Metafísica Ocidental: Deus, Alma, Mundo e Infinito

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Introdução

Há seis temas recorrentes e fundamentais da metafísica ocidental, que coincidem com os problemas centrais da filosofia em geral, a saber:

  • 1) Deus e o mundo
  • 2) o infinito e o finito
  • 3) a alma e o mundo exterior
  • 4) a vida e o ser
  • 5) o indivíduo
  • 6) o intelecto e a vontade

Christian Wolff acreditava que havia quatro partes da filosofia e, portanto, quatro áreas temáticas correspondentes: ontologia, cosmologia, psicologia e teologia natural racional — isto é, o ser, o mundo, a alma e Deus. Questões desse âmbito são tratadas em uma de suas obras mais importantes, Pensamentos racionais sobre Deus, o mundo e a alma do homem. As questões levantadas por Wolff e por Heimsoeth são mutuamente coimplicadas, de modo que dificilmente se pode abordar, isoladamente, a questão filosófica de Deus.

Deus

A questão de Deus insere‑se na teologia natural ou na teodiceia. A teologia natural é a parte da Filosofia Primeira (ou Metafísica) que estuda a noção de Deus e todas as questões relativas à sua compreensão com base apenas na razão, isto é, sem recorrer ao conhecimento da revelação e da fé (que é campo da teologia revelada). Para a teologia natural, Deus aparece como a ideia de um primeiro princípio da realidade, a primeira fundamentação ou primeiro motor.

Aristóteles concebeu Deus como o amado, o amante ou o objeto desejado, aquilo que move por ser desejado; a partir daí emergem atributos tradicionais atribuídos a Deus: onisciência, onipotência e bondade, isto é, a soma do infinito. Argumentos nessa linha levaram alguns filósofos a afirmar que Deus é idêntico a tudo o que existe — ou seja, que Deus é tudo: o universo é Deus e Deus é o universo. Essa posição é conhecida como panteísmo e foi defendida, por exemplo, por Spinoza. Nessa perspectiva, não apenas o todo é Deus, como também cada uma das suas partes o é.

Classicamente, Deus é nomeado como o necessário, supremo e infinito, primeiro princípio ou criador do universo. Seu estudo é tarefa da teologia natural ou da teodiceia, na qual desempenham papel central muitos argumentos racionais para tentar provar a sua existência. Na discussão filosófica, Deus aparece também como garante da ordem moral, ou mesmo como a própria ordem moral.

A Alma

A alma é entendida como o ser que existe por si mesmo. Nomeada tradicionalmente como uma substância de natureza simples, imaterial e imortal, a alma é diretamente responsável pela capacidade humana de entender, querer e sentir. Considera‑se também que ela constitui a base da atividade moral do homem e até mesmo a sua identidade pessoal. A relação entre a alma imaterial e o corpo material é problemática; hoje, o conceito de mente tem frequentemente substituído o de alma nas discussões filosóficas.

Mundo

O termo "mundo" na filosofia significa todas as coisas existentes e potenciais, e as suas mudanças — isto é, os fatos; compreende o universo, toda a realidade. Seu estudo é realizado pela cosmologia racional, que explora as propriedades mais gerais do mundo: se ele é composto, inter‑relacionado, ordenado, em evolução, etc.

Finitude

Finitude é a qualidade própria dos seres finitos, isto é, de seres limitados: ter um termo ou um limite, não ser infinito nem eterno. O limite aplica‑se não apenas à existência e à mortalidade, mas também às qualidades ou perfeições. Assim, ser finito implica ter capacidades limitadas.

Infinito

Infinito é a qualidade do que não tem limite de termo nem fim. Nessa perspectiva filosófica, distingue‑se com frequência entre o infinito real e o infinito potencial.

Onipotência

Onipotência é um atributo tradicionalmente próprio e exclusivo de Deus, que consiste na capacidade de fazer qualquer coisa sem limitação.

Onisciência

Onisciência é um atributo igualmente característico de Deus, isto é, o conhecer tudo.

Ser

Como substantivo, o termo "ser" pode referir‑se à essência ou natureza de uma coisa, ou à própria coisa, se realmente existe ou se é apenas possível ou imaginável. Como verbo, possui dois usos diferentes: a) como cópula e b) como verbo de existência. Essa distinção é importante porque separa a lógica da existência real. O conjunto dos seres lógicos, apenas possíveis, é sempre maior do que o conjunto dos seres realmente existentes.

Panteísmo

O termo vem do grego e o panteísmo afirma que Deus é tudo, isto é, todo o universo; Deus é também cada uma das partes, que expressam ou manifestam a totalidade divina. Às vezes o termo é empregado para caracterizar o credo de algum panteísta famoso.

Teodiceia

O termo teodiceia resulta da síntese de duas palavras gregas e foi cunhado por Leibniz em seu livro publicado em 1710, Ensayo de Teodiceia (originalmente Essais de Théodicée), intitulado em português Teodiceia ou Justificativa da Justiça de Deus. Nesse trabalho, Leibniz procura justificar ou defender a Deus — seu poder, sabedoria e bondade — frente ao problema do mal, em uma espécie de julgamento hipotético em que se apresenta a acusação contra a divindade e se busca sua defesa.

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