Kant vs Mill: Deontologia e Utilitarismo na Ética
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Se o arquiteto agir segundo Kant, não deve mentir em tribunal, mesmo que, ao fazê-lo, não receba o dinheiro nem a aprovação para o projeto de reconstrução; pois isso é contra a lei moral universal que dita a verdade em qualquer circunstância, constituindo uma ação contra o dever e, por isso, ilegal e imoral.
Formulações do Imperativo Categórico
1.ª Formulação
Age apenas segundo uma máxima (individual) tal que possas, ao mesmo tempo, querer que ela se torne universal (lei moral).
Significa que a regra particular (máxima) que seguimos deve poder ser aceite por todos os seres racionais — a universalização garante a independência do agente em relação aos seus interesses particulares.
2.ª Formulação
Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e nunca apenas como um meio.
Significa o reconhecimento do ser humano, enquanto pessoa, como um fim em si mesmo e nunca como um meio. É dizer não à instrumentalização do ser humano; é afirmar a dignidade. Esse reconhecimento do ser humano afirma a autonomia e a liberdade moral do agente: o homem é livre quando a sua vontade se submete às leis da razão.
Stuart Mill defende uma ética teleológica; considera que o valor moral das ações advém das suas consequências e não propriamente da ação em si. Segundo ele, a ação moral é determinada pelas consequências quando destas puder resultar a felicidade do maior número (princípio da maior felicidade). Esta felicidade é entendida como uma finalidade caracterizada pela ausência de dor e sofrimento. Para Mill, as consequências positivas da ação têm de superar as negativas, sendo este o principal critério para averiguar a moralidade das ações. Ao contrário de Mill, Kant defende uma ética deontológica: considera que o valor moral das ações advém da intenção. Segundo Kant, temos de nos submeter ao imperativo categórico, agindo de modo a que a nossa máxima particular se torne lei universal. Kant também defende que a ação moral é determinada pela intenção racional de cumprir o dever moral. Essas ações que cumprem as regras ou normas morais e que ocorrem por total respeito pela lei moral, por dever, decorrem de uma exigência puramente racional, uma intenção pura que é desinteressada — ou seja, que realiza as ações apenas por obediência ao dever e nunca por interesses pessoais. Trata-se de uma disposição para a personalidade e não para a animalidade. Kant propõe como ideal moral o esforço para transformar a vontade dividida e imperfeita numa vontade boa, isto é, numa vontade que se determina a agir por dever. | Imperativo Categórico"Age segundo uma máxima que possas querer que se torne lei universal" |
Imperativos hipotéticos |
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