Literatura Espanhola do Século XVII: O Século de Ouro

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O Culteranismo de Góngora

O seu objetivo é criar beleza através da complicação formal, representando um desvio da linguagem cotidiana. O Culteranismo tende a criar beleza com base nos valores sensoriais. Para isso, recorre a metáforas, ao hipérbato, ao latim, a alusões mitológicas, ao cultismo, à hipérbole, ao eufemismo, a rodeios linguísticos, etc.

O Conceptismo

O seu mais importante representante é Quevedo. Atribui mais importância ao conceito do que à forma. O ideal dos escritores é dizer muito com poucas palavras. O Conceptismo utiliza o vocabulário habitual, mas de forma torcida. Não utiliza uma sintaxe complicada nem jogos fonéticos. Recorre ao mal-entendido, à antítese e aos paradoxos para produzir uma intensificação conceitual. O seu teórico é Baltasar Gracián, autor da máxima: "O bom, se breve, duas vezes bom."

Prosa no Século XVII

A figura mais importante é Cervantes, autor de transição entre dois séculos, embora quase toda a sua obra tenha sido publicada no século XVII. Alguns modelos narrativos do século XVI são sementes importantes no século XVII: o romance picaresco e a novela de raízes italianas. O romance picaresco é um gênero de ficção que inclui uma série de obras publicadas ao longo de quase todo o século XVII. Entre outras, destaca-se Guzmán de Alfarache, de Mateo Alemán, publicada na virada dos séculos. É concebida como uma observação da vida humana e caracteriza-se pela sátira social amarga e por uma visão desiludida da existência. Essa visão distorcida da sociedade pode ser vista em El Buscón, de Quevedo.

Muito diferente em sua função social é o romance cortês, que desenvolve intrigas amorosas em elegantes ambientes palacianos. Destacou-se neste tipo de histórias María de Zayas, notável por sua introspecção psicológica, seu equilíbrio e seu testemunho de costumes. A prosa didática é outro gênero amplamente utilizado, no qual vale mencionar Baltasar Gracián. Ele foi um mestre em definir conceitos estéticos, interessando-se também como escritor moralista, político e pensador.

Poesia no Século XVII

Entre a poesia de Garcilaso e Góngora não há ruptura entre o Renascimento e a obra barroca, mas sim o desenvolvimento de tendências que levam às formas características da poesia do século XVII. No que respeita à lírica, Lope de Vega é um dos maiores poetas espanhóis. Sua poesia aparece em suas peças ou recolhida em livros como Rimas Sacras e Rimas Humanas e Divinas. Góngora é, como sabemos, o representante máximo do culteranismo. Em torno dele, agrupou-se um número de poetas fascinados pelo gongorismo, enquanto outros seguiram uma linha de conceito mais profundo, como o Conde de Villamediana, Soto de Rojas e Pedro Espinosa. Normalmente, distingue-se uma linha classicista formada pelo chamado "Grupo de Sevilha" (Francisco de Rioja, Rodrigo Caro, Fernández de Andrada, etc.) e pelo "Grupo de Aragão", cujos principais representantes são os irmãos Argensola. Outro dos expoentes da poesia lírica do século XVII é Quevedo.

Teatro no Século XVII

Há três tipos de drama: religioso, cortesão e popular. O teatro popular foi o que teve maior desenvolvimento. O modelo de pátio de teatro foi introduzido na Espanha por companhias da Itália. No final do século XVI, inaugurou-se o primeiro local fixo para tal, chamado de Corrales de Comedias. Eram pátios exteriores entre várias casas. Ao fundo ficava o palco, sem cortinas ou decorações. No lado oposto, situava-se a cazuela, lugar reservado às mulheres. Os nobres ficavam nos aposentos, varandas e janelas das casas. No pátio, com exceção de alguns bancos, a maior parte dos espectadores (homens comuns chamados mosqueteiros) assistia em pé, sendo temidos por suas reações violentas quando a obra não lhes agradava.

No início do século XVII, Madri tinha dois corrales: o da Cruz e o do Príncipe. As apresentações começavam às duas ou três horas, dependendo da estação, duravam várias horas e seguiam uma estrutura fixa: começavam com uma loa (apresentação em verso), seguida pelo primeiro ato; após este, havia um entremés (farsa); após o segundo ato, outro entremez; e, após o terceiro ato, o show terminava com uma dança. Uma obra em cartaz durava de oito a dez dias, e o público exigia novidades, o que gerou uma abundância de dramaturgos. Lope de Vega, com seu teatro, buscou uma fórmula que agradasse ao gosto do público, afirmando: "Visto que o vulgo paga, é justo falar-lhe em necedade para lhe agradar."

Teatro Cortesão: No início do século, Filipe III ordenou a transformação de um dos pátios do palácio em teatro. Outras apresentações pomposas ocorriam nos salões do palácio ou na residência real de La Zarzuela e no Buen Retiro. Drama Religioso: Herdeiros do drama litúrgico, são peças ligadas às comemorações do Corpus Christi. Os Autos Sacramentais eram peças de um único ato com personagens alegóricos sobre temas espirituais, encomendados a grandes dramaturgos como Lope e Calderón.

A Formação da Comédia Nova

As peças representadas nos corrales podiam ser comédias, dramas ou tragicomédias. Lope de Vega quebrou o molde clássico do século XVI, criando a Nova Comédia. Suas características principais são:

  • 1. União de tragédia e comédia: como ocorre na vida real.
  • 2. Quebra da regra das três unidades: (lugar, ação e tempo). A ação é variada e pode abranger anos em locais diferentes.
  • 3. Mistura de personagens: nobres e plebeus interagem.
  • 4. Divisão em três atos: exposição, nó (clímax) e desfecho.
  • 5. Lírica intercalada: a ação é interrompida por cantos e danças.
  • 6. Variedade métrica: escrita sempre em verso, com predominância de octossílabos e hendecassílabos.
  • 7. Decoro dramático: correspondência entre a fala do personagem e sua condição social.
  • 8. Personagens típicos: o jovem cavaleiro galã e a bela dama, além da figura do gracioso (o servo engraçado), que frequentemente se apaixona pela criada da dama.
  • 9. Temas principais: o amor, a honra e a dignidade. A honra é a estima que um homem ou mulher merece dos outros, sendo o tema da "honra perdida e recuperada" central em muitas comédias.

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