Marx: Alienação, Objetificação e Exploração

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Alienação, Objetificação e Exploração Capitalista

Segundo Marx, a sociedade capitalista é baseada em três conceitos interligados: alienação, objetificação e exploração.

  • Alienação: O trabalhador é alienado, ou separado, daquilo que lhe é próprio: sua força de trabalho. Esta é comprada pelos capitalistas em troca de salários injustos.
  • Objetificação: As pessoas são tratadas como objetos ou bens. O trabalhador é comprado e vendido no mercado de trabalho com base nas leis de mercado, sendo tratado como uma "máquina" nas fábricas.
  • Exploração: É o resultado final do modo de produção capitalista. O trabalhador, despojado de seus bens naturais e de sua força de trabalho, é tratado como uma mercadoria e explorado por seu empregador. A burguesia explora a classe trabalhadora através da apropriação de sua natureza e de suas propriedades, por meio de um sistema injusto e desigual, objetivando o aumento dos lucros das empresas e o empobrecimento gradativo da classe operária.

O benefício que a burguesia obtém ao se apropriar do trabalho do trabalhador assalariado é chamado por Marx de mais-valia. A exploração se baseia na extração do trabalho excedente.

O Pensamento Econômico de Marx

Marx forneceu uma abordagem completa e inovadora para o conceito de trabalho, negligenciada pelos economistas clássicos. As peculiaridades de sua análise são:

  1. O trabalho é uma força social. Embora seja realizado por indivíduos, seu valor reside na promoção do desenvolvimento dos meios de produção, e não apenas dos lucros privados.
  2. Embora o objetivo inicial seja reproduzir os bens necessários para a subsistência do trabalhador e sua família (trabalho vivo), o verdadeiro poder do trabalho se evidencia na medida em que é incorporado ao patrimônio que pertence ao capitalista: os meios de produção, as mercadorias e os estoques (trabalho acumulado).
  3. Caráter revolucionário do trabalho: Se o proletariado se apropria dos frutos do seu trabalho, assume o controle dos processos e das forças revolucionárias da sociedade. O trabalho deve ser de propriedade da classe que o produz, e não da classe que o explora.
  4. O produto imediato do trabalho é um bem de troca, a mercadoria. O valor dos bens é sempre maior que o valor do trabalho incorporado. Nessa diferença reside o lucro do sistema capitalista. Quando o capitalista vende uma unidade do produto no mercado, há uma distinção entre preço e valor. O preço é uma unidade de troca fixada pelo mercado, mas o valor contém em si o trabalho assalariado. Portanto, há uma superexploração do trabalho do trabalhador pelo capitalista, que se apropria da única propriedade capaz de produzir valor.
  5. A superexploração existe porque, quando o capitalista contrata um trabalhador, não compra um trabalho determinado que resultaria em X unidades de mercadorias, pelas quais ele receberia um salário. O que o capitalista compra é a capacidade de produzir valor de trabalho durante a jornada de trabalho.
  6. O trabalhador percebe que a venda de sua "força de trabalho" é sempre menor do que o benefício que o capitalista obtém com a venda das unidades produzidas. Isso é facilitado pela divisão técnica do trabalho, ou seja, a estrutura das relações de produção. O lucro capitalista, então, é obtido a partir da diferença entre o trabalho que paga ao trabalhador e o que realmente recebe. Essa diferença é chamada de mais-valia. Tecnicamente, o capital é uma função do trabalho assalariado, e não do preço das mercadorias.

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