Maquiavel, Hobbes e Rousseau: Conceitos de Virtù, Contrato Social e Estado de Natureza

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Nicolau Maquiavel: Virtù e Poder

Nicolau Maquiavel: Virtù é a qualidade do governante, que não deve ser confundida com a virtude do cidadão. Diferentemente do cidadão que age em interesse próprio, o príncipe deve ter como objetivo a harmonia e a paz em seu reinado. Assim, a virtù é a capacidade do governante de controlar e superar as dificuldades impostas a seu governo, criando estratégias para manter sua estabilidade. Ora sendo piedoso e bom com os seus cidadãos, ora severo e forte contra seus inimigos e opositores. A pura bondade pode ser uma falha do governo e não uma qualidade. Cabe ao príncipe desenvolver sua virtù e criar estratégias para estar sempre preparado para o acaso, revertendo a fortuna sempre a seu favor, criando oportunidades mesmo nas crises. Os preceitos estariam entre a lei e a força, já que o governante não deve basear suas decisões no que imagina ser o caso, mas perceber que as pessoas não são essencialmente boas e poderiam adotar meios escusos para seus fins. Nicolau Maquiavel sabia que as decisões dependiam do contexto, por isso suas reflexões são inerentes à dinâmica do poder: é preciso aparentar ser bondoso, mas saber usar de violência.

Maquiavélico e Maquiavelismo

Maquiavélico e Maquiavelismo: Por conta da ideia de que a bondade pode não ser uma virtude, Maquiavel recebeu muitas críticas. "Maquiavélico" tornou-se um adjetivo pejorativo que remete a sordidez, manipulação e deslealdade. Do mesmo modo, o termo maquiavelismo, também pejorativo, é utilizado como referência a uma forma de agir ardilosa e oculta para se conseguir o que deseja.

Os Fins Justificam os Meios

Os fins justificam os meios: frase significa que, para Maquiavel, o objetivo deveria ser alcançado de qualquer forma, sem se importar com os outros e os efeitos das decisões. Apesar de a frase não estar na obra, ela tem origem na forma como Maquiavel separa a moral privada do cidadão comum do modo como o governante deve atuar. Por outro lado, O Príncipe assume uma grande relevância também por mostrar que os governos são suscetíveis à participação cívica dos indivíduos. Essa perspectiva elevou o cidadão a um novo patamar no pensamento político da época.

Cunho Militar

Cunho Militar: a formação de um exército, seus armamentos etc. Esse escrito pode ser interpretado como uma recomendação à formação de uma força nacional de cidadãos em lugar da contratação de mercenários, que era a prática na Florença de sua época. O objetivo seria não apenas a proteção contra inimigos externos mas também contra os excessos de um eventual governante tirânico.PH Freitas on Twitter: "Mini Bruto https://t.co/1lLL2FfSNi" / Twitter 9k=

Thomas Hobbes: O Estado de Natureza e o Leviatã

Thomas Hobbes: Para Hobbes todo o conhecimento vem dos sentidos. A paixão é mais forte que a vontade. Na moral e na política, essa teoria dá no seguinte: os súditos do Estado são extremamente individualistas e só se reúnem em comunidade porque esse é o melhor meio de sobreviver. Acredita que o ser humano, em seu estado de natureza, é essencialmente mau. Defendia a monarquia e o Estado forte como fundamentais para estabelecer a ordem social e o convívio tranquilo. Não há qualquer tipo de representação mental anterior à experiência. O estado de natureza humano como momento de inaptidão natural para a vida social; A sociedade como uma composição complexa de “átomos”, que são os indivíduos; O contrato social como formação da comunidade humana que retira o homem de seu estado de natureza; A necessidade da monarquia para estabelecer a ordem entre as pessoas.

Contrato Social de Hobbes

Contrato Social: O Contrato Social seria um acordo entre os membros da sociedade, que reconhece a autoridade de um soberano, dono de direitos iluminados. O Estado absolutista seria o único capaz de fazer respeitar o Contrato Social e garantir a ordem e a paz na relação entre os indivíduos. Para construir uma sociedade é necessário que cada indivíduo abra mão de certos direitos naturais para o governo ou outra autoridade. Com isso, obtém-se as vantagens da ordem social e estabelece-se um acordo mútuo de não aniquilação do outro.

Hobbes parte do pressuposto de que houve um momento hipotético em que os seres humanos eram selvagens e viviam em seu estado natural. Para ele, esse momento era caótico, pois o ser humano é, para Hobbes, naturalmente inclinado para o mal. Segundo o filósofo, os seres humanos precisam da intervenção de um corpo estatal forte, com leis rígidas aplicadas por uma monarquia forte, para que eles saiam de seu estado natural e entrem no estado civil. Hobbes afirma que, em seu estado de natureza, “o homem é o lobo do homem”. O estado civil seria a solução para uma convivência pacífica, em que o ser humano abriria mão de sua liberdade para obter a paz no convívio social. O monarca, argumenta o filósofo, pode fazer o que for preciso para manter a ordem social. A propriedade privada, para Hobbes, não deveria existir e a monarquia é justificada pela sua necessidade como garantia do convívio seguro.

Leviatã

Leviatã: O leviatã é um monstro marinho descrito no antigo testamento, que tem como característica o seu tamanho e sua força imensos, e a ideia de que ele protege as criaturas marinhas menores e mais frágeis. O Estado, para Hobbes, sob sua forma monárquica, seria um leviatã que protegeria os seres humanos, criaturas frágeis, da própria maldade humana.

Jean-Jacques Rousseau: Bondade Natural e Contrato Social

Rosseau: Rousseau foi um filósofo contratualista. A ideia de contrato social parte do pressuposto de que há um estado de natureza. O estado de natureza é um estado hipotético em que não há nenhum tipo de intervenção moral, política ou social. O fim do estado de natureza se dá com a formação de um contrato ou pacto social. Baseia-se no pressuposto de que o estado de natureza humana é bom e a formação do pacto social (tal como foi estabelecido até então) o corrompe.

Principais Ideias de Rousseau

Principais Ideias: Rousseau foi, sem dúvida, um dos maiores filósofos de todos os tempos. No entanto, sua filosofia é um tanto quanto heterodoxa, se comparada com as teorias comuns na época. Ela mais se aproxima de uma crítica (política, moral e educativa) do que de uma forte rede sistemática, o que não tira seu valor, pelo contrário. Foi por isso que ele foi considerado um pensador ensaístico, um grande escritor de ensaios. Rousseau tinha uma tese que aparece em toda a sua obra: a de que o ser humano é melhor quando está mais próximo da natureza. Rousseau aprendeu a gostar do contato com o ambiente natural, sem intervenção humana, desde sua juventude. Em Emílio, ele já defendia o contato da criança com a natureza sempre que possível. Sua teoria geral diz que quanto mais distante o ser humano se encontra da natureza, mais corrompido ele fica. Ele atribui a corrupção moral e intelectual do indivíduo ao distanciamento que o ser humano toma da natureza com a imersão na sociedade, nos costumes e nas convenções sociais. Acontece que as convenções sociais e as criações humanas levam cada vez mais a um distanciamento da natureza. Como convenções sociais e criações humanas, podemos citar: as ciências, as artes, a filosofia, os costumes.

Contrato Social e Estado de Natureza em Rousseau

Contrato Social e Estado de Natureza: Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo contratualista. Ele estava inserido em um contexto de pensadores que separam a humanidade em dois estágios: um estágio hipotético chamado de estado de natureza; e o outro que é demarcado pela criação da sociedade civil, com leis e códigos, que dão origem à nossa formação social. Essa criação é estabelecida por um contrato ou pacto social que nos forma, nos molda, colocando, inclusive, as normas sociais, políticas e morais que determinam a nossa sociedade. Para o filósofo inglês Thomas Hobbes, o estado de natureza humano é marcado pelo caos. Rousseau percorre a linha contrária. Para ele, o estado de natureza humano é o estado de proximidade com a completa liberdade e a não corrupção do ser humano. Muitas pessoas acabam reduzindo a teoria contratualista de Rousseau à afirmação de que o ser humano é “bom por natureza”. Essa afirmação não está incorreta, no entanto, é necessário cautela para compreendê-la, pois não há moralidade no estado de natureza. Dizer que o ser humano é bom por natureza, levando-se em consideração o termo bom como algo moralmente aprovável, é incorreto. A corrupção começa com a criação do estado civil por meio do pacto social.

Em Émile, o mesmo plano de reconstrução da humanidade baseia-se na educação. É uma espécie de romance pedagógico.

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