cristã formular dois aspectos importantes: dogmático e moral. Todo conhecimento diz respeito aos sinais, as coisas, de modo que é necessário distinguir o conhecimento das coisas e dos sinais. As coisas são reais, e a suprema coisa é Deus. O sinal é aquilo que provoca impressões sobre os nossos sentidos. Neste caso, Agostinho compreende nas Escrituras os sinais da Trindade. Fato que mostra como é preciso interpretar corretamente os textos.

Agostinho destaca a necessidade de distinguir entre o conhecimento das coisas reais e o conhecimento dos sinais. Por essa razão, parte do princípio de que a cultura formativa deve ser imposta; é preciso oferecer orientação, cultivar a busca pela verdade e aprofundar a compreensão da fé e do conhecimento.

Para Agostinho, a ciência não é um fim em si mesma. O autor via a busca pelo conhecimento, incluindo a ciência, como um meio de se aproximar de Deus e fortalecer a fé. Na compreensão do autor, só se pode aprender as regras por meio de um mestre. O aprendizado ocorre não apenas individualmente, mas também através da interação e do compartilhamento de conhecimento com outras pessoas.

Sobre a inteligência, o autor compreende que não é apenas uma capacidade cognitiva, mas também uma ferramenta importante na busca da verdade, na compreensão espiritual e no relacionamento com Deus. Agostinho procura entender a maneira de descobrir o que é e depois se interroga em como expor o que é, uma vez entendido.

O autor busca não apenas entender as verdades, mas também encontrar maneiras de expor essa verdade, reconhecendo as limitações da linguagem.

Para refutar os céticos, Agostinho apresentou verdades irrefutáveis: eu sou, eu existo. Há uma certeza que o autor apresenta, a certeza do cógito. A evidência da existência é a melhor resposta para o problema do conhecimento. Agostinho utiliza esse raciocínio para defender a possibilidade de conhecimento e refutar a posição cética de que o conhecimento é inatingível.

Agostinho diz que o homem existe, vive e pensa. A partir dessas verdades, ele elabora três níveis na teoria do conhecimento. Ele destaca que o ser humano possui uma existência real e viva, com a capacidade de pensar e refletir sobre sua própria existência e sobre o mundo ao seu redor.

Agostinho argumenta que a existência do ser humano é uma evidência da obra de Deus, pois a vida, o pensamento e a capacidade de compreender são dons divinos. O autor busca destacar as falhas lógicas e as contradições internas no ceticismo acadêmico. Ele critica a posição cética de que o conhecimento é inatingível e defende a possibilidade de alcançar a sabedoria e a verdade.

Assim, Agostinho estabelece a possibilidade de conhecer e chegar à verdade. O conhecimento é gradativo e vai chegando ao seu objeto de contemplação: Deus. Para refutar os céticos, apresentou verdades irrefutáveis: eu sou, eu existo. Há uma certeza que o autor apresenta, a certeza do cógito. A evidência da existência é a melhor resposta para o problema do conhecimento.

Agostinho chama a atenção para colocar o itinerário do filósofo como aquele que se põe a caminho para Deus. O cogito afirma a possibilidade do conhecimento, uma condição possibilitada pela filosofia. A filosofia é aquela que dará possibilidade para o indivíduo alcançar algum meio de conhecimento seguro.

Neste caso, a função do cógito é respaldar certezas alcançadas pela filosofia, servindo como um ponto de partida ou uma base sólida para estabelecer certezas ou verdades indubitáveis. Agostinho procurou estabelecer uma evidência racional. O filósofo deve conhecer a realidade inteligível para que a alma possa se autoconhecer. Ao conhecer a si mesma, a alma se aproxima de Deus e de sua própria natureza. Agostinho acreditava que o conhecimento de si mesmo e o conhecimento de Deus estavam interligados.

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