Modernismo de 30 e Pós-Modernismo na Literatura

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Segundo Momento Modernista

  • Preocupação: Críticas ao regionalismo; denúncia social.
  • Fatos que interferem: Internacional: crise econômica mundial; Revolução de 30. Nacional: choques ideológicos.
  • Caracteriza o romance de 30: Denúncia social documentando a vida brasileira e a relação eu/mundo.
  • Regionalismo leva ao extremo: As relações do personagem com o meio natural e social.

O 1º romance representativo do regionalismo nordestino foi A Bagaceira, de José Américo de Almeida, publicado em 1928.

Raquel de Queiroz

A obra é marcada pelo caráter fortemente regionalista dos romances modernistas: o Ceará, sua gente, sua terra e as secas são referências constantes em seus romances, com narrativa dinâmica.

Em seus primeiros livros, O Quinze e João Miguel, os aspectos social e psicológico coexistem, embora o primeiro superponha-se ao segundo. Em Caminhos de Pedras, atinge o ponto máximo da literatura engajada e esquerdizante; é seu romance mais social e político, publicado em 1937, no início do Estado Novo de Getúlio Vargas.

José Lins do Rego

  • Quais aspectos apelou constantemente: Para recordações da infância e da adolescência para compor seu Ciclo da Cana-de-Açúcar — série de romances de caráter memorialista que retratam a Zona da Mata nordestina num período crítico de transição: a decadência dos engenhos, esmagados pelas poderosas usinas.
  • Como se divide a sua obra: Ciclo da cana, misticismo, cangaço e seca.
  • Romance que é a síntese do ciclo da cana-de-açúcar: Fogo Morto.
  • Outros aspectos além da cana: Misticismo e cangaço presentes em Pedra Bonita e Cangaceiros.

Água-mãe e Eurídice: únicos romances de José Lins do Rego ambientados fora do Nordeste.

Graciliano Ramos

  • Como se manifesta a tensão em sua obra: Presente nas relações homem/meio natural e homem/meio social; tensão essa geradora de um conflito intenso, capaz de moldar personalidades e de transfigurar o que os homens têm de bom.
  • Morte constante: É o final trágico e irreversível decorrente de relacionamentos impraticáveis. Assim, encontramos suicídios em Caetés e São Bernardo.

A lei maior em seus romances é a selva. A palavra "bicho" tem força em sua obra porque ela dá destaque aos animais, deixando que o que nivele animais e pessoas seja o meio em que vivem e as condições subumanas.

  • Ponto de contato entre todos os personagens: Luta pela sobrevivência.
  • Zoomorfização: Ele dá grande importância aos bichos, tratando-os como gente, e dá características de bicho às pessoas.
  • Antonio Candido divide a obra de G.R. em: Romances narrados em 1ª pessoa (Caetés, São Bernardo e Angústia); narrados em 3ª pessoa (Vidas Secas); e autobiografias (Infância e Memórias do Cárcere).

Jorge Amado

  • Representa: O regionalismo baiano da zona rural e do cacau, e da zona urbana de Salvador.
  • Preocupação: Fixar tipos marginalizados e, a partir deles, analisar toda a sociedade.

Seus romances, vazados numa linguagem que retrata o falar do povo — o que lhe tem valido críticas dos mais puristas — são marcados pelo lirismo e pela postura ideológica.

  • Críticas em relação à linguagem: Por retratar nela o falar do povo.
  • Como se divide a sua obra:
    • Romances proletários: Retratam a vida urbana em Salvador, com forte coloração social (Suor, Capitães da Areia).
    • Ciclo do cacau: Seus temas são as fazendas de cacau de Ilhéus e Itabuna, a exploração do trabalhador rural e os exportadores (Cacau, Terras do Sem-Fim, São Jorge dos Ilhéus).
    • Depoimentos líricos e crônicas de costumes: Consolida-se com Gabriela, Cravo e Canela (crônicas de costumes).

Érico Veríssimo

  • Retrata: A vida urbana da província (Porto Alegre) em meio à crise da sociedade moderna e o cotidiano caótico.
  • Sua obra mais importante: O Tempo e o Vento.
  • Divide-se em: O Continente, O Retrato e O Arquipélago.

O Pós-Modernismo

Cenário internacional e nacional em 1945: Internacional: fim da 2ª Guerra Mundial, início da Era Atômica, criação da ONU. Nacional: fim da ditadura Vargas, início da redemocratização brasileira.

Logo depois, inicia-se um novo tempo de perseguições políticas, ilegalidade e exílios.

  • Por causa das mudanças no cenário político, o que ocorre na literatura: Passa por profundas alterações, surgindo manifestações de progresso e retrocesso.
  • Depois da prosa de 30, o que se busca na literatura: Uma literatura intimista de sondagem psicológica e introspectiva; quem se destaca nessa busca é Clarice Lispector.
  • O que acontece no regionalismo de Guimarães Rosa: Adquire uma nova dimensão com a recriação de costumes, penetrando fundo na psicologia.
  • Poeta que se revelou no fim da década de 1940: João Cabral de Melo Neto, por definir muito bem o caráter multifacetado das manifestações artísticas pós-guerra.

Guimarães Rosa

Seu primeiro livro: Sagarana, em 1946. Guimarães Rosa daria uma nova perspectiva ao regionalismo.

  • Preocupação: Com a revalorização da linguagem.
  • Universalização do Regional: O regional nos carrega um contexto que não poderia existir apenas naquela região.

O valor da linguagem de Guimarães Rosa não está no rebuscamento das palavras ou no uso de arcaísmos, mas nos neologismos, na recriação e na invenção das palavras. Esse tipo de linguagem valoriza as palavras, que ganham força e novos significados.

  • Característica neobarroca: A luta entre Deus e o Diabo, o bem e o mal.

Clarice Lispector

  • Principal eixo de sua obra: O questionamento do ser; o estar no mundo.
  • Romance introspectivo: Romance intimista que apela para o fluxo da consciência.
  • Ambiguidade: Valorizando o significado nas entrelinhas.
  • Linguagem: Preocupação com a revalorização das palavras: dá-lhes uma roupagem nova, explorando os limites do significado, trabalhando metáforas e aliterações.
  • Que romance trilha novos caminhos: A Hora da Estrela, porque produz um texto que possui dois eixos. Trata-se de uma narrativa de caráter social com profunda angústia e reflexão sobre o ato de escrever.

João Cabral de Melo Neto

  • Grande tema: O Nordeste (recordações), a Espanha (lugar dele), a arte (elaboração da poesia). Engenheiro das palavras.
  • Preocupação: Estética.
  • Poeta Engenheiro: Aquele que constrói uma poesia calculada e racional, num evidente combate ao sentimentalismo choroso.
  • Sua obra a partir de 1950: Apresenta uma poesia cada vez mais engajada, aprofundando assim a temática social (ex: O Cão sem Plumas).

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