Invasões Francesas, Liberalismo e Reformas Pombalinas
Classificado em História
Escrito em em português com um tamanho de 4,14 KB.
As Invasões Francesas foram um marco determinante na história de Portugal, representando o início da decadência do Antigo Regime e a introdução de ideias liberais. A transição do século XVIII para o XIX foi marcada por profundas transformações políticas, económicas e sociais, que culminaram na Revolução Liberal de 1820.
Internamente, Portugal enfrentava uma grave crise política, económica e social. O poder absolutista mostrava sinais de desgaste, enquanto o país se encontrava dependente economicamente do Reino Unido. Externamente, as Guerras Napoleónicas e as sucessivas invasões francesas (1807, 1809 e 1810) desestabilizaram o reino, obrigando a família real a refugiar-se no Brasil em 1808, o que reforçou a fragilidade do governo em Lisboa.
O ideário liberal, influenciado pela Revolução Francesa e pela Independência dos Estados Unidos, começou a difundir-se em Portugal, especialmente entre a elite militar e intelectual. A ocupação francesa e o contacto com outras nações europeias contribuíram para a disseminação de valores como a liberdade e a igualdade, que contrastavam com o absolutismo vigente.
A ausência da Corte no Brasil também abriu espaço para questionamentos acerca da soberania e da administração do território português.
A Revolução de 1820 foi o resultado de diversos fatores, como a crise económica, o descontentamento militar e a influência das ideias liberais. Este movimento exigia o regresso da família real, a convocação das Cortes e a criação de uma Constituição que garantisse direitos e liberdades aos cidadãos.
A Constituição de 1822 foi um marco histórico, introduzindo princípios como a separação de poderes e a soberania popular. Contudo, a sua aplicação enfrentou fragilidades, como a oposição dos setores absolutistas e a instabilidade política. A divisão entre liberais e absolutistas comprometeu a consolidação do liberalismo, que enfrentou resistência tanto na sociedade como entre as elites políticas.
União Ibérica (1580-1640)
Entre 1580 e 1640, Portugal e Espanha estiveram unidos sob uma monarquia compósita, mas essa aproximação foi precedida por diversos condicionalismos ocorridos na primeira metade do século XVI. Os laços dinásticos desempenharam um papel central, com casamentos frequentes entre membros das famílias reais dos dois países, como o de D. Manuel I com as princesas Isabel e Maria de Castela e o de D. João III com Catarina de Áustria, irmã de Carlos V. Além disso, a expansão ultramarina aproximou os dois reinos, uma vez que ambos eram potências marítimas e estabeleceram o Tratado de Tordesilhas em 1494, que definia as suas zonas de influência, permitindo uma convivência relativamente pacífica.
Outro fator relevante foi a convergência de interesses económicos e políticos, como o comércio e a defesa contra inimigos comuns, nomeadamente o Império Otomano e as ameaças protestantes no norte da Europa. Essa proximidade, embora marcada por rivalidades, criou as condições que facilitaram a união dinástica em 1580, após a crise de sucessão em Portugal.
Reformas Pombalinas
O Marquês de Pombal, influenciado pelos princípios do despotismo esclarecido, realizou profundas reformas durante o reinado de D. José I, com o objetivo de modernizar o Estado e fortalecer o poder régio. Na esfera económica, criou companhias comerciais, como a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão e a Companhia de Vinhos do Alto Douro, para promover a economia e regular o comércio. No campo educacional, expulsou os jesuítas e fundou o Real Colégio dos Nobres, visando formar uma elite mais alinhada com as ideias iluministas. Pombal centralizou a administração pública, reorganizou o sistema fiscal e introduziu novos impostos para aumentar as receitas do Estado. Além disso, promoveu reformas sociais e judiciais, como a abolição da escravatura em Portugal continental, a modernização das prisões e o combate à mendicância. Apesar de importantes, essas medidas enfrentaram resistência, pois combinavam progresso com um caráter autoritário e repressivo, típico do despotismo esclarecido.