Manual de Primeiros Socorros e Atendimento Pré-Hospitalar

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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Deveres de um Socorrista

O socorrista deve:

  • Realizar acesso à vítima.
  • Fazer avaliação primária e secundária.
  • Mobilizar somente quando necessário.
  • Auxiliar na transferência e prestar informações em caso de acidentes.
  • Controlar o local.
  • Utilizar informações do local e da avaliação da cena.
  • Decidir quando os requisitos de segurança são atendidos.
  • Obter ajuda do pessoal presente na cena e controlar as atividades.

Negligência e Abandono no Atendimento

O que é Negligência?

Negligência é a não observação de padrões de assistência em relação à vítima. Tudo o que foge da normalidade do padrão deve ser observado em uma equipe de emergência. Pode ocorrer negligência ao deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, desamparada ou em grave e iminente perigo.

Abandono

Uma vez que se inicia o atendimento à vítima, o socorrista não pode mais sair do local até a chegada do socorro e, por sua vez, a equipe não pode recusar atendimento.

Confidencialidade

É obrigatório respeitar e guardar segredo de toda matéria de que tiver conhecimento no decorrer de suas ações.

Obstrução Respiratória

Definição e Tipos

É o bloqueio da laringe de uma pessoa por um corpo estranho, podendo ser também por vômito, sangue ou outros líquidos. Pode ser:

  • Parcial: Possibilita a passagem de ar, mesmo que reduzida, caracterizada por esforço respiratório, respiração ruidosa e ofegante.
  • Total: A passagem de ar está completamente obstruída, havendo ausência de ruídos e parada respiratória.

Como Verificar Obstrução em Crianças

Abra a boca da vítima e tente visualizar o corpo estranho. Caso o encontre, tente retirá-lo. Nunca realize exploração digital às cegas, pois isso poderá pressionar o corpo estranho para uma posição ainda mais difícil de remoção.

Técnica para Obstrução de Vias Aéreas em Obesos e Grávidas

Em pessoas extremamente obesas ou em estágio avançado de gravidez, recomenda-se a compressão sobre a parte inferior do tórax da vítima, ou seja, a substituição da compressão abdominal por compressão torácica.

Manobra de Heimlich

  1. Coloque-se atrás da vítima, com os braços ao redor na altura da cintura.
  2. Feche uma das mãos em punho e coloque a mão com o polegar encostado ao abdômen da vítima, na linha média, um pouco acima do umbigo e bem afastada do apêndice xifoide.
  3. Com a outra mão, agarre o punho da mão colocada anteriormente e puxe, com um movimento rápido e vigoroso, para dentro e para cima na direção do reanimador.

Queimaduras: Classificação e Primeiros Socorros

Tipos de Queimaduras (Causa)

  • Térmica: Causadas por calor e mais frequentes. Resultam do manuseio descuidado de produtos em altas temperaturas, como líquidos quentes ou objetos incandescentes.
  • Elétrica: Contato com fonte de energia elétrica. Pode atingir órgãos internos na passagem da corrente e causar parada ou arritmia cardíaca.
  • Químicas: Causadas pelo derramamento de produtos químicos corrosivos sobre a pele.
  • Radioativas: Causadas por irradiação (cobalto, usinas nucleares, entre outras fontes).

Graus de Queimadura

  • 1º Grau: É a mais superficial, pode deixar a pele avermelhada, inchada e dolorida. Uma exposição prolongada ao sol pode desencadear este tipo de lesão.
  • Solares: Provocadas pelo sol. Embora extensas, são quase sempre superficiais (de 1º grau): a pele fica avermelhada, dolorida e irritada.
  • 2º Grau: Aparecimento de bolha, que é a manifestação externa de um descolamento dermoepidérmico. Tem uma profundidade intermediária.
  • 3º Grau: Aparecimento de uma zona de morte tecidual. É profunda e grave.
  • 4º Grau: Denominada de carbonização, perda total da estrutura e da função morfológica. Destrói quase toda a pele, danificando até os ossos, podendo causar a morte.
  • 5º e 6º Graus: Muito severas, chegando a expor músculo subjacente. A hospitalização é exigida e podem ser fatais.

Primeiros Socorros em Queimaduras de 1º Grau

Utilize água corrente, pois ela neutraliza o mecanismo fisiopatológico e diminui a dor. Deve-se evitar tocar a área queimada e não fazer uso de substâncias, pois aderem à lesão e traumatizam o tecido.

Nas queimaduras químicas, a roupa deve ser removida e a lesão lavada com água corrente. Para evitar a contaminação, envolva a queimadura com panos limpos e úmidos, e proteja o paciente contra o frio, envolvendo-o em lençóis e cobertores, conforme a temperatura ambiente.

O que Não Fazer em Caso de Pessoa em Chamas

  • Não jogar areia ou outra substância para apagar o fogo, pois essas substâncias podem causar infecção.
  • Não fazer uso de extintores de incêndio na vítima, pois pode causar intoxicação respiratória.

Acidentes com Animais Peçonhentos

Primeiros Socorros em Caso de Picada

A vítima deve ser hidratada com água, o local afetado deve ser elevado e a vítima deve ser levada ao hospital mais próximo para administração do soro. O local da picada não deve ser cortado ou perfurado, nem deve ser feito torniquete. Não se deve tentar retirar o veneno por método de sucção. Para cada veneno existe um soro que deverá ser administrado na unidade de saúde.

Sinais e Sintomas das Complicações por Picada

  • Cascavel: Formigamento no local, sem lesão evidente, dificuldade de manter os olhos abertos, visão turva ou dupla, dores musculares generalizadas e urina escura.
  • Jararaca: Dor e inchaço no local, às vezes com manchas arroxeadas e sangramento pelos orifícios da picada; sangramento em gengivas, pele e urina. Pode evoluir com complicações como infecção, necrose na região da picada e insuficiência renal.
  • Surucucu: Causa quadro semelhante ao acidente botrópico, acompanhado de vômitos, diarreia e queda da pressão arterial.
  • Coral: No local não se observa alteração importante. As manifestações do envenenamento caracterizam-se por visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento.

Urgências Clínicas

Causas de

  • Desmaio: Falta de alimentação, após uma doação de sangue, ou quando se presencia alguém tendo sangramento.
  • Epilepsia: São contrações incontroláveis dos músculos.
  • Angina: É uma lesão no músculo do coração causada pela obstrução de uma artéria coronária. Quando a artéria entope, o músculo deixa de receber oxigênio, parando de funcionar.

Como Reconhecer uma Urgência no Diabético

Alteração da respiração (fica rápida), sensação de cansaço, pulso rápido, aceleração do coração, fraqueza, mudança na aparência, com tremor fino e ansiedade.

Procedimentos a Serem Realizados

  • Desmaios: Remover a vítima para um ambiente arejado, afrouxar as roupas. Coloque a vítima deitada de costas, com as pernas elevadas e cabeça baixa. Se durar mais de 2 minutos, procure auxílio médico. Mantenha sempre as vias aéreas livres. Não ofereça nada para cheirar, beber ou comer. Caso a vítima volte a si, após uns minutos, tente colocá-la sentada e depois, ajude a ficar em pé, sempre aparando até que volte ao normal.
  • Convulsiva: Proteja a cabeça da vítima; afrouxe as roupas; deixe-a debater livremente. Evite a mordedura da língua colocando um lenço dobrado entre as arcadas. Nunca coloque objeto entre os dentes da vítima, ela pode quebrá-los. Mantenha a vítima sempre em repouso. Após a convulsão é comum a sonolência.

Como Reconhecer Paciente com Derrame (AVC)

Amortecimento com fraqueza da metade direita ou esquerda do corpo; alteração na fala (são mais comuns que a paralisia); dor de cabeça repentina; alteração de visão; dificuldade de andar; boca torta.

Como Proceder

  • Chame ambulância.
  • Vítima consciente: Deite-a no chão com cabeça e ombros ligeiramente erguidos e apoiados, incline a cabeça para um dos lados.
  • Vítima sem consciência: Fique atento para eventual parada cardíaca e/ou respiratória, proceda à reanimação.

Parto de Emergência

Identificação do Parto

  • Contrações regulares a cada 2 minutos.
  • Visualização da cabeça do bebê.
  • Ruptura da bolsa.

Procedimento

Nunca se deve impedir, retardar ou acelerar o processo de nascimento. Não deixar ir ao banheiro se são constatados os sinais de parto iminente. Coloque a parturiente deitada de costas com joelhos elevados e pernas afastadas e peça para conter a respiração, fazendo força de expulsão cada vez que sentir uma contração uterina. Deve-se lavar as mãos. À medida que a cabeça vai saindo, deve-se amparar com as mãos. Depois de sair totalmente, a cabeça da criança fará um pequeno giro e sairão rapidamente os ombros e o resto do corpo.

Cordão Umbilical: Não há necessidade de cortar o cordão umbilical se o transporte para o hospital for inferior a 30 minutos. Se for mais de 30 minutos, deite o bebê de costas e, com o fio previamente fervido, faça nós no cordão: o 1º aproximadamente 4 dedos da criança e o 2º nó 5 cm depois. Corte entre os 2 nós com uma tesoura esterilizada. O cordão sairá junto com a placenta 20 minutos após o nascimento.

História do Resgate e Atendimento Pré-Hospitalar

História do Resgate

  • A ideia era socorrer a vítima e, ao mesmo tempo, prestar cuidados iniciais com a finalidade de manter-lhe a vida até chegar a um hospital com mais recursos. Ideia de Dominique Jean Larrey, por volta de 1795.
  • Na Guerra da Coreia, os feridos eram transportados de helicópteros, e posteriormente na Guerra do Vietnã foi onde se conseguiu um recorde de 16 minutos da frente da batalha até a sala de cirurgia do hospital. Porém, não era o suficiente para reduzir o número de mortes e sequelas.
  • Com isso, treinaram pessoas que não eram médicas para o Atendimento Pré-Hospitalar de Emergências, reduzindo em 50% as mortes e em 70% as sequelas.
  • Em 1973 foi criado legalmente o Emergency Medical Service (EMS).

No Brasil

  • O Pré-Hospitalar iniciou-se em 1981 no DF, logo depois no RJ (1986) e Paraná (1989). Em SP (1990) iniciou o resgate e em BH-MG (1994).
  • Desde 1992 em BH vêm sendo treinados, onde técnicas e procedimentos de atendimento já vinham sendo feitos pelo Corpo de Bombeiros da PMMG.

A Cruz Vermelha no Brasil

  • A primeira fundação ocorreu em 8 de dezembro de 1908, na então capital federal, Rio de Janeiro.
  • Em 1914 surgiu em MG, incorporando-se ao conjunto de outras fundações.
  • Em MG surge a Escola de Enfermagem, seus programas de ação junto ao menor e, especialmente, suas atividades na formação de socorristas.

Sinais Vitais

Parâmetros Avaliados

  • Temperatura (bucal, retal, axilar).
  • Respiração.
  • Pulso.
  • Pressão Arterial.

Temperatura

  • Temperatura bucal: 36,2 a 37,0° C.
  • Temperatura retal: 36,4 a 37,2° C.
  • Temperatura axilar: 36,0 a 37,0° C.

Hipotermia (Temperatura abaixo do normal)

  • Subnormal: 34,0 a 35,0°C.
  • Hipotermia: 35,0 a 36,0°C.

Estado Febril (Temperatura elevada)

  • 37,5 a 37,9° C.

Hipertermia (Febre)

  • Febre: 38,0 a 38,9° C.
  • Pirexia: 39,0° C.
  • Hiperpirexia: 39,1 a 41,0° C.

Respiração (Irpm - Impulso Respiratório por Minuto)

  • Adulto masculino / feminino: 12 a 20 irpm.
  • Criança: 20 a 30 irpm.
  • Lactentes: 30 a 40 irpm.

Pulso

  • Adulto masc/fem: 12 a 20 irpm.
  • Criança: 20 a 30 irpm.
  • Lactentes: 30 a 40 irpm.

Pressão Arterial

É a pressão que o sangue exerce na parede das artérias. Os locais de aferição incluem artéria radial, carótidas, braquial, femurais, pediosas, temporal, poplítea e tibial posterior.

  • Pressão sistólica (máxima): 110 a 140 mmHg.
  • Pressão diastólica (mínima): 60 a 90 mmHg.

Terminologia Respiratória

  • Eupneico: Paciente que está com a frequência respiratória normal.
  • Dispneico: Frequência respiratória aumentada (falta de ar).
  • Taquipneico: Frequência respiratória muito aumentada.
  • Apneia: Ausência de movimentos respiratórios.
  • Bradipneico: Diminuição da frequência respiratória.

Afogamento

Definição

É o quadro de asfixia por inversão em meio líquido.

Classificação do Afogamento pelo Mecanismo

  • A) Primário: Efeito evidente do afogamento, ocorre o quadro de asfixia e, a seguir, parada cardíaca. Encontrado em 90% dos casos. A vítima apresenta-se cianótica (falta de oxigênio), com espuma na boca e no nariz.
  • B) Secundário: Sobrevive à parada cardíaca e, a seguir, a asfixia. A vítima não se apresenta pálida, não tendo espuma na boca e no nariz, e a respiração está completamente ausente. Neste grupo, devido ao espasmo da glote, não aspira água para os alvéolos pulmonares.

Classificação do Afogamento pela Natureza do Meio Líquido

  • Água Doce: A água dos alvéolos pulmonares passa para a corrente sanguínea. Ocorre a hemodiluição, aumentando o volume sanguíneo que passa para a célula, causando a hemólise.
  • Água Salgada: O plasma sanguíneo passa para os alvéolos pulmonares, provocando o edema pulmonar. Diminui o volume do sangue, ocorrendo a hemoconcentração. Pode ocorrer choque hipovolêmico. Os efeitos aparecem de 5 minutos a 4 dias.

Observação:

  • Primária: Água + PCR (Parada Cardiorrespiratória).
  • Secundária: PCR + Água.

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