Morfologia e Fisiologia da Cultura do Feijão: Raízes a Flores
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Morfologia e Fisiologia da Cultura do Feijão
Sistema Radicular
A maior parte das raízes concentra-se nos primeiros 20 cm do solo, com 62-87% localizados nos 10 cm superficiais. A amplitude do sistema radicular depende das condições físicas do solo.
O sistema radicular do feijoeiro é formado por uma raiz principal (primária), da qual se desenvolvem lateralmente as raízes secundárias e terciárias. Os pêlos absorventes estão sempre presentes nas proximidades das regiões de crescimento.
Hábito de Crescimento e Ecotipos
O hábito de crescimento é determinado por:
- Determinado: inflorescência no ápice da haste principal e das laterais; florescimento do ápice para a base.
- Indeterminado: os meristemas apicais continuam vegetativos durante o florescimento; florescimento da base para o ápice.
Quatro ecotipos são identificados:
- Tipo I: Crescimento determinado; porte reduzido, ereto e precoce.
- Tipo II: Tipos indeterminados; porte ereto.
- Tipo III: Tipos indeterminados; porte prostrado.
- Tipo IV: Tipos indeterminados; volúveis, trepadores.
Plasticidade do Feijoeiro
A plasticidade do feijoeiro (Tipo III > Tipo II > Tipo I) é definida como a capacidade de sobrevivência das plantas cultivadas em um determinado ambiente. É uma propriedade específica de caracteres individuais, em estádios de desenvolvimento específicos e sob a influência de ambientes específicos. Alterações morfológicas como altura das plantas, área foliar e ramificações formadas determinam a plasticidade da cultivar utilizada.
O desequilíbrio nutricional, a falta de nitrogênio (N) e o déficit hídrico diminuem a plasticidade.
Caule
O caule é herbáceo (haste), constituído por eixo principal, formado por uma sucessão de nós e entre-nós. O primeiro nó constitui os cotilédones, o segundo corresponde à inserção das folhas primárias e o terceiro, das folhas trifolioladas. A porção entre as raízes e os cotilédones é o hipocótilo e entre os cotilédones e as folhas primárias, o epicótilo.
Folhas
As folhas são simples e opostas nas folhas primárias; e compostas, constituídas de três folíolos (trifolioladas), com disposição alterna, características das folhas definitivas.
Flores e Frutos
As flores são agrupadas em inflorescências do tipo rácimo axilar (no hábito de crescimento indeterminado) e rácimo terminal (no hábito determinado). É uma planta autógama, com taxa de cruzamento natural em torno de 2%.
O fruto é um legume, deiscente, constituído de duas valvas unidas por duas suturas (dorsal e ventral). A forma pode ser reta, arqueada ou recurvada, e o ápice, abrupto ou afilado, arqueado ou reto.
Semente
A semente é exalbuminada, ou seja, não possui albume; as reservas nutritivas estão concentradas nos cotilédones. É constituída, externamente, de um tegumento ou testa, hilo, micrópila e rafe; internamente, de um embrião formado pela plúmula, duas folhas primárias, hipocótilo, dois cotilédones e radícula.
Fotossíntese: Plantas C3 vs. C4
Plantas C3
As taxas de fotossíntese das plantas C3 são elevadas a todo momento, atingindo as Taxas Máximas de Fotossíntese (TMF) em intensidades de radiação solar relativamente baixas. Por isso, são consideradas espécies esbanjadoras de água. Ainda assim, este grupo vegetal é altamente produtivo, contribuindo significativamente para o equilíbrio da biodiversidade terrestre.
Plantas C4
As plantas C4 possuem grande afinidade com o CO2. Elas recebem este nome devido ao fato de o ácido oxalacético possuir 4 moléculas de carbono, formado após o processo de fixação de carbono. Devido à alta afinidade com o CO2, as plantas C4 apresentam grande vantagem em relação às plantas C3: elas podem sobreviver em ambientes áridos. Isto se dá porque as plantas C4 só atingem as taxas máximas de fotossíntese sob elevadas intensidades de radiação solar, fazendo com que fixem mais CO2 por unidade de água perdida. Ou seja, elas são mais econômicas quanto ao uso da água, perdendo menos água que as C3 durante a fixação e a fotossíntese.
Exigências Agroclimáticas da Cultura do Feijão
Dentre os elementos climáticos que afetam o desenvolvimento e produção da cultura do feijão, a temperatura e a precipitação pluviométrica são cruciais. A temperatura é considerada o fator climático de maior influência no desenvolvimento de vagens, bem como sobre o florescimento e frutificação.
Efeitos da Temperatura
- Baixas Temperaturas: Se temperaturas muito baixas ocorrerem logo após a semeadura, a germinação pode ser comprometida, diminuindo a população de plantas emergidas e refletindo na produtividade final.
- Altas Temperaturas: Exercem maior influência no desenvolvimento de sementes e estruturas florais, entre outros processos fisiológicos danificados. Em temperaturas muito elevadas, a planta inicia o processo de abscisão dos órgãos reprodutivos, sendo que acima de 35ºC praticamente não há formação de vagens, comprometendo significativamente a produção final.
Efeitos da Água
A deficiência hídrica é sentida a partir do momento em que a taxa de evapotranspiração é maior que a taxa de absorção de água pelas raízes.
O excesso de água no solo também pode causar danos, resultando na deficiência de oxigênio disponível à planta e prejudicando a germinação, bem como o desenvolvimento e estabelecimento do sistema radicular do feijoeiro.
A precipitação pluviométrica, em conjunto com os demais fatores agroclimáticos, limita o crescimento e desenvolvimento do feijoeiro. O consumo hídrico da cultura do feijão varia de 300 a 600 mm ao longo de seus estádios de desenvolvimento, consumindo, em média, 3 a 4 mm por dia e necessitando de uma disponibilidade mínima de 100 mm mensais.