Métodos Científicos: Indução e Falsificabilidade

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Senso Comum

Senso Comum: é uma forma de pensar, agir e sentir da maioria das pessoas de uma sociedade e que se acumula no decorrer dos tempos. Baseia-se na subjetividade, atravessando gerações e perpetuando hábitos e tradições. É intuitivo, simples e espontâneo, sem sistematização de metodologia, e sua forma de aprendizagem se dá por meio de erros; é um conhecimento empírico.

O Método Indutivo

O método indutivo não chega a teorias universais seguras, pois parte do particular para o universal; no entanto, poupa tempo e é funcional. Este método depende muito da observação e é precisamente aí que começa, devendo ser imparcial, rigorosa e neutra. Seguidamente, dever-se-á formular hipóteses, que serão verificadas ou refutadas após a experimentação (por se basear na experimentação, este método é sempre uma generalização). Superada esta, a hipótese poderá ser considerada uma lei, podendo-se, a partir dela, chegar a novas conclusões. Poderá prever-se o futuro e, se os dados futuros não concordarem com as previsões, a lei terá de ser alterada. A grande desvantagem do método indutivo é que nem sempre se chega a premissas verdadeiras gerais partindo de premissas particulares, o que faz com que este método científico seja algo dúbio. Por dar muita importância à observação, torna-se empírico, entrando assim num círculo vicioso (falta-lhe um princípio).

O Método Hipotético-Dedutivo

O método hipotético-dedutivo é o método mais utilizado em pesquisas laboratoriais e tem por base a formulação de uma hipótese que deverá ser experimentada e comprovada. Este método começa por formular um fato-problema e uma hipótese, investigando essa hipótese ao tentar falsificá-la ou comprová-la, inferindo da mesma uma consequência preditiva. Posteriormente, dever-se-á realizar a experimentação e a posterior confirmação ou refutação da consequência preditiva. Se a experimentação confirmar a consequência preditiva, a hipótese é apoiada ou corroborada, formulando-se uma lei. Se a experimentação refutar a consequência preditiva, a hipótese é rejeitada e é formulada outra hipótese. As leis são interligadas umas com as outras, chegando-se a teorias científicas que explicam um todo, ao contrário das leis, que são menores e menos gerais, explicando aspectos para chegar a um todo.

O Problema da Indução de Hume

O problema da indução de Hume. A indução. Para Hume, a falta de racionalidade na aquisição de conhecimento era algo demonstrável e grave. Ele dizia que, por oposição à dedução — em que se retiram conclusões de premissas iniciais, algo completamente lógico —, a indução não tinha nada de racional. A indução é a generalização da informação pela persistência dos dados. Por exemplo: eu vejo um cisne e ele é branco, vejo outro e também é branco; quando continuo até ao 9000º cisne e todos eram brancos, se concluo que "todos os cisnes são brancos", estou a tirar uma conclusão por indução. Mas nada me garante que não possa aparecer um cisne preto. Quantos objetos tenho de analisar até fazer uma generalização justificada? Para Hume, infinitos. Segundo ele, nunca há nada que nos garanta que as coisas vão continuar a ser como sempre foram. Além da plausibilidade, Hume adianta que o que nos dá a segurança de dizer que o que aprendemos por indução funciona é também a indução, e que isso torna a gênese do conhecimento um círculo vicioso sustentado nele próprio, no qual não podemos confiar racionalmente. O universo pode deixar de ser como é a qualquer momento. De fato, não temos maneira de provar definitivamente isso, mas não é plausível que vá acontecer nos próximos 5 minutos. Naturalmente, há razões para acreditar que Hume não acreditava realmente nesta conversa, pois continuou a fazer uma série de coisas tal e qual como faria se elas se continuassem a comportar como sempre se comportaram.

Karl Popper e a Crítica ao Método Indutivo

Popper é um crítico do método indutivo, defendendo o modelo hipotético-dedutivo do método científico e a impossibilidade de demonstrar a verdade absoluta de uma teoria. Popper afirma o primado da teoria sobre a observação, considerando que o conhecimento não parte da observação. Analisa os fundamentos lógicos do procedimento indutivo e, tal como já fizera David Hume, Popper pergunta: "Com que fundamento podemos concluir da afirmação 'Alguns A são B' que 'Todos os A são B'?" Se não podemos observar todos os fatos, como podemos generalizar e afirmar que aquilo que foi observado num certo número se aplica a todos?

Popper responde que, por maior que seja o número de observações particulares, não há justificação lógica para a sua generalização a todos os casos. Há sempre a possibilidade de fatos ainda não observados do passado ou fatos futuros virem a contradizer a conclusão. Com efeito, mesmo que se tenham observado milhares de cisnes brancos, nada nos autoriza a afirmar que "todos os cisnes são brancos" e bastará uma única observação de um único cisne negro para refutar aquela proposição. As inferências indutivas não conferem ao conhecimento nem necessidade lógica nem validade universal. Com base na impossibilidade lógica de justificar a indução, Popper argumenta:

  • Uma vez que analisamos um conjunto limitado de fenômenos, as conclusões inferidas por indução são probabilidades e não consequências necessárias das premissas;
  • Uma vez que uma conclusão inferida indutivamente pode ser refutada pela observação de um dado que contrarie a conclusão, só podemos provar que uma teoria é falsa.

Assim, as teorias científicas são conjecturas, isto é, não são explicações definitivas, mas tentativas de explicação do mundo que devem ser permanentemente postas à prova. Não é possível confirmar a veracidade de uma teoria, mas é possível falsificá-la. Uma teoria corroborada é a teoria que resistiu às tentativas mais sérias e severas de falsificabilidade. Falsificabilidade é o processo de confrontar uma teoria com dados de observação na tentativa de provar a sua falsidade.

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