Kant: Conhecimento, Experiência e Formas a Priori

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Não há dúvida de que todo o nosso conhecimento começa com a experiência. Mas onde estaria o poder de conhecer, se não houvesse a faculdade que desperta para os objetos que atingem os nossos sentidos e representações? Ao serem dadas as impressões sensíveis, posta em movimento a nossa capacidade intelectual, que as compara, liga ou separa e desenvolve, a partir da matéria‑prima de impressões sensíveis, o conhecimento de objetos chamados 'experiência'. Portanto, na ordem temporal em nós, nenhum conhecimento precede a experiência e todo o conhecimento começa com ela. (...) Mas, embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência, nem todo ele se origina da experiência. Pode ser que o nosso conhecimento seja composto daquilo que percebemos através das impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecer (por ocasião das impressões dos sentidos apenas) acrescenta. Crítica da Razão Pura, Kant

Com efeito, segundo Kant, para reconstruir o conhecimento é necessário:

  1. A estrutura de nossa 'razão', que é independente da experiência;
  2. Um material moldável. A estrutura da razão será responsável pelo desenvolvimento. Nem 'conceitos sem intuição', nem 'intuições sem conceitos' podem dar conhecimento — porque, como Kant afirma, "pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas". Crítica da Razão Pura, Kant

Assim, a composição do conhecimento é composta por:

  1. Formas puras da sensibilidade (intuição pura): o espaço e o tempo;
  2. Categorias puras do entendimento: conceitos como substância, causalidade, unidade, pluralidade, etc.

De acordo com esse esquema, entende‑se que o tempo, o espaço e as categorias são apenas ferramentas ou moldes a partir dos quais o sujeito elabora o mundo dos objetos. A matéria‑prima em que a razão atuará são as impressões ou sensações, que constituem o conteúdo.

Coincide com o empirismo

Kant afirma, portanto, que, se se tentar conhecer apenas pelas formas a priori (isto é, apenas pelas formas do sujeito), sem matéria, tais formas seriam vazias e o conhecimento dos objetos não seria possível. É necessário que as 'ferramentas' tenham uma forma material. A origem desse material moldável é nada menos que a experiência; nesse sentido, Kant concorda com o empirismo ao sustentar que o conhecimento válido deve ser, dentro dos termos da experiência, o único possível para declarar a impossibilidade da metafísica no sentido tradicional. Assim, objetos como Deus ou a alma (objetos metafísicos) deveriam, para serem cognoscíveis, ser acessíveis à experiência.

Coincide com o racionalismo

Mas, apesar dessa aproximação ao empirismo, Kant observa que as opiniões por si só não são conhecimento. Sem a imposição das formas da razão (formas que não provêm das impressões, mas pertencem ao próprio sujeito), haveria apenas caos e desordem. Portanto, é necessária tanto a matéria sensível (experiência) quanto as formas a priori do sujeito para que se constitua o conhecimento.

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