Mercado de Câmbio: Conceitos e Funcionamento

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Mercado Financeiro e de Capitais

Mercado de Câmbio

O Mercado de Câmbio é aquele em que indivíduos, empresas e bancos compram e vendem moedas estrangeiras.

O Mercado de Câmbio para toda e qualquer moeda — dólares norte-americanos, por exemplo — é composto por todas as localidades (como Nova York, Londres, Paris, Zurique, Frankfurt, Cingapura, São Paulo etc.) em que esses dólares são comprados ou vendidos por outras moedas.

Moedas Fortes:

  • Dólar
  • Euro
  • Libra Esterlina
  • Franco Suíço
  • Iene

A principal função dos mercados de câmbio é a transferência de recursos ou de poder de compra de uma nação e moeda para outra. Mas por que razão os indivíduos, empresas, governos e bancos desejam trocar uma moeda nacional por outra?

A demanda por moedas estrangeiras ocorre quando:

  • Turistas visitam outro país.
  • Uma empresa doméstica deseja importar de outros países.
  • Remessa de lucros para o exterior.
  • Pagamento de royalties e patentes estrangeiras.
  • Um indivíduo tem intenção de investir no exterior.

Royalties é o termo utilizado para designar a importância paga ao detentor, proprietário ou um território, recurso natural, produto, marca, patente de produto, processo de produção, ou obra original, pelos direitos de exploração, uso, distribuição ou comercialização do referido produto ou tecnologia.

Dessa forma, a disponibilidade de moedas estrangeiras na nação surge a partir de:

  • Gastos de turistas estrangeiros no país.
  • Dos ganhos com exportações.
  • Da captação de investimentos externos etc.

Nesse processo, os bancos comerciais de uma nação operam como câmaras de compensação do câmbio estrangeiro demandado e ofertado no curso das transações externas efetuadas pelos residentes da nação.

No mercado de câmbio, temos quatro tipos de participantes:

  1. Usuários tradicionais, como turistas, importadores, exportadores, investidores etc.
  2. Bancos Comerciais que atuam como câmara de compensação entre usuários e recebedores de câmbio.
  3. Corretores de câmbio, através dos quais os bancos comerciais da nação nivelam as suas entradas e saídas de câmbio entre si.
  4. Banco Central do país, que atua como comprador em última instância quando os ganhos e despesas totais com câmbio do país se encontram em desequilíbrio ou para criar (aumentar) reservas internacionais.

Taxas de Câmbio (Real x Dólar)

A taxa de câmbio R entre reais e dólares é igual ao número de reais necessários para comprar US$ 1, ou seja, R=R$/US$.

Por exemplo, se R=2, significa que são necessários R$ 2 para comprar US$ 1. Então, na cotação de hoje, R=1,7036 significa que são necessários R$ 1,7036 para comprar US$ 1.

No mercado de Câmbio pode ocorrer:

  • Uma Depreciação: se há um aumento do preço doméstico da moeda estrangeira, isto é, necessita-se de mais reais (2, por exemplo) para comprar US$ 1.
  • Uma Apreciação: quando ocorre uma queda do preço doméstico da moeda estrangeira, isto é, necessita-se de menos reais (1,50 por exemplo) para comprar US$ 1.

Determinação das Taxas de Câmbio

As taxas de câmbio são determinadas pela Teoria da Paridade do Poder de Compra (PPP), elaborada por Gustav Cassel (economista sueco).

A Teoria da Paridade do Poder de Compra pode ser absoluta ou relativa.

A absoluta postula que a taxa de câmbio de equilíbrio entre duas moedas é igual à relação entre os níveis de preços nas duas nações, ou seja: R=P/ P*

Taxa de Câmbio = Nível Geral de Preços da Nação / Nível Geral de Preços da Nação Estrangeira

Já a teoria da paridade do poder de compra relativa, mais aperfeiçoada, postula que a mudança da taxa de câmbio ao longo de um período de tempo deve ser proporcional à mudança relativa dos níveis de preços nas duas nações ao longo do mesmo período de tempo.

Lanche Big Mac, batata frita e copo de refrigerante em restaurante do McDonald's, em Boston, EUA

Por 24 anos, a revista “The Economist” mediu o valor das moedas em todo o mundo usando dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e pão com gergelim. Um bom exemplo para representar a teoria da paridade do poder de compra são as chamadas moedas Big Mac.

De acordo com a teoria da PPP Absoluta, o preço de um determinado produto em dólares (em nosso caso o Big Mac) deveria ser igual ao dos Estados Unidos em todos os países se as taxas de câmbio fossem iguais à relação entre o nível de preços nos Estados Unidos e nos outros países.

Índice Big Mac aponta valorização da moeda brasileira

Publicado em 29 julho 2010

O Big Mac, famoso sanduíche da rede McDonald's, custa 31% mais no Brasil que nos Estados Unidos. Enquanto os americanos pagam US$ 3,73 pelo lanche, os brasileiros precisam desembolsar US$ 4,91 pelo mesmo produto. Ao comparar os preços do sanduíche em dólar nos dois países, a revista The Economist aponta uma sobrevalorização do real. Por ser preparado com os mesmos ingredientes em diversos países, o lanche é utilizado como referência para avaliar o valor das moedas ao redor do mundo. O valor-base para o produto é aquele cobrado nos Estados Unidos.

“O real do Brasil é uma das poucas moedas de mercados emergentes que são negociadas bem acima do ponto de referência do índice Big Mac. Com os juros altos - a taxa básica de juros está agora em 10,75% ao ano -, o Brasil tem atraído a atenção de investidores famintos por lucros. A economia do hambúrguer sugere que o real está sobrevalorizado em 31%”, diz a revista.

Regimes Cambiais

  • Regime de Câmbio Fixo
  • Regime de Câmbio Flexível
  • Regime de Câmbio Flexível Administrado
  • Regime de Bandas Cambiais

Regime de Câmbio Fixo

  • A relação entre dois países é fixa.
  • Independente das oscilações dos preços internos de cada país, inflação, as taxas de juros etc.
  • É fixado pelas autoridades monetárias.
  • É necessário dispor de reservas internacionais importantes.
  • Exige esforço grande para garantir a oferta de moeda estrangeira para atender a demanda.

Regime de Câmbio Flexível

  • As taxas flutuam livremente sem intervenção governamental nos mercados de câmbio.
  • As taxas são determinadas pelo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda.

Regime de Câmbio Flexível Administrado

  • As taxas flutuam livremente em condições normais (baixa volatilidade do câmbio).
  • As autoridades monetárias podem intervir para regularizar flutuações importantes (alta volatilidade do câmbio) de curto prazo.

Regime de Bandas Cambiais

  • A taxa de câmbio flutua dentro de limites estreitamente definidos, uma vez fixada a taxa de câmbio.
  • É um sistema de taxa fixa com relativa flexibilidade.

Guerra Cambial

A discussão acerca da "guerra cambial" vem ganhando corpo, tendo sido tema, inclusive, da última reunião ministerial do G-20. O governo brasileiro aprofundou as medidas para tentar conter a valorização do real ao aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a entrada de capital externo, para renda fixa, de 4% para 6%, além de elevar a taxação dos derivativos, também via IOF, de 0,38% para 6%.

A medida é positiva, se for levado em consideração que a taxa de juros no Brasil é ajustada para que não haja excesso de demanda, de modo exógeno. Essa taxa não necessariamente equilibra o mercado de divisas, dado que o montante pago a títulos em reais é maior do que seu risco país. Vale lembrar que, apesar de o cupom apresentar um valor baixo, em comparação a retornos de títulos sem risco, uma boa parte da entrada de divisas está sendo feita a descoberto. Com isso, a imposição do imposto pode ajudar a ajustar essa diferença.

Já os efeitos dessas medidas no longo prazo sobre a taxa de câmbio são praticamente nulos, como o próprio Ministério da Fazenda já declarou. A tendência do câmbio está mais ligada, no momento, às políticas fiscais e monetárias mais frouxas dos países ricos do que efetivamente por questões internas de atratividade do capital externo.

Num mundo em que países tentam conter variações cambiais, a melhor medida individual pode ser a retaliação, mas essa solução é pior para o grupo todo. O cenário global é de alta liquidez, pouco retorno financeiro nos países desenvolvidos e países em desenvolvimento com problemas pelo excesso de fluxo. Some-se a isso o fato de que os países desenvolvidos ainda precisam de estímulos para sobreviver e a China não parece inclinada a liberar sua taxa de câmbio.

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