Os Maias — Eça de Queirós: crítica social e jornalismo

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Análise de Os Maias — Episódios da Vida Romântica

Ao subtítulo de «Os Maias», «Episódios da Vida Romântica», corresponde a crónica de costumes. Estes episódios têm como objetivo fazer o relato da sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX. Eça de Queirós utiliza um desfile de personagens que representam grupos, classes sociais ou mentalidades de forma a mostrar aos leitores o estado de corrupção, providencialismo e parasitismo da sociedade portuguesa, bem como os seus costumes e vícios.

Os Jornais: «A Corneta do Diabo» e «A Tarde»

Neste episódio critica-se a decadência do jornalismo português: os jornalistas deixavam-se corromper, motivados por interesses económicos (A Corneta do Diabo), e evidenciavam uma parcialidade comprometedora, originada por motivações políticas (o jornal A Tarde).

A Corneta do Diabo

A Corneta do Diabo: Carlos dirige-se, com Ega, a este jornal, que publicara uma carta escrita por Dâmaso Salcede, insultando e expondo, em termos degradantes, a sua relação amorosa com Maria Eduarda. Cavalão revela o nome do autor da carta, mostrando-lhes o original, escrito pela letra de Dâmaso Salcede, a troco de "cem mil réis".

A Tarde

A Tarde: Neves, o diretor do jornal, acede a publicar a carta em que Dâmaso Salcede se confessa embriagado ao redigir a carta insultuosa, mencionando a relação de Carlos e Maria Eduarda, por concluir que, afinal, não se tratava do amigo político Dâmaso Guedes, o que o teria levado a rejeitar a publicação.

A sociedade descrita e retratada por Eça está, ainda hoje, «à solta».

A crítica que Eça faz à sociedade do século XIX, caracterizando-a como uma sociedade corrupta, fútil, superficial e ignorante, procurando agitar as ideias sociais, políticas e literárias, constitui uma verdadeira caricatura da sociedade portuguesa da época e, apesar dos contextos serem um pouco diferentes, conserva-se até à actualidade.

Todos os problemas, vícios e defeitos da sociedade do séc. XIX parecem manter-se nos dias de hoje.

É, de facto, uma obra intemporal.

Revela um humor caricatural que se mantém sempre atual.

Nela faz-se uma crítica satírica à sociedade portuguesa: toma como alvo diversos aspectos económicos, políticos e religiosos, mas também literários, dirigindo os seus ataques especialmente à literatura romântica — sentimental, hipócrita, desligada da vida e imoral, de acordo com os princípios ideológicos e artísticos desta nova geração.

Ler «Os Maias», hoje em dia, é como se estivéssemos a ler o nosso presente, ou até mesmo o dia de amanhã.

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