Modernismo Hispânico: Juan Ramón, Valle-Inclán, Pío Baroja

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Juan Ramón Jiménez

Juan Ramón Jiménez

A pura poesia caracteriza-se por sua essência, pela captação e pela eliminação de todos os relatos.

Para Juan Ramón, a poesia é conhecimento, beleza e desejo de eternidade.

Beleza

A busca e a expressão da beleza tornam-no um poeta minoritário e consciente — a minoria de sempre.

Conhecimento

Sua poesia envolve um intenso desejo de aprofundar o verdadeiro ser das coisas, a sua essência interior.

Ansiando por toda a eternidade

O poema, intemporal e permanentemente belo, sobrevive à morte. O poeta torna-se eterno quando escreve, porque vive na memória.

Fase sensível

Tristeza. Obras coloridas e que exibem as questões típicas do modernismo, mas, pessoalmente, a busca da beleza e os pássaros do amor. (O Som Solitário, poemas selvagens e Platero y yo: a visão harmoniosa do homem e da natureza.)

Palco intelectual

A poesia é mais conceitual e complexa, sempre dedicada à minoria (por exemplo, Diário de um poeta recém‑casado, A Eternidade). Esta é a raiz de poemas simbolistas em que o poeta sente a necessidade de mudar as coisas e descobrir a sua pureza original.

Fase de chegada

(Fundo Animal, Desejado Deus e Desejando): o poeta obcecado com o tema da vida poética, a eternidade e o desejo de transcendência em sua obra.

Valle-Inclán

Ele passa também à novela. As Sonatas são consideradas a melhor contribuição do modernismo em prosa. O teatro de Valle-Inclán é caracterizado por um constante esforço para renovar a cena espanhola. Estamos diante de um dos dramaturgos mais importantes da Espanha.

Várias tendências ou ciclos:

  • Ciclo mítico — composto por obras como La Divina Comedia (trilogias) ou Bárbaro.
  • Ciclo de farsa — em obras como A Marquesa Rosalinda ou A Rainha Castiça; predominam o simples e o ridículo: jardins, rosas, cisnes etc.
  • Ciclo grotesco — o mecanismo não é o mito, senão a desmistificação da realidade, o presente vivido pelo escritor; destacam-se obras de tom grotesco e crítico.

A obra que abriu o ciclo da boemia e das luzes grotescas trata da última viagem de um herói trágico. O poeta Max reflete sobre um mundo sem dignidade, junto ao seu companheiro Don Híspalis Latino. É uma viagem aterrorizante que rasga quinze bairros de Madrid, que não têm nada de mítico ou glorioso. Max não possui outras armas para denunciar e combater a realidade desumanizada senão propor o suicídio.

Pío Baroja

Um dos mais importantes romancistas da Geração de 98. Seu estilo marca o romance como um gênero aberto a admitir uma série de técnicas diferentes. Essas novelas carecem de ação; são romances de caráter. Tudo depende de um personagem em torno da cuja vida e evolução — de um fracasso anunciado — tudo o mais é construído. Os outros personagens são enfeites estéticos.

Seu estilo é preciso, simples e sombrio. A simplicidade pode, às vezes, parecer rude. É um virtuose da descrição impressionista e do diálogo, bem como da gestão de um humor ácido. Frases curtas abundam, e há um estilo conversacional predominante.

  • Novelas antes de 1912 — fase prolífica e variada; escreve suas melhores obras: O Caminho da Perfeição e A Árvore do Conhecimento.
  • Depois de 1912 — escreve romances de diferentes estilos e temas, incluindo Memórias de um Homem Notável de ação.

Exemplos e temas recorrentes:

  • País BascoA Casa Aizgorri.
  • Vida de fantasiaParadox, Rei, O Caminho da Perfeição.
  • A luta pela vidaA Pesquisa, Weed, Aurora Vermelha.

Características do Modernismo

  • A rejeição da realidade cotidiana, em que o escritor procura evadir-se do tempo (evocando o passado e o melhor) ou do espaço (muitos poemas decorrem em locais exóticos e distantes).
  • Atitude aristocrática e certo preciosismo no estilo, com busca da perfeição formal (de inspiração parnasiana), apreciada sem perder um certo individualismo.
  • A busca da beleza é conseguida através de imagens vívidas e de aproximações às artes; uso abundante de adjetivos e imagens relativas a todos os sentidos, assim como música produzida pelo abuso da aliteração, ritmo marcado e uso de sinestesia (influências do simbolismo).
  • Fidelidade ao clássico com grandes variações nos moldes do sistema métrico, usando versos medievais como alexandrino, dodecassílabo e eneassílabo, com contribuições de novas variantes do soneto.
  • O uso da mitologia e do sensacionalismo.
  • Renovação lexical usando helenismos, cultismos e galicismos, sem priorizar apenas a precisão, mas também o prestigio ou a raridade da palavra.
  • Desejo de inovação que aspira à perfeição apreciada na literatura europeia.
  • A adaptação da métrica para a América hispânica.
  • O culto da perfeição formal, calmo e equilibrado, na poesia.

Temas do modernismo

O tema modernista revela, em primeiro lugar, um desejo de recriar a harmonia num mundo em desarmonia; assim, um anseio de plenitude e perfeição e, além disso, a busca das raízes da crise que produziu um sentimento de desenraizamento do escritor, apresentado como um guia capaz de mostrar ao homem comum os verdadeiros valores. Os temas são variados, mas alguns dos mais comuns são:

  • O mal-estar típico do Romantismo: o tédio da vida e uma profunda tristeza, junto com melancolia e angústia.
  • Busca de solidão e rejeição de uma sociedade.
  • Escapismo: fuga da realidade do tempo e do espaço.
  • O amor e o erotismo, com certa idealização do amor e da mulher. O tema do amor impossível é apresentado com diferenças em relação ao ideal romântico; há contraste entre o amor profundo e o erotismo intenso e delicado.
  • Cosmopolitismo: mostra o desejo de uma outra, mais aristocrática, dimensão; os modernistas demonstraram grande devoção a Paris.
  • Temas americanos, incluindo questões indígenas, muitas vezes com defesa do indígena.
  • O valioso acervo histórico e antecedentes hispânicos, que dá harmonia ao mundo em desarmonia.

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