Métodos de Restauração Florestal: RN, Nucleação e Semeadura

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Métodos de Restauração Florestal

Os métodos de restauração florestal podem ser classificados em duas categorias principais:

  1. Métodos que possibilitam o aproveitamento da regeneração natural (RN).
  2. Áreas que não possibilitam o aproveitamento inicial da regeneração natural.

1. Restauração com Aproveitamento da Regeneração Natural (RN)

Fatores econômicos, sociais e ecológicos determinam as estratégias adotadas na restauração de determinada área.

Resiliência e Potencial de RN

  • Resiliência: Estimada pela potencialidade de aproveitamento da regeneração natural.
  • Fontes de RN: Banco de sementes; Rebrota de estruturas vegetativas (tocos e raízes gemíferas); Presença prévia de plântulas e indivíduos juvenis remanescentes da vegetação original.
  • A interação entre a Resiliência da Paisagem e a Resiliência Local determinará o potencial da área em retornar à condição prévia à degradação com menor nível de intervenção humana.

Fatores que Afetam a Regeneração Natural (RN)

  • Tempo e formas de uso do solo.
  • Histórico de degradação da área.
  • Tipo de vegetação.
  • Conectividade da paisagem.
  • Limitação de microssítios para RN.

Estratégias de Restauração com Aproveitamento Inicial da RN

  1. Remoção de Povoamentos Florestais Exóticos

    Visa o aproveitamento da RN no sub-bosque, retirando a madeira de povoamentos com elevada densidade e diversidade de regenerantes nativos.

    Técnicas para Redução de Impacto:
    • Utilização em áreas de relevo pouco acidentado e de fácil acesso (tecnificação) para derrubar árvores sem danificar a RN.
    • Direcionamento da queda das árvores exóticas em duas linhas paralelas e consecutivas na entrelinha, preservando uma entrelinha com a RN.
    • Morte das árvores em pé (Anelamento): Causa menor impacto na RN e impede mudanças repentinas no dossel da área (regime de luz e estrutura do sub-bosque).
  2. Adensamento

    Plantio de mudas ou semeadura de espécies nativas regionais visando a ocupação de espaços vazios e suprindo eventuais falhas da RN.

  3. Enriquecimento

    Semeadura ou plantio de mudas de espécies nativas regionais do grupo das não pioneiras em áreas sob processo de restauração, com baixa diversidade e predominância de espécies pioneiras.

    Nota: O enriquecimento natural só é possível em paisagens com fragmentos bem conservados.

  4. Restauração de Fragmentos Degradados

Metodologias de Facilitação da Expressão da RN

O aproveitamento da RN proporciona maior efetividade e redução dos custos de exploração, sendo uma alternativa à implantação da comunidade vegetal onde for viável.

  • Indução do Banco de Sementes: Exposição à luz e revolvimento do solo.
  • Nucleação: Estabelecimento ou favorecimento do surgimento de pequenos núcleos de vegetação nativa em área degradada, com a expansão e preenchimento desses núcleos ao longo do tempo.
    • Objetivo: Atração e abrigo da fauna de dispersores de sementes e criação de microssítios favoráveis ao estabelecimento de plântulas.
Técnicas de Nucleação:
  1. Florestas Nativas: Transposição de solo superficial e chuva de sementes.
  2. Indução e Facilitação de Propágulos: Poleiros artificiais; deposição de galharia e plantio de mudas em núcleos.
Pressupostos da Nucleação:
  1. Condições favoráveis para a dispersão de espécies nativas para a área em restauração.
  2. Condições favoráveis para o estabelecimento das sementes dispersas e expansão dos núcleos de espécies nativas.

2. Áreas sem Aproveitamento Inicial da Regeneração Natural

Estas são geralmente regiões com histórico de uso e ocupação do solo por agricultura e pecuária (áreas agrícolas tecnificadas), onde a RN é nula ou muito reduzida.

O objetivo é estabelecer não só a fisionomia florestal, mas também processos ecológicos e níveis de biodiversidade suficientes, assegurando a sustentabilidade ecológica do ecossistema em restauração. O processo depende da criação de condições necessárias para desencadear a regeneração natural.

Objetivos da Intervenção Humana:

  1. Promover o sombreamento do solo (controlando gramíneas e processos erosivos, e favorecendo o crescimento de espécies nativas típicas de interior de floresta).
  2. Fornecer alimento e abrigo para a fauna.
  3. Criar microssítios favoráveis à regeneração natural (sombreamento e serapilheira).
  4. Criar condições adequadas para a reintrodução de espécies nativas regionais (raras ou extintas localmente).

A semeadura direta e o plantio de mudas oferecem maior controle sobre a composição e estrutura inicial da comunidade implantada.

Estratégias Baseadas na Resiliência

  • Resiliência Local Baixa e Resiliência da Paisagem Adequada:

    A presença de remanescentes próximos à área a ser restaurada torna desnecessária a alta diversidade nos plantios ou na semeadura direta.

  • Resiliência Local e da Paisagem Reduzidas:

    A introdução de elevada diversidade de espécies é necessária.

Plantio de Espécies em Área Total

É o método mais caro e mais aplicado em regiões com baixa resiliência local e de paisagem. É frequentemente exigido pela legislação para formar a fisionomia florestal no menor tempo possível (recobrimento de gramíneas e indução da sucessão florestal).

  • Grupos de Recobrimento: Espécies escolhidas regionalmente e monitoradas por um período de 2 anos para promover a construção da estrutura florestal rapidamente. (Exemplo: Uso de 10 espécies sombreadoras e atrativas à fauna).
  • Grupo de Diversidade: Visa a substituição gradual do grupo de recobrimento no dossel florestal.

Semeadura Direta

Consiste na distribuição de sementes visando estabelecer uma comunidade que favoreça ou acelere os processos de sucessão.

  • Vantagens: Dispensa a produção e transporte de mudas; Redução de custos de implantação; Maior densidade de plantas, rápida ocupação e sombreamento da área degradada.
  • Objetivo: Recobrimento inicial da área, utilizando espécies de recobrimento.

Transposição de Solo Superficial Florestal

A camada de solo superficial e serapilheira funciona como um reservatório de sementes de espécies nativas, matéria orgânica, insetos, meso e microfauna de solo, microrganismos e nutrientes.

  • É utilizada na recuperação de áreas degradadas próximas aos locais de coleta dos solos.
  • O custo de transposição é elevado (devido ao volume de material), sendo recomendado o uso em áreas onde o solo é um fator limitante da regeneração.

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