Monarquias Absolutistas, Parlamentos e Impérios
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- As monarquias absolutistas e autoritárias
O poder autoritário e a monarquia absoluta
Durante a Idade Média, as monarquias eram fracas e controladas por uma nobreza poderosa. A partir do final do século XV, a autoridade real fortalece-se muito, o que se torna evidente em:
- Autonomia do rei em relação ao papa.
- Burocratização da monarquia.
- Perda de importância dos órgãos parlamentares medievais (redução das Cortes).
- Desenvolvimento de um capitalismo urbano emergente, que gera receita para os monarcas (imposto real).
- Criação de exércitos permanentes que impõem a autoridade do rei sobre a nobreza.
- Estabilização das fronteiras.
- Ideologia do rei como "por graça de Deus", tornando a monarquia inquestionável.
Os monarcas ganharam muito poder em relação ao que tinham na Idade Média, mas ainda precisavam de algumas instituições medievais, como os tribunais para obter receitas, e tinham de respeitar privilégios e certas instituições regionais. Falamos também da monarquia autoritária; com o tempo, as monarquias autoritárias tornaram-se monarquias absolutas.
Assim, o rei, como reflexo do poder divino, detinha poder quase absoluto: nomeava juízes, administrava a justiça e dirigia políticas internas e externas. Não estava submetido a qualquer controle nem partilhava soberania com outrem. O seu poder económico tornou desnecessário convocar as Cortes ou o Parlamento, e muitas vezes não respeitava os direitos e privilégios usufruídos por algumas regiões. O rei é o Estado, e a vontade dos seus súditos está sujeita à sua.
Embora os reis absolutos tivessem todo o poder nas suas mãos, na prática eram aconselhados por instituições como o "Conselho de Estado". A administração local esteve nas mãos de governadores e prefeitos nomeados pelo rei: aplicavam as leis, mantinham a ordem e dirigiam obras públicas. Existia toda uma legião de funcionários e burocratas para executar as ordens reais, cobrar impostos e fazer funcionar a complexa maquinaria estatal.
- Os Parlamentos do Antigo Regime
Origem e função
Os parlamentos do Antigo Regime têm origem medieval e são reflexo do modelo social vigente: a sociedade estamental. Os três estamentos reconhecidos eram representados nestes parlamentos; nobreza, clero e povo enviavam representantes ou deputados.
Apesar do desequilíbrio entre eles — a nobreza e o clero representavam geralmente cerca de 5% da população e o povo mais de 90% — o voto era por estamento: cada estamento tinha um voto, independentemente do número de representantes ou da percentagem da população que representava.
O papel dos parlamentos ou Cortes era bastante limitado e não deve ser confundido com o das assembleias legislativas modernas (eleitas democraticamente por sufrágio universal e detentoras do poder legislativo). Os parlamentos do Antigo Regime tinham alguma autoridade em matéria fiscal, sendo consultados pelo rei em situações excecionais e para ratificar novos soberanos. Mesmo assim, os reis absolutos procuravam marginalizá-los e só os convocavam em situações extremas (aumento de impostos, pedidos de ajuda financeira).
- O fim do Império Bizantino e o surgimento do Império Turco
- O fim do Império Bizantino
O Império Bizantino tem origem na divisão do Império Romano por Teodósio (395), formando o Império Romano do Oriente. Recebe o nome da sua capital bizantina, Constantinopla (Bízâncio antiga). A sua época de maior brilho político, económico e militar ocorreu durante o reinado de Justiniano (527–565), que recuperou parte do antigo Império Romano (conjuntos do Norte de África, Itália, ilhas e sul da península Ibérica).
O declínio começa pouco depois, coincidindo com o advento do Islã. Os muçulmanos ocupam grande parte do Médio Oriente (Síria, Palestina, Egito entre 635 e 642) e penetram na Anatólia; o cerco de Constantinopla ocorre por duas vezes (674–678 e 717–718), sem sucesso inicial. Pouco depois, os bizantinos perdem grande parte da Itália (Ravenna cai em 751). As lutas religiosas e políticas (iconoclasmo) e o desvio de algumas cruzadas enfraquecem ainda mais o império, que sobrevive até ao século XV, quando os turcos otomanos finalmente conquistam Constantinopla em 1453.
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- O surgimento do Império Turco
Os turcos são um povo nómada originário da Ásia Central. A primeira vaga turca chega ao Médio Oriente no século XI, islamiza-se e conquista a Terra Santa, contribuindo para a organização das cruzadas por parte dos reinos cristãos europeus.
No século XIII, a pressão mongol expulsa tribos turcas da Ásia Central, deslocando-as para a Anatólia. É entre esses grupos que surgem os turcos otomanos, que iniciam uma grande expansão territorial à custa dos bizantinos e estabelecem a sua capital em Bursa. Os turcos vão conquistando progressivamente territórios balcânicos: em 1389 há a Batalha do Kosovo; seguem-se a conquista da Sérvia e da Bulgária, o avanço até ao Danúbio e a aproximação às margens orientais do Eufrates. Sucessivas expedições cristãs — as "cruzadas" — são derrotadas pelos turcos. O Império Bizantino fica reduzido; Constantinopla permanece em posição vulnerável durante meio século, em parte devido aos problemas provocados pelos turcos e pelos mongóis nas suas fronteiras orientais.
- A formação dos reinos dos bárbaros e o Império do Ocidente
Da federação germânica aos reinos independentes
Os povos germânicos federados formaram reinos independentes nos territórios que ocuparam. A forma de Estado desses reinos foi muito diferente do conceito romano: as tribos germânicas eram grupos de homens livres, guerreiros, liderados por um chefe escolhido. As relações com a população romana foram difíceis, marcadas por segregação racial e diferenças religiosas (muitos bárbaros eram arianos). Os reinos germânicos mais significativos sobre o antigo Império Romano do Ocidente foram:
- Vândalos (429–534). Estabeleceram-se no Norte de África (Cartago) depois de serem expulsos da Península Ibérica pelos visigodos; organizaram um império marítimo e atacaram Roma em 455 (Genserico). Os romanos de Justiniano (Belisário) destruíram este reino e integraram-no no seu império em 534.
- Reino visigodo (419–507 em Tolosa; 507–711 em Toledo). Inicialmente no sul da Gália, os visigodos entram na Hispânia para expulsar vândalos e alanos. Em 507 são derrotados pelos francos em Vouillé e expulsos da Gália, permanecendo apenas na Hispânia. O reino visigodo será destruído pela conquista muçulmana em 711.
- Francos (unificação desde o séc. IV; hegemonia com Clodoveu 482–511). Unidade de tribos sob Clodoveu, que conquistou grande parte da Gália e se converteu ao catolicismo (497). O processo de fusão entre galo-romanos e germânicos conduziu à formação de um reino unitário e coeso. O reino merovíngio evoluiu posteriormente para o Império Carolíngio.
- Reino da Borgonha (443–534). Liderado por Gundobad na área da moderna Suíça e Lyon; conquistado pelos francos em 534.
- Ostrogodos (Italia, 493–553). Teodorico, o Grande, estabelece-se na Itália e na região do Adriático depois de derrubar Odoacre. Tensão com a população romana e segregação racial; rivalidade com os francos; este reino é finalmente incorporado pelo império de Justiniano (535–553).
- Lombardos. Posteriormente, outras tribos germânicas, como os lombardos (liderados por Alboíno), ocupam o norte da Itália, expulsando os bizantinos e estabelecendo um novo reino (568–774).
Considera-se a data de 476 d.C. como o fim definitivo do Império Romano do Ocidente, quando Odoacre, líder de mercenários germânicos ao serviço de Roma, depôs o último imperador, Rómulo Augústulo, e criou um reino pessoal na Itália, enviando os símbolos do poder imperial para Constantinopla. Por convenção, considera-se que assim termina a Antiguidade e começa a Idade Média.