John Locke: Contexto e Pensamento Político
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Contexto Histórico e Cultural de Locke
O século XVII na Europa foi marcado pela consolidação do absolutismo, mas também por uma grande crise na economia capitalista, devido a guerras e à diminuição progressiva do poder da aristocracia. A burguesia aproveitou a situação para obter maior poder político. A secularização ganhava terreno, e o clero perdia influência na política. Foi um período de revolução, com destaque para a **Revolução Gloriosa** na Inglaterra em 1688.
Defendia-se o parlamento, ligado à defesa das liberdades públicas no âmbito religioso e econômico. As monarquias absolutistas perdiam terreno. Na primeira metade do século XVII, a Inglaterra foi governada pela dinastia Stuart. De 1642 a 1648, desenvolveu-se uma guerra civil entre os parlamentares e os monarquistas, que foram derrotados. Isso levou à proclamação da República (1649-1660), que se transformou em uma ditadura pessoal de Oliver Cromwell. Após sua morte, seu filho foi incapaz de manter o poder, e a dinastia Stuart retornou.
A **Revolução Gloriosa** de 1688 estabeleceu uma monarquia parlamentar e constitucional. Em 1689, foi promulgada a **Declaração de Direitos**, que serviu de inspiração para a Declaração de Independência dos EUA e para a Declaração dos Direitos do Homem. O triunfo da revolução trouxe liberdades políticas, religiosas e mais benefícios econômicos para a burguesia e para a Igreja Anglicana. A Inglaterra tornou-se uma grande potência comercial, política e científica, precursora do **Iluminismo** na Europa continental.
O pensamento político britânico do século XVII antecipou as características do Iluminismo. Uma nova escala de valores sociais foi redefinida, divulgada e estendida a todos, baseada nos princípios do racionalismo filosófico e do naturalismo. **Locke** pode ser considerado o primeiro iluminista, por invocar a razão humana e o desejo de torná-la a lei suprema da vida humana. O Iluminismo inglês e o francês apresentam diferenças. Na Inglaterra, a figura proeminente do Iluminismo foi **Hume**.
Contexto Filosófico de Locke: O Empirismo
O **empirismo**, corrente filosófica que afirma que a origem e o valor do nosso conhecimento dependem da experiência, desenvolveu-se entre os séculos XVII e XVIII, na Europa continental, opondo-se ao **racionalismo**. Seus antecedentes estão nas universidades medievais de Paris e Oxford (onde estudaram **Bacon** e **Ockham**), precursores do empirismo inglês. Em Cambridge, predominava o platonismo renascentista.
O empirismo tem como teses fundamentais:
- A origem do conhecimento é a experiência.
- Não existem ideias inatas.
- Há experiência externa e experiência interna.
- Os limites do conhecimento humano (diferente do racionalismo, que defende que a razão não tem limites).
- Todo conhecimento é conhecimento de ideias, idêntico à percepção.
- O pensamento é a ligação entre ideias.
- Nova concepção de razão, diferente da racionalista: é limitada e depende da experiência prática, analisa seus próprios limites e possibilidades (pensamento crítico).
Pensamento Político Inglês
Os defensores e críticos do absolutismo concentravam-se principalmente na política. Na Renascença, o pensamento utópico encontrou em **Thomas More** um de seus principais representantes. No século XVI, **Hooker** fez a distinção entre direito natural e direito positivo, que influenciaria **Locke**. A lei natural é intrínseca ao ser, enquanto a positiva é definida pelo governo.
Durante a Guerra Civil, o poeta **John Milton** incorporou ideias republicanas que inspiraram **Locke** em sua defesa da rebelião, caso as instituições não cumprissem suas responsabilidades. **Locke** criticou a defesa do absolutismo feita por **Robert Filmer** e delineou sua própria teoria política.
Influências no Pensamento de Locke
- Thomas More e o pensamento utópico.
- Hooker e a distinção entre direito natural e positivo.
- John Milton e a defesa da rebelião.
Críticas de Locke
- Robert Filmer e a defesa do absolutismo.