Manejo de Pastagens: Guia Completo

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Estacionalidade de Produção de Forragens

É importante ter consciência da necessidade de programar reservas alimentares de volumosos para o período de escassez. Algumas formas de contornar a estacionalidade:

  • Diminuição do rebanho;
  • Irrigação;
  • Pastejo diferido (vedar uma área da pastagem fev-mar para uso no inverno mai-set, principalmente em São Paulo. Sugestões: braquiária, braquiarinha, Coast Cross e Tifton);
  • Forrageiras de inverno (aveia e azevém);
  • Integração agricultura-pecuária;
  • Capineira (cana + ureia);
  • Forragem conservada - Silagem e Feno.

Sistemas integrados de produção agrícola:

  • Sobressemeadura - forrageira com granífera, exemplo: pasto de aveia e azevém em sobressemeadura à cultura da soja;
  • Rotação de culturas - graníferas com forrageiras ou silagem com forrageiras;
  • Consórcio (simultâneo ou defasado) - graníferas com forrageiras.

Toda atividade deve ser desenvolvida com: uso adequado de tecnologia, rigoroso gerenciamento e acompanhamento técnico.

Formação de Pastagens

Degradação da pastagem: manejo inadequado da pastagem (desde a formação); não reposição de nutrientes (calagem e adubação).

Recuperação: restabelecimento da produção da pastagem mantendo mesmo capim. Reforma: estabelecimento da produção da pastagem com introdução de um novo capim.

Boa formação da pastagem:

  1. Escolha da área - declividade, disponibilidade de sombra, facilidade para disposição de bebedouros;
  2. Limpeza - roçagem de arbustos indesejáveis, fechamento de buracos, combate a formigas e cupins, coleta de terra para análise;
  3. Escolha da espécie forrageira: *evitar modismos (forrageira milagrosa) - topografia, nível de intensificação (produtividade), espécie animal;
  4. Preparo do solo - boa coleta do solo para análise, calagem, adubação, gradagem e nivelamento.

Manejo da Pastagem Estabelecida

  • Entrada dos animais no piquete;
  • Saída dos animais do piquete;
  • Adubação de manutenção;
  • Controle de pragas e daninhas.

Perguntas e Respostas

1) A estacionalidade da forragicultura não é devida à genética?

Não, pois depende do ambiente (luz, CO2, água, solo, temperatura) para produzir o ano todo.

2) O que é Capineira?

Área recoberta por plantas forrageiras onde o animal não tem acesso. Essa planta é cortada e fornecida diretamente como volumoso no cocho.

2b) A Capineira pode combater a estacionalidade?

Sim, pois existem capineiras de inverno (como o caso da cana-de-açúcar) que faz com que o produtor tenha volumoso inclusive em temperaturas baixas.

3) A irrigação pode resolver todos os problemas?

Não, pois não interfere na temperatura. Porém, pode fazer com que uma planta produza por mais alguns meses além do que produziria (até 3 meses), até porque nosso inverno é frio e seco.

4) O hábito de crescimento de uma planta é fator limitante para a escolha da espécie forrageira?

Sim, pois determinados animais preferem plantas mais rasteiras (equinos), outros, plantas mais altas (bovinos). Alguns animais são maiores ou pastam em bando e precisam entrar no meio da pastagem (que não pode ser alta). Algumas espécies facilitam a mecanização do corte (Brachiaria é mais fácil do que Panicum), além de plantas mais decumbentes serem melhores para locais com brejo.

5) Plantas do gênero Panicum são indicadas para diferimento de pastejo?

Não, porque são mais rústicas (crescem muito mais do que as Brachiarias) e, em período de diferimento, costumam florescer. Essa inflorescência aumenta o tamanho do caule em relação à folha e dificulta a ingestão pelos animais.

5b) Qual o cuidado a ser tomado por manejo de animais em pasto diferido de Brachiaria decumbens?

Uma Brachiaria decumbens mal manejada (velha ou passada do ponto) ocasiona presença de fungos que podem levar os animais a terem fotossensibilização, principalmente os animais jovens.

6) Por que Brachiaria e Panicum são mais indicadas para integração lavoura-pecuária do que Cynodon e Pennisetum?

Porque podem ser semeadas e possuem uma estrutura menos rústica.

6b) Por que Brachiaria é mais indicada do que Panicum para lavoura-pecuária?

Porque a Brachiaria possui uma melhor semente, é menos rústica e não floresce tanto quanto a Panicum.

7) Por que Brachiaria brizantha é mais indicada para lavoura-pecuária do que Brachiaria decumbens e humidicola?

Porque produz mais. Além disso, a decumbens necessita de um melhor manejo para evitar o problema da fotossensibilização e a humidicola para evitar o problema da "cara inchada".

8) Qual a vantagem da integração lavoura-pecuária em relação ao diferimento de pastagens?

Primeiro vem a vantagem lucrativa, o produtor consegue tirar lucro de duas áreas enquanto contorna a estacionalidade e também não precisa suplementar a alimentação animal enquanto seu pasto está sendo diferido. Também temos a vantagem de manejo que evita os problemas já citados em animais.

9) Qual o critério para indicação entre o sistema de pastejo diferido e a lavoura-pecuária?

Tudo depende da região. Existem locais melhores para produção animal e outros melhores para a produção agrícola. Em regiões onde é inviável o cultivo de culturas agrícolas, recomenda-se a pastagem diferida com a frequência adequada, porém, se podemos cultivar alimentos, a lavoura-pecuária se sai muito melhor.

10) Um sistema de produção sustentável deve apresentar quais fatores?

Preservação do meio ambiente, retorno financeiro lucrativo e produção socialmente justa.

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