Lazer e Sociedade: Reflexões e Análises Essenciais

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A relação lazer/sociedade é dialética, ou seja, a mesma sociedade que o gerou, exerce influência sobre seu desenvolvimento e também pode ser por ele questionada.

Pontos a serem considerados: lazer e recreação

  1. Cultura vivenciada no tempo disponível das obrigações profissionais, escolares, familiares, sociais, combinando os aspectos tempo e atitude.
  2. O lazer gerado historicamente e dele podendo emergir, de modo dialético, valores questionadores da sociedade e influenciado pela estrutura social vigente.
  3. Um tempo que pode ser privilegiado para vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural da sociedade.
  4. Portador de duplo aspecto educativo – veículo e objeto de educação, considerando-se suas possibilidades de descanso e divertimento e também de desenvolvimento pessoal e social.
  1. Cultura vivenciada no tempo disponível das obrigações profissionais, escolares, familiares, sociais, combinando os aspectos tempo e atitude. Cultura não apenas os conteúdos artísticos, mas também os manuais, físicos, intelectuais e sociais. Vivenciada não é somente a prática, mas o conhecimento que essas atividades podem trazer. Além disso, o ócio visto como opção.
  2. O lazer gerado historicamente e dele podendo emergir, de modo dialético, valores questionadores da sociedade e influenciado pela estrutura social vigente. A relação lazer/sociedade é dialética, ou seja, a mesma sociedade que o gerou, exerce influência sobre seu desenvolvimento e também pode ser por ele questionada.
  3. Um tempo que pode ser privilegiado para vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural da sociedade. A vivência desses valores pode ser pela reprodução da estrutura vigente, ou vivenciar uma sociedade diferente pela vivência de valores diferentes dos dominantes.
  4. 4) Portador de duplo aspecto educativo – veículo e objeto de educação, considerando-se suas possibilidades de descanso e divertimento e também de desenvolvimento pessoal e social. Não se nega o descanso e divertimento, mas valoriza a dimensão de desenvolvimento que a vivência do lazer pode trazer.

O Lazer na vida social: Duas correntes de pensamento

1 Se os homens sempre trabalharam, também paravam de trabalhar, existindo assim um tempo de não-trabalho, e que esse tempo seria ocupado por atividades de lazer, mesmo nas sociedades tradicionais. Aborda a necessidade do lazer, sempre presente.

2 O lazer é fruto da sociedade moderna urbano-industrial.

Características que a necessidade do lazer assume na sociedade moderna. O lazer sempre existiu, variando apenas os conceitos sobre o que era e quais os seus significados.

Fator econômico: é determinante - na distribuição do tempo disponível entre as classes sociais.

na oportunidade de acesso à escola. Contribui para uma apropriação desigual do lazer. Barreiras interclasses sociais.

Distinguir aspectos que inibem ou dificultam a prática do lazer, fazendo com que se torne um privilégio. Barreiras intraclasses sociais.

Barreiras intraclasses sociais desfavorecidas ou pela rotina de trabalho doméstico, ou pela dupla jornada de trabalho, e principalmente pelas obrigações familiares decorrentes do casamento, numa sociedade que, apesar dos avanços nesse sentido, continua machista.

Além disso, no plano cultural, uma série de preconceitos restringe a prática de lazer aos mais habilitados, aos mais jovens e aos que se enquadram nos padrões estabelecidos de “normalidade”. Classe social, nível de instrução, faixa etária, gênero, entre outros, são fatores que limitam as oportunidades de prática do lazer.

Democratizar o Lazer Lazer/espaço urbano Situação agravada pois cada vez mais as camadas mais pobres são expulsas para a periferia e, portanto, afastadas dos serviços e dos equipamentos específicos.

Justamente as pessoas que não podem contar com as mínimas condições para a prática do lazer em suas residências e para quem o transporte adicional, além de economicamente inviável, é muito desgastante.

Não se encontra mais espaços para as brincadeiras infantis, para o futebol de várzea ou que sirvam de pontos de encontro de comunidades locais.

O lazer visto por grandes investidores como mercadoria É preciso que o poder municipal entenda a importância dos espaços urbanos de lazer nas cidades, antes que empresas os transformem em produtos acessíveis somente a classes sociais mais altas.

principal equipamento não específico de lazer, ou seja, um espaço não construído para o lazer, mas que eventualmente pode cumprir essa função. Constitui um dos poucos equipamentos, disponíveis para grande parcela da população, “empurradas” para dentro de suas casas, no tempo disponível para o lazer. Espaços pequenos, sem quintais ou áreas abertas coletivas, embora iniciativas busquem transformá-los em espaços alternativos para exposições, lançamento de livros, música ao vivo, etc. Os tradicionais “botequins”, onde se “jogava conversa fora”, são substituídos, nas áreas “nobres”, pelas lanchonetes, onde o consumo rápido desestimula a convivência.

Escola contam com grandes possibilidades para o lazer em termos de espaço, nos vários campos de interesse. Quadra interesses físicos, artísticos. Teatro: interesses artísticos, manuais, intelectuais, sociais. Pátio interesses físicos, sociais. Sala de aula ou info, interesses artísticos, manuais, intelectuais, sociais.

Escola, Abertura comunitária” das escolas não acontece, talvez pelo temor de depredação. Uma ação bem realizada só contribui para o respeito pelo equipamento (escola), uma vez que, à medida que a utilizam, desenvolvem sentimentos positivos, colaborando na sua conservação. O que se verifica é a abertura desses equipamentos apenas para festas, cujo objetivo principal é a arrecadação de fundos para a sua manutenção.

A precariedade na utilização dos equipamentos não específicos coloca-nos 3 importantes questões.

  1. A necessidade de desenvolvimento de uma política habitacional, que considere, entre outros aspectos, também o espaço para o lazer – o que não é fácil num país como o nosso, com alto déficit habitacional, e que deve estimular alternativas criativas em termos de áreas coletivas;
  2. A consideração da necessidade da utilização dos equipamentos para o lazer, por meio de uma política de animação.
  3. A preservação de espaços urbanizados “vazios.

Lazer e trabalho O trabalho deveria ser fonte de realização, prazer e criatividade, independente de ser fonte de dinheiro. Mas o capitalismo monetariza tudo e todos, condiciona todas as pessoas a quererem viver para e pelo dinheiro. No mundo capitalista, grande parte dos trabalhadores pergunta se vive para trabalhar ou trabalha para viver.

O tempo em que as pessoas estão liberadas das atividades obrigatórias. As pessoas encontram-se “livres” para escolherem o que fazer: atividades de lazer, de cultura, esporte ou descanso, turismo, ócio ou contemplação. Lazer: ocupação do tempo livre com atividades culturais, esportivas, recreativas e turísticas.

As empresas querem criar espaços especiais, bonitos, artificiais e atraentes que diluem o lazer e o esporte no meio dos sacrifícios do trabalho.

Lazer e educação. O acesso ao lazer, como direito social promulgado pela Constituição Brasileira (1988) implica, pois, a educação de cidadãos capazes de identificar e viver as oportunidades diversificadas e disponíveis nos tempos e espaços cotidianos, com condições de compreendê-las e ressignificá-las conscientes da sua importância em suas vidas e das contradições que limitam sua vivência plena.

As práticas educativas pelo e para o lazer no Brasil são marcadas por perspectivas instrumentais e utilitaristas que dão prioridade aos aspectos técnicos das atividades culturais no lazer, em detrimento à compreensão das relações humanas nelas vividas. Mudança nesse quadro, a partir dos anos 90, com o avanço da consciência sobre a importância do lazer como um dos fatores de qualidade de vida, por parte da população e do poder público e privado.

Fatores intervenientes na educação pelo e para o lazer. O conhecimento para explicar as novas formas de lidar com os desafios educativos que enfrentamos hoje e para favorecer ações políticas. O lazer apresenta-se como espaço de (re)construção das relações sociais e de conhecimentos. A intenção do processo educativo constitui-se em parâmetro para o desenvolvimento de práticas educativas vividas e reflexões sobre elas, aprendizagens adquiridas e (re)significações atribuídas aos conhecimentos sobre o lazer e suas práticas.

A relação lazer e educação como processo/produto de formação humana, requer não só domínio de conhecimentos específicos sobre lazer como também de competências e habilidades adequadas a formação/atuação política, ética e estética concretizada nas vivências realizadas.

Como produto da ação socioeducativa, o lazer tem função.

  • Política: vínculo e compreensão da realidade social e possibilidade de agir nessa realidade com liberdade de expressão, trocando experiência entre diferentes sujeitos e grupos.
  • Ética: autonomia dos sujeitos e grupos, com liberdade e responsabilidade (desenvolvimento de atitudes e valores como tolerância, justiça, cooperação, solidariedade, respeito mútuo, confiança, etc.)
  • Estética: desenvolvimento da sensibilidade, autoconhecimento, reconhecimento e valorização da diversidade cultural.

Estratégias de educação pelo e para o lazer.

  • Diálogo: ajustar aos interesses, necessidades e referências culturais dos participantes.
  • Interatividade e participação: problematizar as vivências do grupo, identificar e analisar demandas, recursos disponíveis e possibilidades para ampliação e otimização de suas práticas de lazer. Planejamento participativo com os sujeitos envolvidos, definindo-se objetivos e programação de atividades.
  • Ações educativas sensibilizadoras: partem de situações significativas para os sujeitos envolvidos, mobilizando curiosidades e desejos dos educandos. Formas de intervenção: capacitação de liderança por meio de treinamento teórico-prático; organização de eventos de lazer; dinâmicas de grupo, palestras e debates; campanhas educativas; orientação sobre adaptação, otimização, criação e integração de equipamentos e de recursos materiais para a prática de lazer.

Lazer e religião. Lazer lúdico práticas mundanas. Religião perda da festividade e fantasia capacidade festiva, privação de certos hábitos coletivos de celebração e progressiva individualização em detrimento do coletivo práticas santas caráter + comercial do que festivo.

Com a modernidade, a religião tendeu a, progressivamente, diminuir seu poder de influência nas sociedades urbano-industriais.

A igreja como resistência ao poder avassalador do capital que sujeitava famílias inteiras ao trabalho desumano privando-as de tempo disponível para valores diferentes do mundo do trabalho. Resistência que não durou muito em razão do interesse da igreja nos frutos do desenvolvimento gerado pelo trabalho.

Festas promovidas pela igreja possuíam a capacidade de congregar e fortalecer a comunidade, além dos lucros.

Preocupação da igreja que o tempo de lazer poderia atuar como resistência, como meio de mudar a ordem social vigente. Indivíduos vivenciam valores diferentes, percebem, assimilam e criticam a forma como a sociedade tende a reprimir certas atitudes e privá-las de certas vivências.

O lazer deve agir como compensação e preparação para o trabalho alienado.

Condenação do não-fazer nada e do divertimento de forma geral (greco-romana, séc.IV)

Protestantismo conciliação ideais capitalistas às práticas religiosas. O trabalho, e juntamente o lazer, passaram a ser vistos de forma diferente.

A riqueza, como fruto do trabalho, encarada como favor divino e a pobreza, consequência do não trabalho, sinal de comunhão quebrada com Deus.

O trabalho e bens materiais passam a possuir valor considerável para o status social.

Stanley Parker – comum entre religião e lazer Desejo, anseio de bem-estar pessoal, a possibilidade de livre escolha, o potencial que ambos possuem de integrar e de valorizarem a recreação. Feriado público no domingo – quebra rotina cotidiana (contemplação)

Igreja católica brasileira X lazer

  • Lazer como mero complemento ou compensação do trabalho estafante;
  • Iniciativas tanto católicas quanto protestantes de fazer o ambiente eclesiástico um lugar que promova encontros entre jovens por meio da igreja, desde que a sociabilidade do grupo seja “sadia”, um tanto planejada, e o conteúdo das reuniões concordantes com os ensinamentos cristãos.;
  • A concepção de moralização social ainda é presente;
  • Complexa a tarefa de conciliar o prazer possível, presente no lazer, com a religião. Para algumas concepções religiosas o tempo dedicado ao lazer ameaça o tempo dedicado à religião.

Lazer e família lugar privilegiado de:

  • socialização, de prática de tolerância, divisão de responsabilidades, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência e do exercício da cidadania sob os parâmetros de igualdade, do respeito e dos direitos humanos.
  • tem dinâmica de vida própria, afetada pelo processo de desenvolvimento socioeconômico e pelo impacto da ação do Estado por meio se suas políticas econômicas e sociais

As políticas de lazer para família devem considerar a valorização das famílias enquanto local de construção da identidade.

Estudo sobre lazer e vida familiar – 1996 (SESC /SP) Lazer como tempo de diversão dentro e fora de casa

  • lazer em casa predomínio dos meios de comunicação (TV, rádio, revistas, internet, vídeos, ouvir música) Tempo de estreitamento de relações sociais (especialmente com amigos)
  • Práticas manuais “semi-utilitárias” ampliando hobbies como jardinagem, cuidados com carros, animais, consertos caseiros

> tempo lazer fora de casa

Shopping centers, parques, cinemas, teatros, casas de shows, reuniões de grupos formais e associações, clubes, etc.

Viagens de férias e feriados prolongados saem + que

Conquista do mercado de trabalho pelas , seu tempo disponível diminui devido à dupla jornada de trabalho.

O lazer das famílias brasileiras que vivem sob o signo da pobreza situação de pobreza e perfil de distribuição de renda no país Em uma sociedade como a nossa predominantemente urbana, na qual se convive com diferentes condições econômicas, cada vez + pessoas são discriminadas e hierarquizadas também no lazer.

O lazer das famílias brasileiras que vivem sob o signo da pobreza Sistema de economia capitalista que vivemos, grande parte da população se encontra na faixa da pobreza e outra parte em situação de miséria absoluta excluídos

Lazer voltado para compensação do trabalho, recuperação da força de trabalho, válvula de escape para extravasar sentimentos e repor energias indispensáveis.

Prevalece o conceito de que tempo livre é coisa de rico

O pobre tempo livre é sinônimo de tempo liberado do emprego e não do trabalho; não quer dizer tempo disponível para o lazer

Desempregado tempo livre sinônimo de desmoralização

Lazer e saúde É possível encontrar ações relacionando promoção da saúde e lazer.

O espaço e tempo de lazer podem ampliar as possibilidades de encontrar, escutar, observar e mobilizar as pessoas adoecidas para que nos processo de cuidar do corpo elas construam relações de vínculo, de corresponsabilidade, autônomas, inovadoras e socialmente inclusivas de modo a valorizar e otimizar o uso dos espaços públicos de convivência e de produção de saúde que podem ser os parques, as praças e as ruas.

Faltam informações sobre LAZER aos profissionais da saúde e aos usuários dos serviços

Profissionais, saúde, lazer Dialogarem, para juntos intervirem no cotidiano de uma sociedade de forma igualitária, principalmente no que diz respeito ao direito ao lazer e à saúde

Produzir e dar visibilidade aos projetos sociais exitosos locais podem incentivar atuação profissional diferenciada questionadora e crítica no sentido da renovação, da requalificação e da ressignificação das relações.

São ações que podem alterar as condições de vida e de saúde por meio do Lazer:

Estimular política participativa e cooperativa que coloca o cidadão no centro e na razão das atividades; grau de consciência da população sobre seu papel na construção das políticas públicas;

Estimular e orientar a comunidade para que reconheça o quanto a capacidade criativa e o acesso à informação e ao conhecimento pode instigar nossa capacidade inventiva.

Lazer e gênero Acesso diferenciado que homens e mulheres experimentam na prática do Lazer Uma experiência de Lazer em níveis críticos e criativos pode oportunizar a homens e mulheres caminhos de transformação e ressignificação cultural das representações sociais esperadas para ambos os sexos. Não há sociedade que não elabore imagens vinculadas ao masculino e feminino. Com certeza o acesso ao poder é desigual, imprimindo esta marca nas relações sociais, mas há de se superar a visão de vitimação das mulheres nas relações sociais.

O Lazer, expresso por seus diferentes conteúdos culturais, possibilita a reinvenção das relações pessoais cotidianas nos níveis micro e macro sociais.

O Profissional do Lazer

  • Eventos com temática específica
  • Publicações (artigos em livros e periódicos, anais eventos)
  • Área empresarial formação gestor/administrador ligado ao entretenimento
  • Cursos marketing e produção cultural
  • Nas áreas artísticas (música, cinema, artes plásticas) preocupação com preparação do profissional que intermediará o grande público e as obras.

Ainda estamos longe de compor um quadro seguro de reflexões relativas à boa qualidade de formação Grande parte dos profissionais de lazer atuantes no mercado não teve acesso a uma formação sólida, e ainda atua de forma, no mínimo, simplista, para não dizer equivocada.

Denominações dadas ao Profissional do Lazer Recreador, Dinamizador, Agente cultural, Gentil organizador, Professor.

Fatores que dificultam a implementação de formação de melhor qualidade.

  • As características multifacetadas do mercado de atuação profissional. Imagine a dificuldade de formar um profissional que possa atuar em clubes, ruas de recreio/lazer, colônias de férias, hospitais, festas infantis, acampamentos, museus e centros culturais, interferindo tanto diretamente, como animador do público-alvo, quanto indiretamente, como gestor/administrador de atividades, entre outros papéis
  • A desvalorização do profissional, que se faz notar até pela ausência de uma regulamentação explícita relacionada com jornada de trabalho, salário, condições de atuação, etc.
  • O perfil exigido do profissional, complexo em função da peculiaridade do campo de atuação.

Teria um único profissional condições de atuar efetivamente em todos os cinco campos de interesse do lazer? Classificação dos interesses lazer dumazedier, interesses físicos, artísticos, manuais, intelectuais, sociais

Teria um único profissional condições de atuar efetivamente em todos os cinco campos de interesse do lazer? Se o campo de atuação do lazer não pode ser entendido como disciplinar, o ideal seria montar uma equipe multidisciplinar, que, atuando em conjunto, comporia o programa com base em diversas experiências e visões. Diálogo entre profissionais de diferentes áreas de formação, tarefa nem sempre fácil, já que não somos estimulados constantemente a um tipo de contato que ultrapasse as rígidas fronteiras disciplinares/acadêmicas.

Aprender pela experiência Incomum a formação de equipes multidisciplinares; Responsabilidade planejamento, execução e condução do trabalho fica nas mãos de um único profissional, ligado a uma área específica, na maioria das vezes a Educação Física, embora observa-se aumento da participação de egressos de outras áreas, principalmente da área artística (teatro, música, artes plásticas, etc.) e do turismo

Sugestões aos Profissionais.

  1. Que reivindiquem a incorporação de outros colegas à equipe, diversificando as possibilidades de atuação;
  2. Que procurem sempre aprofundar seus conhecimentos teóricos no campo do lazer, aprimorando-se em direção a uma atuação consciente e efetiva;
  3. Que, na medida do possível, procurem se informar e capacitar para, com competência, desenvolver conteúdos relacionados a outros campos que não os de sua formação original.

Quanto à postura profissional Liderança

  • Entenda que liderar significa conduzir equipes para o desenvolvimento de seu potencial criativo, estimulando a participação crítica e ativa, proporcionando condições seguras para tal desenvolvimento;
  • Tente constantemente entabular, de forma construtiva, processos de avaliação (tanto individual quanto coletivo), tendo em vista a superação qualitativa das propostas apresentadas;

Liderança

  • Compreenda que o programa de lazer deve ser traçado não para o público, mas em conjunto com o público;
  • A perspectiva de mediação sem dúvida exigirá que o animador seja um líder democrático, e não autoritário.

Quanto à postura profissional

  • Disponha-se a estabelecer contatos frequentes, tanto com o público-alvo quanto com profissionais de outras áreas, objetivando a articulação de propostas multidisciplinares;
  • Somente carisma e capacidade de lidar com público não são suficientes, mas não se pode negar que sejam características importantes;
  • Afinal ninguém espera chegar a um espaço de lazer e encontrar um animador chato, mal-humorado e impaciente.

Criatividade

  • Alimente a capacidade de inovar, criar e recriar em suas propostas,
  • Dialogar com seu público e descobrir alternativas para a composição.

Organização

  • Instaure uma visão estratégica de sua atuação, desenvolvendo capacidade de planejar, operacionalizar e avaliar projetos/programas a curto, médio e longo prazo.

Atualização

  • Empenhe-se na busca de atualização permanente, nutrindo o gosto pela leitura e pela aquisição de informação, tanto no que se refere à formação técnica, quanto no que se refere ao cotidiano.

Senso crítico

  • Capacite-se para identificar a evolução da sociedade no tempo, percebendo como as diferentes sociais influenciam seu trabalho, construindo, assim, uma prática responsável de inclusão social e de contribuição para a superação do estado atual.

Quanto ao domínio de conteúdos Linguagens

  • Considere que as diversas manifestações culturais (esportes, artes plásticas, música, cinema, teatro, etc.) devem ser compreendidas como fenômenos socioculturais, com todas as peculiaridades e contradições advindas de sua inserção em uma sociedade de consumo.
  • As múltiplas linguagens devem, acima de tudo, ser encaradas como estratégias de intervenção pedagógica.

Lazer

  • Entenda o lazer não como mera ocupação inconsequente do tempo livre, mas como uma intervenção pedagógica no campo da cultura, que, mesmo preservando o prazer e a diversão, pode melhorar a qualidade de vida do público-alvo e para a construção de uma sociedade mais justa.

Cultura

  • Compreenda a cultura como um conjunto de valores e normas, não somente como uma série de manifestações.
  • Entenda as peculiaridades, a importância e as diferentes formas de manifestações em nossa sociedade, principalmente no que diz respeito aos padrões.

Animador Cultura: pensando em sua formação O animador cultural não será formado necessariamente nos bancos das universidades. Independente da titulação, é preciso que o indivíduo passe por um processo confiável de preparação, que pode ser desenvolvido em diferentes

níveis e espaços.

  • Formação formal: em nível técnico do ensino médio, graduação, pós-graduação lato sensu (especialização)
  • Formação não formal (líderes comunitários de lazer) implementados por ONG, Senac e Senai.

Iniciativas para formação de qualidade

  • Discussão dos aspectos teóricos do lazer e da cultura e articulação teoria e prática na animação cultural
  • Discussão das mais diferentes linguagens e de suas possibilidades de incorporação a um programa de animação cultural.
  • O estímulo à formação cultural dos alunos. visão ampla, atualizada, desprovida de preconceitos e tecnicamente bem elaborada sobre as mais diversas manifestações/linguagens culturais.

O que dificulta o processo de formação O próprio perfil do aluno

Quais são seus hábitos culturais? Universitários acentuada e progressiva deficiência dos ensinos fundamental e médio brasileiros, marcados, na maior parte das escolas do país, pela ausência de estímulo, pela insuficiência e pobreza de informação.

Como é a universidade? Cada vez + abre mão de seu papel de difusora e geradora de cultura, constituindo-se em mera extensão da deficiente formação oferecida nos níveis. Os alunos frequentam pouco cinema, teatro, centros culturais, museus, etc.

Argumentos:

  • Falta de recursos financeiros
  • Distância entre a residência e os equipamentos.

Como deve ser Para preparar e sensibilizar os futuros profissionais de lazer, não basta falar do processo de animação; é necessário estimulá-los à participação direta nesse processo, oportunizando experiências de ampliação de sua vivência cultural.

As relações do Lazer Lazer e Saúde temática supérflua diante da miséria em que vive a sociedade proposta construtiva, em andamento, que agrega profissionais da saúde (multidisciplinar) voltada para melhoria das condições de vida da população. É a principal estratégia de organização da Atenção Básica e principal desafio é promover a reorientação das ações de saúde levando-as para mais perto da família.

É possível encontrar ações relacionando promoção da saúde e lazer. O espaço e tempo de lazer podem ampliar as possibilidades de encontrar, escutar, observar e mobilizar as pessoas adoecidas para que nos processo de cuidar do corpo elas construam relações de vínculo, de corresponsabilidade, autônomas, inovadoras e socialmente inclusivas de modo a valorizar e otimizar o uso dos espaços públicos de convivência e de produção de saúde que podem ser os parques, as praças e as ruas. Faltam informações sobre LAZER aos profissionais da saúde e aos usuários dos serviços

Profissionais da saúde até indicam práticas físicas, mas quase sempre àquelas chatas, impositivas, autoritárias, medidas, cronometradas que mais parecem “obrigação” são tímidas as práticas que nos remetem à descoberta e à consciência do corpo – do nosso e do outro – ao significado do cuidar e da importância em estar atento aos desconfortos e às diversas maneiras de perceber e exercitar-se. Reproduz uma imagem ruim da saúde: perspectiva hospitalocêntrica, centrada na figura do médico e da doença e deixou de lado a pessoa doente, a terapêutica e demais profissionais da saúde.

Profissionais da saúde e lazer Dialogarem, para juntos intervirem no cotidiano de uma sociedade de forma igualitária, principalmente no que diz respeito ao direito ao lazer e à saúde Produzir e dar visibilidade aos projetos sociais exitosos locais podem incentivar atuação profissional diferenciada questionadora e crítica no sentido da renovação, da requalificação e da ressignificação das relações.

São ações que podem alterar as condições de vida e de saúde por meio do Lazer

  • Estimular política participativa e cooperativa que coloca o cidadão no centro e na razão das atividades;
  • grau de consciência da população sobre seu papel na construção das políticas públicas;
  • Estimular e orientar a comunidade para que reconheça o quanto a capacidade criativa e o acesso à informação e ao conhecimento pode instigar nossa capacidade inventiva.

Lazer e as Fases da Vida descanso, entretenimento, consumo conteúdos culturais Vivência passiva atinge todas as fases da vida ate 12 anos período de descobertas, aprendizados e inserção material e simbólica na realidade Teoricamente, nessa etapa da vida, o tempo da criança ainda não apresenta uma divisão entre as atividades obrigatórias (relacionadas ao trabalho produtivo ou escolar) e não obrigatórias (relacionadas ao lazer.

direito a vivência múltiplas manifestações culturais jogos e brincadeiras, festas, esportes, músicas, literatura, passeios, viagens de férias.

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

  1. primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
  2. precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
  3. preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
  4. destinação privilegiada de recursos

Na prática significa que o governo e a sociedade, em geral, têm o dever de propiciar oportunidades e experiências de lazer para todas as crianças, e que nós também temos o direito e o dever de reivindicar do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil os meios, espaços, materiais e recursos para efetivar esse direito.

Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento

Na prática significa que estando em processo de constituição e desenvolvimento, elas precisam ampliar as suas oportunidades de conviver, interagir, refletir, duvidar, questionar, criar, descobrir, e ... BRINCAR, desenvolvendo assim todo seu potencial

carrega as marcas da nossa vida cotidiana: sentidos e significados, tradições, inovações, papéis sociais, desejos, necessidades, sonhos, prazeres, descobertas, anseios, receios, limites, contradições

brincar Não deveria ser encarado como algo próprio e restrito apenas à infância, mas como uma essência que deveria contagiar o lazer em todas as etapas da vida

difícil definir faixa etária prolongamento da escolaridade em diferentes sociedades do período convivência com o grupo familiar de origem.

Adiam o ingresso na vida adulta

  • Inserção definitiva no mercado de trabalho após período de formação no sistema de ensino
  • Estruturação de família e geração de filhos.
  • Por meio da dança, da música, da festa e de diferentes manifestações culturais, o jovem se expressa e se insere no mundo

O lazer como elemento eficaz para retirar os jovens de condições ditas “marginais”, contribuindo para uma vida mais saudável e "regrada" do ponto de vista do que é moral e socialmente aceito.

Atentar para diferentes expressões culturais gestadas e vividas pelos grupos, pois tornam visíveis as tensões e contradições da sociedade em que vivem Carência de opções de lazer, cercada por iniciativas de manipulação cultural. Ingresso na universidade trabalho em tempo integral ou informal (bicos, freelance.

Lazer baseado nas especificidades dos grupos juventude, velhice trabalho para se manter ou sustentar núcleo familiar Lazer é secundário diante das demais obrigações

valorização do lazer capacidade consumo objeto consumo espetáculo A vivência do lazer tem o tempo como um dos fatores limitantes, já que o sistema valoriza principalmente a sua força de trabalho. Restrição do lazer a alguns campos específicos de interesse, mas não por opção e sim por não terem contato com outros conteúdos O ideal é que o indivíduo possa se envolver com os vários grupos de interesse, procurando exercitar no lazer, o corpo, a imaginação, o raciocínio, a habilidade manual, o relacionamento social, o intercâmbio cultural e a quebra da rotina, quando, onde, com quem e da maneira que quiser segmento social que + cresce no mundo Previsão nas próximas décadas ¾ população idosa se concentrará nos países em desenvolvimento (Brasil

necessidade de atenção, preparando-nos para satisfazer as necessidades desse grupo e de seus familiares A velhice não representa uma fase marcada somente por perdas e ocorrência de inúmeros problemas de saúde.

A velhice pode ser uma fase positiva e enriquecedora, constituída principalmente de ganhos – decorrentes da maturidade e do conhecimento adquiridos ao longo da vida.

Não é a velhice que produz um estado de saúde debilitado: isso decorre de uma sociedade que não oferece a todos os seus membros condições dignas para viver e envelhecer; doença e fraqueza não são simples questões biológicas, mas socioeconômicas

O lazer é tratado como um direito a ser assegurado pela família, comunidade, sociedade e poder público. assumir a responsabilidade de ampliar o acesso às manifestações lúdicas da nossa cultura: festas, passeios, espetáculos, viagens, esportes, jogos, brincadeiras, oficinas, artesanato, trabalhos manuais e diversas formas de artes (pintura, escultura, literatura, dança, teatro, música, cinema) O lazer vivenciado em ambiente alegre, democrático e enriquecedor, que valoriza o potencial dos idosos pode, por meio de discussões, levá-los a refletir sobre suas relações, sonhos e objetivos,  sua disposição para o dia-a-dia

pode se destacar novos conteúdos, ampliar as habilidades a ser estimuladas e acentuar a satisfação e o prazer de aprender, criar e arriscar Ao vivenciar o lazer, os idosos podem exercitar a capacidade de decisão, pensamento e imaginação, ampliar as oportunidades de integração e convívio social, além de (re)construir e (re)organizar a experiência cultural do seu tempo

Para trabalhar com idosos é preciso: gostar de pessoas mais velhas; gostar de interagir com esse público; eles exigem sensibilidade, atenção, transparência, cuidado e paciência; eles são perspicazes e mostram insatisfação quando são tratadas com descaso; eles percebem quando um profissional não tem interesse por eles, não considera suas necessidades e não os reconhece como pessoas importantes; gostam de ser ouvidas, de expressar suas opiniões e serem respeitadas por elas, de se sentirem úteis, valorizadas e independentes, de serem identificadas pelo nome Observá-los e escutá-los atentamente, sem a pretensão de assumir papel de psicólogo ou conselheiro Nada de conselhos ou de se envolver emocionalmente com as narrativas: é só ouvir e registrar o que ouviu para conhecer melhor o grupo e cada um dentro dele, atitude de respeito pela opinião do idoso.

O lazer pode ampliar o círculo de amizades, a descoberta de novas potencialidades, a superação de limites, a melhoria do humor, da ansiedade e da depressão;  vulnerabilidade a doenças e ao estresse psicológico, a recuperação da autoestima, a redescoberta de seu valor e papel na sociedade e a integração social.

Lazer e Políticas Públicas Direito Social, Lazer, Necessidade Básica Humana, Exclusão Social Desigualdade , pobreza distribuição não equitativa dos benefícios sociais, culturais e políticos que a sociedade contemporânea produz, mas não reparte

Politicas publicas Vivemos apartados socialmente não por marcações necessariamente vistas, mas por ocupações distintas de territórios, de espaços sociais e culturais Pobres e ricos, exceto à produção cultural artística de massa, escutam ≠ músicas, assistem a ≠ filmes, frequentam ≠ espaços culturais, ≠ equipamentos de lazer e ≠ pedaços de praias



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A discussão sobre políticas públicas de lazer deve se dar a partir de alguns critérios, tais como: a compreensão do lazer como “cultura vivenciada no tempo disponível” (Marcellino, 1996:02) — o que implica em espaços, em tempo e em condições materiais necessárias e suficientes para dele usufruir; a opção por um poder público que seja partícipe e fomentador da organização popular;e uma política pública que seja fruto da mais ampla participação dos habitantes das cidades.

tempo e o espaço de lazer nas cidades cultura O Estado deixa a  jornada de trabalho por conta da “livre negociação entre patrões e empregados Constituição Federal, 1988  jornada semanal 44 h

Falta de Tempo não ocorre apenas por desorganização individual; é controlado pelas necessidades do mercado

Politicas publicas  a administração (seja municipal, estadual ou federal) desincumbe-se da resolução da questão do tempo e, sucumbe aos interesses da especulação imobiliária; deixam o caminho livre para que o mercado, por meio das ofertas da indústria cultural, decida quando, para quem, onde e quem vai ofertar o lazer.

As Políticas Públicas devem atentar para estado de conservação dos parques, praças, jardins, bibliotecas, salas de exibição e outros equipamentos destinados ao lazer nas cidades. conjunto das políticas públicas destinadas ao tratamento da questão ambiental pode e deve estar presente na formulação de políticas públicas de lazer. Mas o turismo voltado para o crescimento das pessoas, da sua relação com as culturas, com o ambiente, com outras pessoas, ou seja, não deveria resumir-se a simples oferta de pacotes maravilhosos para atrair pessoas de outros lugares, seria preciso que as pessoas do lugar se sentissem parte dele. Enfrentamento dos governos locais no combate à especulação imobiliária, à inversão de prioridades, à defesa dos recursos públicos, ao tratamento desigual dos diferentes e à radical ampliação da participação popular na discussão, elaboração, execução e fiscalização das obras e empreendimentos levados a cabo pelo Estado.

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