Kant vs Mill: Deontologia e Utilitarismo na Ética

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Se o arquiteto agir segundo Kant, não deve mentir em tribunal, mesmo que, ao fazê-lo, não receba o dinheiro nem a aprovação para o projeto de reconstrução; pois isso é contra a lei moral universal que dita a verdade em qualquer circunstância, constituindo uma ação contra o dever e, por isso, ilegal e imoral.

No entanto, se optarmos por agir segundo a moral utilitarista de John Stuart Mill, o arquiteto deve mentir e ocultar as provas em tribunal, pois isso irá causar a felicidade do maior número, já que os habitantes ganham uma nova casa.

Formulações do Imperativo Categórico

1.ª Formulação

Age apenas segundo uma máxima (individual) tal que possas, ao mesmo tempo, querer que ela se torne universal (lei moral).

Significa que a regra particular (máxima) que seguimos deve poder ser aceite por todos os seres racionais — a universalização garante a independência do agente em relação aos seus interesses particulares.

2.ª Formulação

Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e nunca apenas como um meio.

Significa o reconhecimento do ser humano, enquanto pessoa, como um fim em si mesmo e nunca como um meio. É dizer não à instrumentalização do ser humano; é afirmar a dignidade. Esse reconhecimento do ser humano afirma a autonomia e a liberdade moral do agente: o homem é livre quando a sua vontade se submete às leis da razão.

Stuart Mill defende uma ética teleológica; considera que o valor moral das ações advém das suas consequências e não propriamente da ação em si. Segundo ele, a ação moral é determinada pelas consequências quando destas puder resultar a felicidade do maior número (princípio da maior felicidade).

Esta felicidade é entendida como uma finalidade caracterizada pela ausência de dor e sofrimento.

Para Mill, as consequências positivas da ação têm de superar as negativas, sendo este o principal critério para averiguar a moralidade das ações.

Ao contrário de Mill, Kant defende uma ética deontológica: considera que o valor moral das ações advém da intenção. Segundo Kant, temos de nos submeter ao imperativo categórico, agindo de modo a que a nossa máxima particular se torne lei universal. Kant também defende que a ação moral é determinada pela intenção racional de cumprir o dever moral.

Essas ações que cumprem as regras ou normas morais e que ocorrem por total respeito pela lei moral, por dever, decorrem de uma exigência puramente racional, uma intenção pura que é desinteressada — ou seja, que realiza as ações apenas por obediência ao dever e nunca por interesses pessoais. Trata-se de uma disposição para a personalidade e não para a animalidade.

Kant propõe como ideal moral o esforço para transformar a vontade dividida e imperfeita numa vontade boa, isto é, numa vontade que se determina a agir por dever.

Imperativo Categórico

"Age segundo uma máxima que possas querer que se torne lei universal"

Imperativos hipotéticos



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