Lei 20.201 e Transtornos Específicos de Linguagem
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Lei 20.201 e Educação Especial
- Esta Lei altera o DFL Nº 2 de 1998 sobre Educação, tratando dos subsídios para escolas e outros órgãos estatutários.
- Mudança de conceitos: Altera as definições de Educação Especial e subsídios (Básico, Geral, Extraordinário e Diferencial).
- Necessidades Educativas Especiais (NEE): Define NEE temporárias como aquelas que estudantes apresentam em algum momento da vida escolar devido a distúrbios ou deficiências diagnosticadas por profissionais competentes, exigindo suporte extra para progredir no currículo.
- Este regulamento considera déficits de atenção e distúrbios específicos de linguagem e aprendizagem.
- Profissionais Habilitados: Define que apenas profissionais competentes podem realizar diagnósticos de receitas e despesas.
- Estabelece penalidades para autoridades ou profissionais que realizarem diagnósticos fraudulentos para obtenção de subsídios escolares.
- Modifica e aumenta subsídios para escolas especiais.
- Garante que o Ministério da Educação ofereça atenção escolar adequada para alunos da pré-escola ao ensino secundário que estejam internados ou em tratamento médico ambulatorial.
TEL: Transtorno Específico de Linguagem
O TEL é um transtorno na aquisição, compreensão ou expressão da linguagem falada ou escrita. Pode envolver os componentes fonológico, morfológico, semântico, sintático ou pragmático. Indivíduos com TEL frequentemente apresentam dificuldades no processamento de linguagem, abstração, armazenamento de informações e memória de curto prazo.
Decreto 1300-1302 (Baseado no DSM-IV)
Define crianças com TEL como aquelas com início tardio ou desenvolvimento lento da fala, não explicado por déficits sensoriais, motores, deficiência mental ou transtornos globais do desenvolvimento. O TEL classifica-se em:
- TEL Expressivo: Baixa pontuação em testes de linguagem expressiva. Manifesta-se por vocabulário limitado, erros verbais e dificuldade em produzir frases complexas.
- TEL Misto (Receptivo-Expressivo): Dificuldade significativa tanto na compreensão quanto na expressão, interferindo no rendimento escolar e social.
Etiologia e Avaliação
- Causas: Desconhecidas, mas com possíveis ligações genéticas, hereditárias e alterações nas estruturas cerebrais de processamento auditivo.
- Processo de Avaliação: Inclui observação clínica, anamnese com pais/professores, análise de fala espontânea e avaliação das estruturas fonoarticulatórias (OFA).
Testes e Instrumentos de Avaliação
Crianças menores de 3 anos
- TEPSI: Teste de desenvolvimento psicomotor (coordenação, linguagem e motricidade).
- REEL: Escala para o surgimento da linguagem receptivo-expressiva (0 a 36 meses).
Crianças de 3 a 6 anos e 11 meses
- TEPROSIF-R: Avalia processos de simplificação fonológica (PFS). Baseado na teoria da Fonologia Natural.
- STSG (Toronto): Teste exploratório de gramática espanhola (Compreensão e Expressão).
- TECAL: Teste de compreensão auditiva da linguagem (Vocabulário, Morfologia e Sintaxe).
Crianças maiores de 6 anos e 11 meses
- ITPA: Teste Illinois de habilidades psicolinguísticas (avalia de 3 a 10 anos).
- PEFE: Orientação de avaliação fonoaudiológica escolar (7 a 12 anos).
- TAR: Teste de Articulação de Repetição.
Marcos Regulatórios e Decretos
Decreto 1300-1302
Promulgado em 2002, aprova planos de estudo para alunos com TEL e regulamenta a atenção em escolas especiais e projetos de integração (PIE). Define sessões de fonoaudiologia de 30 minutos, individuais ou em pequenos grupos.
Instrução Nº 610 (Abril de 2005)
Reitera aspectos do Decreto 1300, detalhando critérios de admissão, alta de alunos e a carga horária dos profissionais. Exige que fonoaudiólogos estrangeiros validem seus títulos na Universidade do Chile.
Decreto 170 (Agosto de 2009)
Utiliza os critérios da CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade). Estabelece normas para identificar alunos com NEE e integra novas deficiências como TDAH e Multideficiência. Enfatiza o uso de testes com padrão nacional e formulários únicos do Ministério da Educação.
Funções do fonoaudiólogo:
Avaliação Fonoaudiológica e Diagnóstico
Características Linguísticas do TEL
- Fonologia: Presença de Processos de Simplificação Fonológica (PSF) acima do esperado para a idade.
- Semântica: Aquisição lenta de palavras, vocabulário reduzido e dificuldade de acesso lexical.
- Morfossintaxe: Omissão de morfemas, confusão entre singular/plural e frases curtas.
- Pragmática: Dificuldade em manter temas de conversa e interagir com pares.
Diagnóstico Diferencial
É fundamental distinguir o TEL de outras condições:
- Dislalia: Alterações na articulação de fonemas (evolutiva, audiógena, orgânica ou funcional).
- Gagueira (Espasmofemia): Distúrbio no fluxo e organização temporal da fala.
- Mutismo Seletivo: Incapacidade persistente de falar em situações sociais específicas.
- TDAH: Déficit de atenção que pode afetar o desempenho escolar.
- Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD): Alterações graves na interação social e comunicação.
Fórmula de Porcentagem de Consoantes Corretas (PCC):
PCC = (Total de consoantes corretas / Total de consoantes da amostra) x 100
Classificações Clínicas
- Ingram (1970): Baseada na gravidade (Grau I a IV).
- Rapin e Allen (1983-1987): Inclui categorias como Agnosia Auditiva Verbal, Dispraxia Verbal e Déficit Semântico-Pragmático.
Anexos e Dados Adicionais