Mecanismos de endurecimento das ligas metálicas e alumínio
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1) Mecanismos de endurecimento das ligas metálicas
Resposta:
- Precipitação: partículas extremamente pequenas e uniformemente dispersas formam uma segunda fase na matriz e atuam como reforço, impedindo o movimento de discordâncias.
- Redução do tamanho do grão: um maior número de contornos de grão dificulta a movimentação das discordâncias; grãos menores tendem a aumentar a resistência (relacionamento Hall–Petch).
- Tratamento térmico por solubilização: todos os átomos de soluto são dissolvidos na solução sólida durante alta temperatura; resfriamento e envelhecimento controlados permitem formação de precipitados que endurecem a liga.
- Encruamento (trab. a frio): aumento da resistência por deformação plástica realizada à temperatura ambiente, devido ao acúmulo de discordâncias.
- Solução sólida: quando as propriedades mecânicas de um sólido são modificadas pela introdução de átomos de soluto que se acomodam na rede (substitucionais ou intersticiais), dificultando o movimento das discordâncias.
2) Ligas encruáveis vs. ligas tratáveis termicamente
Diferença:
- Ligas tratáveis termicamente: sua resistência pode ser aumentada por tratamentos térmicos (solubilização + envelhecimento, têm resposta ao tratamento térmico).
- Ligas encruáveis: o aumento da resistência ocorre exclusivamente por trabalho a frio (encruamento); não respondem significativamente a tratamentos térmicos para endurecimento.
3) Deformação por deslizamento e por maclagem
Deformação por deslizamento: é dada pela movimentação das discordâncias através dos planos de escorregamento; o movimento é comparável ao deslocamento em série, semelhante ao movimento de uma lagarta. Esse mecanismo permite grande ductilidade em baixas temperaturas.
Deformação por maclagem: ocorre o aparecimento de maclas de deformação, em que os átomos de um lado do plano ficam em posição de espelho em relação aos átomos do outro lado; é um mecanismo típico em materiais com baixa mobilidade de discordâncias ou em certas orientações cristalográficas.
4) Precipitados coerentes e incoerentes; envelhecimento Al–Cu
Precipitado coerente: apresenta baixa energia de interface e mantém uma relação de orientação com a matriz (as redes cristalinas têm orientação compatível), causando deformação elástica local da matriz.
Precipitado incoerente: precipitado e matriz apresentam diferentes estruturas cristalinas e não há relação de orientação; a interface é de alta energia e não impõe a mesma deformação na matriz.
Mecanismo de endurecimento por envelhecimento na liga Al–Cu:
- Em temperaturas de envelhecimento baixas formam-se os precipitados GP1 (pré-precipitados), que são agrupamentos de átomos de Cu que se separam da solução sólida formando placas ou discos com interface coerente.
- Com temperaturas um pouco maiores surgem os precipitados GP2, associados a aumento notável da dureza devido à interface coerente (máxima dureza no gráfico).
- Após a máxima dureza, forma-se a fase θ' (semi-coerente) com a matriz; como a rede está menos deformada localmente, ocorre queda da dureza.
- Com aumento adicional do tempo ou da temperatura de tratamento, as fases podem decompor-se formando a fase θ (theta) totalmente incoerente; nessa fase a interface não deforma a matriz e a dureza é menor.
Gráfico esquemático da variação da tensão de escoamento (ou dureza) com o tempo de envelhecimento:
5) Principais características das ligas de alumínio e aplicações
Características:
- Elevada resistência à corrosão (formação de filme passivo de óxido).
- Boa condutividade térmica e elétrica (embora menor que a do cobre, é significativa).
- Baixa densidade — razão força/peso favorável.
Aplicações: devido às características acima, o alumínio é amplamente usado em automóveis, embarcações, aviões, estruturas leves, trocadores de calor, carcaças e componentes elétricos.
6) Por que se diz que o alumínio tem maior condutividade térmica que o cobre?
Correção importante: o cobre possui condutividade térmica intrínseca maior que a do alumínio. No entanto, em algumas aplicações o alumínio é preferido por reprojetos que aproveitam sua menor densidade, custo e resistência à corrosão. A oxidação do cobre pode afetar a transferência de calor em condições específicas (se a superfície oxidada aumentar a resistência térmica à interface), mas isso não muda a condutividade térmica intrínseca do cobre, que é superior. Assim, afirmar que o alumínio tem maior condutividade que o cobre é incorreto sem contextualização.
7) Ao que se atribui a resistência à corrosão do alumínio?
O alumínio forma uma camada fina e aderente de óxido (Al2O3) na sua superfície por oxidação natural. Essa película passiva protege o metal subjacente do contato direto com o oxigênio e outros agentes corrosivos, reduzindo a taxa de corrosão.