Karl Marx: Ideologia, Falsa Consciência e Classes Dominantes
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A Ideologia como Naturalização da Realidade
A ideologia se caracteriza pela naturalização, na medida em que são consideradas naturais as situações que, na verdade, são produtos da ação humana e que são históricas, e não naturais. Por exemplo: dizer que a divisão da sociedade em ricos e pobres faz parte da natureza; ou que é natural que alguns mandem e outros obedeçam.
A ideologia é ilusória, não no sentido de ser "falsa" ou "errada", mas enquanto uma aparência que oculta a maneira pela qual a realidade social foi produzida. Isto é, sob a aparência da ideologia existe a realidade concreta que precisa ser descoberta pela análise da origem do processo de construção das ideias.
Karl Marx: Definições de Ideologia
Karl Marx define a ideologia em dois sentidos principais:
- I - Ideologia como Ilusão e Falsa Consciência: Equivale à ilusão, falsa consciência, concepção idealista na qual a realidade é invertida e as ideias aparecem como motor da vida real.
- II - Sistema de Representações: É um sistema elaborado de representações e de ideias que correspondem a formas de consciência que os homens têm em determinada época.
As Ideologias Dominantes
Citando A Ideologia Alemã (1846), Marx afirma:
“As ideias das classes dominantes são as ideologias dominantes na sociedade.”
A ideologia não surge do nada, mas é produzida a partir das relações socioeconômicas, da luta de classes e das contradições que existem na sociedade em que vivemos, com o objetivo de tentar justificar, amenizar ou ocultar seus conflitos, tornando-os aceitáveis e naturais.
Função da Ideologia na Sociedade Capitalista
A existência da propriedade privada e as diferenças entre proprietários e não proprietários aparecem nas representações sociais dos indivíduos como algo que sempre existiu e que faz parte da ordem natural das coisas. Essas representações sociais servem aos interesses da burguesia, classe social que controla os meios de produção numa sociedade capitalista.
A classe dominante utiliza a ideologia para influenciar a sociedade, para que seus interesses e ideias se transformem nos de todos, dificultando o surgimento de outras (ideologias) contrárias aos seus. A classe dominante utiliza os meios de comunicação (mídias) – o rádio, a TV, o cinema, o teatro, a imprensa – e instituições como a igreja e a escola para universalizar suas ideias, atingindo um grande número de pessoas com suas ideologias.
O Poder de Moldar Desejos e Necessidades
As ideologias geralmente dão sentido às experiências das pessoas. Por isso, as ideologias dominantes podem moldar as necessidades e os desejos daqueles a quem elas submetem.
O discurso ideológico identifica-se com as necessidades que os indivíduos já possuem, captando suas esperanças e carências, revestindo-as com linguagem própria e transformando-as em ideologias plausíveis e atraentes.
É função de uma ideologia dominante inculcar certas crenças nos indivíduos através da falsificação da realidade social, sugerindo que certos aspectos da sociedade não podem ser evitados.
É comum ouvirmos que em determinada área do mercado de trabalho sobram vagas de emprego por falta de profissionais, mas não se discute por que esta demanda não é suprida – falta de investimento na educação.
Alienação e Ocultação de Conflitos
Apesar das exceções, a propaganda ideológica aliena os indivíduos, que passam a compreender o real através da ideologia dominante.
Geralmente, os indivíduos não percebem que esta ideologia oculta os conflitos sociais, a exploração e as injustiças.
Ideologias de Resistência e Luta
Existem ideologias favoráveis aos dominados na sociedade — crenças que reúnem e inspiram grupos específicos a perseguir interesses políticos considerados desejáveis, expressos na formação de sindicatos e partidos políticos ligados a lutas democráticas e aos direitos humanos.