Limites do Conhecimento e Teorias da Verdade

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1. Limites do Conhecimento Humano

1.1. Quais são os limites do conhecimento humano? Esta é a segunda questão fundamental para o estabelecimento do que sabemos e há três posições básicas:

1.1.1. Dogmatismo

Afirma que a capacidade intelectual é suficiente para conhecer a realidade como ela é, de forma que se possa definir verdades universais e absolutas, completamente certas e indubitáveis. Esta posição baseia-se na total confiança nas possibilidades dos sentidos ou da razão humana. É considerada uma postura ingênua que tem sido criticada por muitos filósofos. Por exemplo, Kant diz que é a posição dogmática dos filósofos que, tendo feito uma revisão dos poderes do conhecimento, apoiam a capacidade da razão para saber. Em geral, o dogmatismo é entendido como a atitude de alguém que tende a impor uma doutrina ou valores, sem provas suficientes e sem admitir discussão.

  • Argumentam que não há alternativas e que possuem algo de errado.
  • Inflexibilidade (como os muçulmanos).

1.1.2. Relativismo

Afirma que não existem verdades objetivas e absolutas. Isso significa que as verdades são relativas, que um julgamento é verdadeiro dependendo das condições ou circunstâncias em que foi formulado, dependendo do ser humano que o coloca, da sociedade em que vivemos, do momento histórico, e assim por diante. Já dizia Protágoras (480-410 a.C.), na Grécia Clássica: "O homem é a medida de todas as coisas."

  • Não há verdades universais ou necessárias, pois cada verdade vai depender do período histórico em que se desenvolve.

1.1.3. Ceticismo

Afirma não saber se existe verdade absoluta, mas, mesmo se existisse, não haveria maneira de saber qual é. Esta incapacidade de encontrar a verdade é baseada no erro dos sentidos ou na falta de acordo entre os seres humanos, mesmo nos princípios mais gerais. Defendida por filósofos antigos, como Pirro de Élis (360-270 a.C.) e modernos, como Michel de Montaigne (1533-1592). A alternativa nessa posição não é a adoção de qualquer opinião ou crença, não podemos decidir nada. Isto é o que se chama de suspensão de juízo, o silêncio como uma opção que nos permite alcançar a serenidade e, assim, ser feliz. Algumas objeções foram baseadas em paradoxos que esta posição possui no extremo (o ceticismo é contraditório quando diz que nada pode ser afirmado. Se nada é verdadeiro, por que tem de ser afirmado? Não é possível viver com a convicção de que nada é verdadeiro. Se você tomasse isso literalmente, não poderia fazer nem pensar nada. A dúvida já é prova de uma certa verdade). Contudo, o ceticismo parcial, aplicado apenas a alguns objetos ou aspectos do conhecimento humano, pode ser uma boa medida para marcar os limites do conhecimento humano, porque serve para determinar o que é desconhecido para nós e qual é a natureza do nosso próprio conhecimento.

  • Dúvida sobre o valor do conhecimento, a capacidade humana de conhecer a realidade e, se esse fato fosse conhecido, não poderia ser enviado porque não há significados comuns e ideias comuns.

2. O Que é Verdade?

2.1. Introdução

A verdade é algo que é descoberto ou é construído?

  • Descoberta à Objetiva: verdades válidas para qualquer sujeito, independente do sujeito.
  • Construída por um indivíduo à Subjetiva: verdades apenas verificáveis pela pessoa que as faz.
  • Construída por um coletivo à Intersubjetiva: verdades que podem ser compartilhadas e buscadas por sujeitos diferentes.

Dependendo de onde fixarmos os limites do conhecimento humano, o tipo de verdade que acreditamos que podemos alcançar.

2.2. Teorias da Verdade

2.2.1. A Verdade como Correspondência

A proposição é verdadeira se há uma correspondência entre o que é dito e o fato, sendo falsa caso contrário. Por exemplo: "Está chovendo" será verdadeira se, de fato, está chovendo e, caso contrário, é falsa. É também o que se chama verdade material. Na formulação clássica de Aristóteles, a verdade como correspondência entre pensamento e realidade é definida como segue:

"Dizer do que é que é, ou do que não é que não é, essa é a verdade; dizer do que não é que é, ou do que é que não é, isso é mentira."

O que está em minha mente ou na linguagem se aplica ou se adapta à realidade externa.

2.2.2. Coerência: A Verdade Formal

A proposição é verdadeira se certos princípios são derivados por um raciocínio correto. Se eu disser algo coerente, é verdade. Isto é para as ciências formais (matemática e lógica). A verdade da conclusão é que o raciocínio correto deriva do conjunto de princípios (é impossível que a conclusão seja falsa se as premissas são verdadeiras).

Também chamada de verdade formal ou validade. Nesta concepção de verdade, uma proposição é verdadeira ou falsa dentro de um sistema de proposições (por exemplo, os elementos de um sistema matemático). Este critério realmente significa nenhuma contradição dentro de um sistema (coerência). Esta verdade tem a sua própria, mas é relacional e, portanto, será verdade se o seu relacionamento com o resto das declarações for lógico (derivadas delas corretamente e sem implicar uma contradição).

2.2.3. A Verdade como Receita ou Verdade Instrumental (Utilitarismo ou Pragmatismo)

A proposição é verdadeira enquanto funciona ou pode ser útil. Uma ideia é verdadeira se a práxis (prática) demonstra sua eficácia. É defendida por William James (1842-1910). Por exemplo: a lei da gravitação universal. Não pretende ser uma descrição real da eficácia do sistema solar, é considerada precisa, pois se mostra útil para explicar e prever os fenômenos. Possui uma visão instrumental da verdade.

2.2.4. Perspectiva como Verdade ou Perspectivismo

Afirma que toda a verdade nasce da perspectiva individual, histórica, cultural, etc. Esta teoria está ligada ao relativismo e foi defendida pelo filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955).

2.2.5. Qual é a Origem da Verdade?

A espécie viveu em um planeta perdido (Terra) e inventou a verdade, que era ficção.

Verdades são metáforas que se esqueceram de que o são. Segundo Nietzsche, a verdade não tem valor teórico. O que incentiva e é vital para a vida é a verdade, e o que é prejudicial é a falsidade.

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