Kant: Crítica da Razão Pura e Prática
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Crítica da razão pura
Teoria dos juízos:
- Juízo analítico a priori — é universal e necessário, mas não amplia o conhecimento acerca do sujeito (ex.: todo corpo é extenso). Por não ampliar o conhecimento, a ciência não pode se basear exclusivamente neles.
- Juízo sintético a posteriori — amplia sempre o conhecimento; normalmente é baseado na experiência (ex.: todo corpo é pesado). A ciência não pode se basear apenas neles, pois visa formular juízos universais e necessários.
- Juízo sintético a priori — o conhecimento verdadeiro deve se basear em um juízo que, ao mesmo tempo, acrescente algo de novo ao sujeito e seja universal e necessário (ex.: operação aritmética; juízos da geometria; juízos físicos).
A Crítica da Razão Pura tem por objetivo fundamentar os juízos sintéticos a priori; tais juízos garantirão o conhecimento verdadeiro tanto teórico quanto prático. Para conhecer, tanto nas ciências naturais como nas ciências práticas, é preciso partir de juízos sintéticos a priori.
Revolução Copernicana
Como descobrir juízos sintéticos a priori: até então havia-se tentado explicar o conhecimento supondo que o sujeito devia girar em torno do objeto. Kant inverteu os papéis supondo que é o objeto que deve girar em torno do sujeito — não é o sujeito que, conhecendo, descobre as leis do objeto, mas, ao contrário, é o objeto, quando conhecido, que se adapta às leis do sujeito.
Críticas
A Crítica da Razão Pura busca os juízos sintéticos a priori necessários ao conhecimento teórico, ou seja, o conhecimento das ciências naturais. A Crítica da Razão Prática busca os juízos sintéticos a priori necessários ao conhecimento prático, ou seja, o conhecimento da moral, ética, direito e política.
Analítica e Dialética transcendental
Analítica transcendental: 12 categorias derivadas das 12 formas do juízo (quantidade, qualidade, relação, modalidade). Dialética transcendental: Deus, alma, mundo.
Crítica da razão prática
A razão humana é teórica (capaz de conhecer) e prática (capaz de determinar a vontade no sentido da ação moral). A razão é suficiente por si só para mover a vontade. Kant busca um juízo sintético a priori que se aplica à razão prática.
Imperativo categórico
Imperativo categórico: "Age de modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre e, ao mesmo tempo, como princípio de legislação universal."
Liberdade e autonomia
Liberdade: a liberdade como autonomia é condição e fundamento da lei moral. Autonomia é a independência da vontade em relação a todo o exterior. Na autonomia, a vontade depende e é determinada apenas pelo dever — o contrário da heteronomia, quando a vontade é dirigida por fatores exteriores.
Esclarecimento
O que é esclarecimento? Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. Menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é culpado dessa menoridade quando a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. "Tenha coragem de fazer uso do teu próprio entendimento" — tal é o lema do esclarecimento (Sapere aude).
Dever e moral
Uma vez praticada a ação, para avaliar se é moral é preciso que:
- a ação seja de acordo com o imperativo categórico (IC);
- a motivação que está na base da ação seja determinada exclusivamente pelo IC — puro dever.
Direito
Direito: é a soma das condições sob as quais a escolha de alguém pode ser unida à escolha de outrem de acordo com uma lei universal da liberdade.
Princípio universal do direito
Princípio universal do direito: age externamente de modo que o uso livre do teu arbítrio possa coexistir com a liberdade de todos, de acordo com uma lei universal.