Modelos e Classificação da Incapacidade (CIF/ICIDH)
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Modelos de incapacidade: Saad Nagi e ICIDH
Saad Nagi (1965) — Modelo social
Saad Nagi (1965) — Primeiro modelo a tentar explicar o processo da incapacidade. É um modelo social (estes modelos não são exclusivos da saúde). A incapacidade é vista como resultado da interação da pessoa com o seu ambiente.
- Patologia ativa – Interrupção ou interferência com processos fisiológicos normais.
- Deficiência – Perda ou alteração anatómica, fisiológica, mental ou emocional.
- Limites funcionais – Limitação na performance do indivíduo.
- Incapacidade – Limitação na performance de papéis definidos socialmente num contexto sociocultural e num ambiente físico.
ICIDH (OMS, 1980) — Precursor da CIF
ICIDH (OMS, 1980) — Publicado em 1980; é o precursor da ICF. Baseado num modelo biomédico. Três dimensões:
- Deficiência (ao nível dos órgãos).
- Incapacidade (ao nível do indivíduo).
- Desvantagem (ao nível da sociedade).
Desagregação proposta pelo ICIDH:
- Doença (situação intrínseca) – Doença ou patologia intrínseca.
- Deficiência (exteriorização) – Perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica.
- Incapacidade (objetivação) – Restrição ou falta de capacidade para executar uma atividade de modo normal.
- Desvantagem (socialização) – Desvantagem devida a uma deficiência ou incapacidade que limita ou impede o desempenho de um papel normal em função da idade, sexo e fatores socioculturais.
Críticas ao ICIDH
- Baseado no modelo biomédico.
- Relação linear de causa-efeito.
- Visão negativa da incapacidade.
- Sobreposição conceptual das dimensões.
- Não faz referência aos fatores ambientais.
DPC — Desenvolvimento Profissional Contínuo
DPC – Desenvolvimento Profissional Contínuo — É descrito aqui como um modelo social: a incapacidade é vista como resultado da interação da pessoa com o seu ambiente.
- O DPC classifica os componentes do desenvolvimento humano ou do processo de produção da desvantagem de acordo com uma perspetiva antropológica e cultural.
- Conceitos definidos pela positiva.
- Reconhecimento da importância dos fatores ambientais como parte integrante do processo de produção ou prevenção da incapacidade.
- A participação social é vista como o resultado da interação entre indivíduo e fatores ambientais.
Processo de Produção de Incapacidade
- Fatores de risco são os fatores pessoais: sistemas orgânicos; aptidões; e os fatores ambientais.
- A interação entre os fatores pessoais e ambientais vai definir hábitos de vida.
Evolução conceptual até à classificação atual
- Quem possuía uma incapacidade era visto como estando numa categoria à parte.
- A ICF foi criada para medir o funcionamento na sociedade, independentemente das origens e deficiências de cada um.
- É uma ferramenta versátil, com uma área de utilização muito mais abrangente.
Família das Classificações Internacionais — OMS
Família das Classificações Internacionais – OMS
- Base científica – Descrever as consequências das condições de saúde.
- Linguagem comum – Promover a comunicação entre profissionais e serviços.
- Comparação de dados – Permitir comparações entre países, disciplinas de cuidados de saúde, serviços e períodos de tempo.
- Esquema de codificação sistemático – Suportar sistemas de informação de saúde.
CIF: objetivos e princípios
CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde)
- Objetivo – Estabelecer uma linguagem comum e um esquema de codificação sistemático para a descrição da saúde e dos estados relacionados com a saúde, resultados e determinantes, comparável a nível internacional.
- Principal objetivo – Comparação internacional da informação da saúde.
- Princípios básicos – Científica, transcultural.
- Uso relacionado – Coerência e concordância entre utilizadores.
- Versatilidade – Responde às atuais necessidades de informação ou desenvolvimentos da saúde para diferentes utilizadores.
- Classes de fundação – Categorias de equivalência métricas e conceptuais.
- Regras de codificação – Fidedignidade e transparência.
Modelo conceptual da CIF
Condição de saúde (disfunção/doença) está interligada com:
- Estrutura e função corporal (deficiência).
- Atividades (limitação).
- Participação (restrição).
Estes três domínios estão interligados por:
- Fatores ambientais.
- Fatores pessoais.
Princípios da CIF
- Função – Não apenas incapacidade.
- Modelo universal – Não apenas melhorias.
- Abordagem biopsicossocial – Não apenas o modelo médico ou social.
- Modelo interativo – Não linear progressivo.
- Contexto – Não o indivíduo sozinho.
- Aferição cultural – Não apenas conceitos ocidentais.
- Operacional – Não apenas teórico.
- Qualidade de vida – Não apenas centrado no indivíduo.
Funcionalidade vs. Incapacidade
- Funcionalidade – Termo que engloba todas as funções do corpo, atividades e participação.
- Incapacidade – Termo que inclui deficiências, limitação da atividade ou restrição na participação.
Aplicações da CIF
Níveis:
- Individual:
- Avaliação da função;
- Planeamento de tratamento;
- Avaliação de tratamentos;
- Regulação dos consumidores.
- Institucional:
- Educação e formação;
- Planeamento e desenvolvimento;
- Gestão e avaliação de resultados.
- Social:
- Benefícios sociais;
- Políticas sociais;
- Avaliação de ambientes.
Áreas:
- Política;
- Económica;
- Avaliação de necessidades;
- Investigação;
- Clínica de reabilitação;
- Fatores ambientais.
Funcionalidade — Multidimensional
- Funções / Estrutura do corpo:
- Deficiências das funções e estruturas;
- Intervenções clínicas.
- Atividades e participação:
- Problemas de capacidade / desempenho;
- Reabilitação;
- Formação profissional;
- Educação.
- Fatores ambientais:
- Barreiras / facilitadores;
- Domicílio;
- Local de trabalho;
- Acessibilidade.
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